Gal Costa apresenta na terça o show “Recanto” em Florianópolis

Show, concebido e dirigido por Caetano Veloso, tem sonoridade eletrônica e contemporânea, além de revistar os grandes sucessos da cantora

Divulgação / ND

No show “Recanto”, Gal Costa mostra-se familiarizada com as batidas eletrônicas

Até por telefone a voz de Gal Costa é sonora, cristalina. Quando conversou com a reportagem do Notícias do Dia, a baiana com sotaque soteropolitano-carioca ia em direção ao aeroporto na última sexta (17), de onde tomaria um avião para Florianópolis. Fazia dois anos que não se apresentava por aqui. Hoje ela lança em Santa Catarina seu novo álbum, “Recanto”, em show concebido e dirigido pelo parceiro de longa data Caetano Veloso. O show – ao preço de R$ 300 a entrada – será no teatro Pedro Ivo e tem apoio da RIC TV Record.

Ao contrário de Bethânia, que demorou 30 anos para voltar à Ilha depois do fatídico episódio da prisão de Gilberto Gil na Capital – quando ele e os Doces Bárbaros (formado por Gil, Gal, Caetano e Matia Bethânia) vieram se apresentar na cidade, nos anos 1970 – Gal já voltou muitas vezes a Florianópolis. “Não tem ressentimento nenhum”, garante.

O disco “Recanto” está à altura da história protagonizada por Gal Costa e Caetano Veloso, amizade de mais de 50 anos. “A ideia do disco e do show partiu dele, a sonoridade eletrônica também”, conta Gal. Ele estava em Lisboa e foi assistir a um show dela por lá. “Me procurou então no camarim e falou do projeto. Fazia muito tempo que ele não me via cantar. ”

Retomada a conversa interrompida pelo sinal fraco do celular, a cantora reforçou a identificação artística com Caetano. “Eu acho que Caetano compõe muito bem pra mim. Há muitas canções que ele faz especificamente para minha voz, canções que conversam comigo”, diz ela. De fato, “Vaca Profrana” e “Minha Voz, Minha Vida”, por exemplo, são canções que não têm a mesma graciosidade e força quando não interpretadas por Gal. A cantora diz que tudo isso faz parte da identificação artística deles, “temos em comum uma idolatria a João Gilberto.”

Eletrônico não é novidade

Gal Costa está bem à vontade com os beats eletrônicos presentes em “Recanto”. É uma batida diferente mas nem tanto do que há 40 anos ela e os tropicalistas já faziam, quando injetavam guitarras elétricas na música popular brasileira ainda inebriada com a bossa nova. “Eu nos anos 60, quando fiquei aqui no Brasil e Caetano foi exilado, já mexia com a estética da música eletrônica; foi uma revolução na época”, lembra. “Por isso ‘Recanto’ se encaixa na minha história e é compatível comigo, com minha música.”

Além das programações eletrônicas experimentais, o disco mistura ainda rock e dub-step à MPB. Já as canções são composições novas de Caetano, que no show ganham o reforço das velhas músicas já mais conhecidas do público. “O disco é muito bonito, são composições lindas, que ficaram ainda mais fortes e intensas – cresceram muito no palco. E é uma narrativa cantada da minha vida”, diz Gal.

Gal será acompanhada pelo trio formado por Domenico Lancellotti (bateria e MPC), Pedro Baby (guitarra e violão) e Bruno Di Lullo (baixo).

Serviço

O quê: Show “Recanto”, com Gal Costa
Quando: 21/8, 21h
Onde: Teatro Pedro Ivo, rod. SC – 401, Km 5, 4.600, Saco Grande, Florianópolis, tel: 3953-2300, 3953-2301
Quanto: R$ 300 / R$ 150; R$ 200 (balcão superior)

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