Grupo Armação estreia nesta sexta-feira monólogo “Eu Confesso!”

Com texto e direção de Antônio Cunha, esse é o primeiro espetáculo do gênero interpretado pelo ator Édio Nunes

Divulgação/ND

De pijama e pantufas, Édio Nunes vive Deus a partir de hoje no teatrinho da Armação

Pela primeira vez em mais de 50 anos de carreira no teatro catarinense, Édio Nunes entrará em cena sem a companhia de outros atores. Aos 70 anos idade, ele viverá no palco do teatro da Armação, a partir de hoje, o personagem mais famoso do mundo de todos os tempos: Deus. O monólogo “Eu Confesso!”, de autoria de Antônio Cunha, que também dirige o espetáculo, foi escrito especialmente para o ator e fica em cartaz em Florianópolis até 20 de abril.

“Não era o meu sonho fazer um monólogo, nunca tinha pensado nisso. Sempre preferi a troca que é estar com parceiros no palco, mas quando completei 50 anos de teatro, o Cunha achou propício e lançou esse desafio. Tem sido uma experiência muito rica”, conta o ator.

A parceria entre Édio e Cunha começou em 1988, quando dividiram pela primeira vez o palco do teatro da Armação, companhia fundada por Édio no início dos anos 1970, e que Cunha já frequentava como espectador. Desde então, eles já estiveram juntos como ator-diretor/autor em três montagens e também no cinema. Agora, se encontram novamente com uma proposta totalmente nova, idealizada através do edital Elisabete Anderle.

“É mais fácil trabalhar com um texto que já foi pensado para mim. Nos conhecemos há muito tempo, então ele já conseguiu traduzir no texto o que eu poderia fazer. Não tenho a preocupação de encontrar um processo físico, ele já viu isso tudo em mim”, observa o ator. Para Cunha, a sensação é semelhante. “Eu não diria que é mais é mais fácil, é diferente. Outro diretor poderia ter dado outra cara. Eu já conhecia a voz e a personalidade do Édio no palco e fora dele, então ajudou na concepção da ideia”, explica.

No espetáculo, Édio vive um Deus “desendeusado” que passa boa parte do tempo sentado em uma poltrona, de pijama e pantufas, tomando algumas doses de medicamentos e questionando seu trabalho e os imprevistos que acabou tendo enquanto criava a humanidade. “O humor do texto não é rasgado, não é uma comédia. Tem uma boa dose de ironia, que acaba levando ao riso”, explica Cunha. “Pode haver gargalhadas, mas não foi feito para isso”, completa Édio.

Evolução na cena

Durante as cinco décadas em que permaneceu ativo nas artes cênicas da Capital, Édio viu muita coisa. De um único grupo que produzia espetáculos nos quase inexistentes espaços da cidade na década de 1960, ele acompanhou de perto todas as mudanças que o setor sofreou, e considera como a mais emblemática delas a criação do primeiro curso de artes cênicas na cidade. “Antes era tudo muito amador, todos nós tínhamos outros empregos, então não conseguíamos nos dedicar integralmente ao teatro. A gente se doava muito, mas não era prioridade porque não tinha como viver disso. Depois, o curso começou a criar profissionais da área e a intensidade ficou maior”, lembra. Hoje Édio é aposentado, mas conciliou a vida de ator com a rotina de funcionário da Secretaria da Fazenda durante a maior parte de sua carreira.

Hoje, além de um dos mais ativos atores catarinenses, é também dele o mérito de ter sido um dos fundadores da mais antiga companhia de teatro em atividade de Florianópolis.

Desde 1986, já dentro do contexto de profissionalização das artes cênicas, o teatro da Armação conta com uma sede cedida pelo governo em um casarão antigo no Centro histórico da Capital. É lá que a maior parte das montagens do grupo são apresentadas.

Serviço

O quê: Espetáculo “Eu Confesso”

Quando: 4, 5, 6, 11, 12, 13, 18, 19 e 20/4, 20h

Onde: Teatrinho do Grupo Armação, praça 15, 344, Centro, Florianópolis

Quanto: R$ 20/ R$ 10 (meia)

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