Muito além da arte marcial

Taekwondo muda a vida e transforma jovens carentes de Tijucas em campeões

Marcos Horostecki/ND

Na última competição os 19 jovens participantes conseguiram medalhas

Faz parte da filosofia do Taekwondo, segundo a Federação a Brasileira, “lutar para desencorajar a opressão do mais forte sobre o mais fraco, com um poder que deve estar baseado na humanidade, justiça, moralidade, sabedoria e fé, ajudando a construir um mundo melhor e mais pacífico”. Jovens apresentados ao esporte, são ao mesmo tempo apresentados à disciplina e ao respeito pelos pais e professores. Tanto que, em diversas partes do País, o Taekwondo tem se transformado em uma poderosa ferramenta educacional, em especial no atendimento de crianças e adolescentes em situação de risco.

No Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos da Secretaria de Ação Social de Tijucas, no bairro Santa Luzia, o Projeto Taekwondo existe há três anos e meio e transformou a vida de mais de 50 crianças. “No começo foi muito difícil. Eles não sabiam nada sobre regras. Não respeitavam nenhuma. Hoje procuram respeitar seus pais e professores treinam até além do necessário e participam de torneios e viagens sem cometerem nenhum ato de indisciplina, diz o professor Vandeí Fugaza, responsável pelo projeto.

No último final de semana, todas as 19 crianças e adolescentes do projeto que participaram do 17º Mega Open de Taekwondo, em Itajaí, voltaram para Tijucas com medalhas. Os jovens estão sendo incentivados a participar das competições e segundo o professor tem se dedicado ao máximo para aprimorarem suas técnicas, mudarem de faixa e até abraçarem o mundo do esporte.

Treinar para fortalecer o caráter

O professor Vandeí Fugaza explica que trazer a filosofia do Taekwondo para a vida de jovens em situação de risco não é tarefa fácil. É uma missão vencida aos poucos, com muita paciência, na base da conversa e do estímulo às descobertas que o mundo do esporte pode proporcionar. Nem todos os garotos e garotas que entram para a escolinha tem condições de seguir carreira. Fugaza, no entanto, acredita que cerca de 40% deles têm o chamado dom para o esporte. “Isso não quer dizer que o Taekwondo não traga benefícios a todos. Para todos os participantes, há a mudança de comportamento, de atitude. Quem treina se fortalece como pessoa. O caráter vai se lapidando e isso ajuda a pessoa a construir alternativas de vida”, acrescenta.

O Taekwondo é hoje um esporte olímpico, mas surgiu há 2 mil anos na Coréia. Foi introduzido no Brasil em 1970 pelo grão-mestre Sang Min Cho. O significado da palavra em si é “Tae” (pé), “Kwon” (mão) e “Do” (arte ou caminho), ou seja, “O caminho dos pés e das mãos”. O esporte, segundo a Federação Brasileira, pode oferecer inúmeros benefícios para os praticantes, como por exemplo, o aumento da resistência cardiovascular, o fortalecimento muscular, a confiança, a disciplina, a concentração e o trabalho em equipe.

O garimpo de talentos

Sonhar em ser um atleta olímpico, em trazer medalhas e glórias para o esporte e para o País é um dos estímulos oferecidos aos jovens pela escolinha em Tijucas.  O professor não esconde que, em meio ao trabalho social, o município garimpa talentos, que serão incentivados a se transforarem, caso queiram, em atletas de alto rendimento, com nível olímpico e aptos para disputarem competições internacionais.

O ponto de partida, além da rotina de treinos, é o exame de troca de faixas, que os jovens precisam superar para avançarem no esporte. “Quando começamos, o trabalho era realizado com crianças que não tinham nenhum conhecimento sobre o Taekwondo. Hoje já temos um atleta com condições de atingir a faixa preta e alçar voos mais altos”, continua Fugaza. De acordo com ele, o jovem José Vitor, de 15 anos, passará pelo exame no final do ano e vem sendo preparado para se transformar num atleta de alto rendimento. “Nós já obtivemos o apoio necessário para que ele faça o exame e participe de competições de grande porte”, continua o professor.

Como esporte olímpico, o Taekwondo pode garantir ao atleta graduado e em condições de competir o “Bolsa Atleta”, pago pelo governo federal como incentivo aos novos talentos. Esse é um dos caminhos que deve ser ofertado à José Vitor, para que ele continue estudando e invista cada vez mais no Taekwondo. Para isso ele precisa estar entre os três melhores do ranking brasileiro, o que segundo o professor pode vir a acontecer caso ele continue se dedicando.

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