Show de Gal Costa relembra antigos sucessos e traz canções eletrônicas sofisticadas

À vontade com a sonoridade eletrônica - ideia de Caetano Veloso - Gal apresentou show emocionante em Florianópolis na última terça (21)

Rosane Lima / ND

Intensa – Gal Costa estava à vontade com as batidas eletrônicas no show “Recanto”

Gal Costa entrou de preto no palco, com a cara limpa – à parte o vermelho nos lábios para contrastar com a pele clara e a cabeleira negra, crespa, revolta – a de sempre. Sentada numa banqueta, desafiou-se a si mesma já no primeiro ato, brincando com agudos na canção “Da Maior Importância”, que abriu o show “Recanto” em Florianópolis, na última terça (21) no teatro Pedro Ivo.

Gal demonstrou que aos 66 anos ainda vai bem tanto com Rock’n Roll quanto com romance, e continua totalmente aberta ao novo: “Recanto” foi concebido e dirigido por Caetano Veloso, um disco que viaja na sonoridade eletrônica, dub-steps, guitarras elétricas, luzes pulsantes. Mas combinando Gal e Caetano, o resultado é nada menos que pura sofisticação.

Mesmo fãs mais conservadores, de quem se desconfiava se iriam encarar bem a ousadia proposta (teve até um funk eletrônico, indiscutivelmente elegante na versão de Gal e Caetano), se empolgaram quando o estilo rave incendiou o palco com Gal e o trio formado por Domenico Lancellotti (bateria e MPC), Pedro Baby (guitarra e violão) e Bruno Di Lullo (baixo).

“É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte”, cantou ela, relembrando “Divino Maravilha”, canção de décadas atrás e que cai muito bem no atual de Gal. Atenta, ela dança no palco, e se utiliza dos recursos tecnológicos modernos para dar uma roupagem contemporânea aos seus tradicionais sons com a boca: “Uá uá uá uá- uá uáá”.

Bem humorada, Gal homenageou o amigo Tim Maia (1942 – 1998), com quem interpretou em 1985 a canção “Um dia de Domingo” em dueto. Depois de cantar a sua parte, inflou o pulmão e buscou o ponto maios grave de sua voz para carinhosamente imitar o parceiro. Delírio e saudades na plateia.

Sem muita conversa ao longo das quase duas horas de música, ela encerrou a apresentação com três canções. Uma delas foi “Força estranha”, letra forte que entrou bem como uma espécie de justificativa para Gal Costa: “Por isso que eu canto, não posso parar, por isso essa voz tamanha…” 

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