Bronze em Pequim 2008, Natalia Falavigna fecha parceria com taekwondo de São José

Medalhista olímpica e campeã mundial, paranaense implementará metodologia de treinos para equipe de rendimento da Fundação Municipal de Esportes

 “Cada chute tem que ser o último da sua vida. Uma base bem feita, um encaixe pode fazer a diferença entre uma medalha e um quarto lugar em um Mundial ou em uma Olimpíada daqui a 20 anos”. Depois de mais uma noite de treino na Fundação Municipal de Esportes de São José, cerca de 20 atletas de taekwondo ouvem atentamente as palavras de quem sabe exatamente o que está dizendo. Natalia Falavigna, 32, foi bronze em Pequim 2008 e campeã mundial em 2005.

Natalia Falavigna falou sobre suas experiências em competições internacionais e início de carreira - Marco Santiago/ND
Natalia Falavigna falou sobre suas experiências em competições internacionais e início de carreira – Marco Santiago/ND

Aposentada dos tatames e formada em educação física, a paranaense de Londrina já tem uma academia em sua cidade natal e veio implementar sua metodologia em um projeto pioneiro em São José, com a ajuda dos mestres Adelino Filho,41, e Erickson Busatto, 30. “Santa Catarina é minha segunda casa. É um dos Estados que tem a federação mais organizada. Já estive aqui em várias oportunidades, dando palestras, e agora surgiu a possibilidade dessa parceria com o Adelino e o Erickson. Não estarei presente no dia a dia, mas a metodologia dos treinos será a mesma”, contou Natalia.

Além do suporte técnico, a imagem da medalhista olímpica também deve atrair mais visibilidade e recursos para o projeto em São José. “Ela é o principal nome do taekwondo brasileiro de todos os tempos, é pós-graduada em Educação Física, tem uma vivência, uma experiência de competições internacionais. Só a presença dela aqui já é um grande incentivo para nossos atletas”, ressaltou Adelino.

Atletas como Alessandra Trevisan, 33. A catarinense de Joinville foi bronze no Sul-Americano de 2015, no Peru, e uma das cinco atletas que participaram da seletiva fechada para a disputa da Olimpíada do Rio 2016. “A Natalia sempre foi um espelho para mim. A primeira vez que a vi pessoalmente foi na seletiva fechada para a seleção em 2007. Tirei até uma foto com ela. No ano passado, ela esteve aqui em São José em um vento e tive a oportunidade de conversar um pouco com ela. Agora tê-la aqui mais próxima, será muito bom para nossa evolução como atletas”, destacou.

Antes de encerrar o bate-papo no tatame, Natalia recordou a própria a trajetória e deu uma injeção de autoestima nos atletas. “Vê-los treinando assim, passa um filme da minha vida, da minha carreira. Eu me identifico com cada um. Meu começo foi muito difícil, eu treinava atrás de uma ótica, numa salinha bem menor que essa, no carpete, queimava o pé. O começo de todo mundo é perrengue, ralando. Os campeões olímpicos também começam competindo em torneios locais, igual a vocês”, comparou. 

Equipe migrou da Capital para cidade vizinha em busca de valorização

O projeto de taekwondo em São José começou em 2015, depois que a equipe toda saiu de Florianópolis, onde o repasse dos recursos do bolsa-atleta vinha atrasando com frequência, e migrou para a cidade vizinha atraída por mais recursos.

Com o apoio da Fundação Municipal de Esportes, hoje, oito atletas de taekwondo recebem o benefício em São José. Sete deles foram medalhistas nos Jogos Abertos de Santa Catarina pela Capital em 2015 e passaram a receber o bolsa-atleta por São José este ano. Uma saída encontrada para não prejudicar os atletas que treinaram o ano inteiro em 2016 e não puderam disputar os JASC, cancelado devido aos estragos provocados pela tempestade em Tubarão, em outubro do ano passado.

Alessandra Trevisan foi bronze no Sul-Americano em 2015 e participou da seletiva para a Rio 2016 - Marco Santiago/ND
Alessandra Trevisan foi bronze no Sul-Americano em 2015 e participou da seletiva para a Rio 2016 – Marco Santiago/ND

Maicon Machado, 25, está desde o início do projeto em São José e foi bronze nos JASC de 2015, em Joaçaba. O foco agora é a primeira seletiva fechada para o Brasileiro, que será disputada no próximo dia 12, no ginásio de Campinas. “Eu fiquei cinco anos parado depois de uma lesão no tornozelo e quando voltei fui bronze nos JASC. No ano passado, não teve JASC, foi uma pena. Agora esse ano o foco são as seletivas para o Brasileiro”, afirmou o atleta natural de Palhoça.

E se depender do mestre Erickson, o futuro destes atletas será de grandes conquistas. “Além da Natalia, temos vários exemplos a serem seguidos aqui mesmo entre nós, como a Alessandra, que esteve perto de ir para a Rio 2016. O Vitor Porto, que está na seleção brasileira júnior. Se eles acreditarem que podem ser campeões mundiais, olímpicos, já é meio caminho andado”, ressaltou.

Participe do grupo e receba as principais notícias
do esporte de Santa Catarina e do Brasil na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
Loading...