Uruguaio Gabriel Calderón acompanha segunda peça de sua autoria montada em Florianópolis

Dramaturgo renova parceria firmada em "Mi Muñequita" com "UZ", nova montagem da Cia La Vaca

Rosane Lima/ND

Aos 31 anos, Calderón representa a nova geração de autores uruguaios 

As andanças do dramaturgo uruguaio Gabriel Calderón por Florianópolis começaram em 2008, depois que a atriz Milena Moraes leu a peça “Mi Muñequita” e ficou encantada com texto do autor, que na época tinha seus 20 e poucos anos. A convite dela, o diretor Renato Turnes entrou em cena e, com a verba de um extinto edital da prefeitura, tirou a montagem do papel. “Mi Muñequita” acabou circulando até meados de 2012 em várias cidades brasileiras e também no Uruguai. Agora, dois anos depois de encerradas as apresentações do espetáculo, Calderón está de volta à Capital onde acompanha a temporada de estreia de “UZ”,  outra adaptação de uma das suas peças feita pela Cia La Vaca, formada por Turnes e Milena.

Mesmo sem ter se envolvido diretamente com grupos locais, a não ser com o trabalho da dupla, a experiência por aqui já mostrou a Calderón as gritantes diferenças entre a produção catarinense e a uruguaia.

“Não consegui acompanhar a produção teatral em Santa Catarina, mas minha primeira visão é de que há um sistema bastante desorganizado, mas em contrapartida, há gente muito talentosa, atores de qualidade e um núcleo de criadores que trabalha havendo ou não verba para isso”, observa. Um dos momentos que impressionaram o autor, inclusive, foi a fala de uma servidora da FCC (Fundação Catarinense de Cultura), que faz parte do movimento grevista, durante a pré-estreia de “UZ”. Outra questão bastante evidente diz respeito ao próprio público. “Lá as pessoas tem muito mais essa cultura de ir ao teatro”.

Mas se pode parecer surpreendente um autor – que também dirige e atua – de 31 anos ter mais de uma dúzia de peças de sucesso no currículo, há 10 anos a situação no Uruguai era totalmente oposta. “Não havia ninguém com menos de 30 anos e um ou outro com menos de 40. Com o governo de esquerda essa tradição se rompeu e hoje temos jovens de 18 anos começando a escrever. Eles podem ainda não ser muito bons, mas são melhores do que aqueles antigos que predominavam”.

O importante é fazer

A segunda parceria entre Milena, Renato e Calderón surgiu de maneira mais natural, embora menos arrebatadora, pelo menos para a atriz. Se “Mi Muñequita” havia conquistado a dupla de primeira, com “UZ” não foi bem assim. “Logo depois de “Mi Muñequita” ele disse que tinha uma peça que iríamos amar, mas quando li não tive a mesma reação, depois é que fui me acostumando e entendendo melhor”, conta a atriz. “O texto toca em pontos que já estavam presentes em “Mi Muñequita”, mas em termos estruturais é bem diferente. É mais linear e tradicional”, completa Turnes.

O autor deu total liberdade para o diretor fazer as alterações e se divertir com a montagem, e foi exatamente o que ele fez. Além de alongá-lo em alguns minutos, Turnes adaptou determinadas questões para que ficassem o mais próximas da realidade do Brasil atual e acabou promovendo uma reflexão sobre o papel da religião na política do país.

“O resultado foi um redescobrimento do que eu escrevi, até os personagens se tornam diferentes. Mas se for para fazer jeito que eu quero, eu mesmo vou lá e faço. O texto é apenas mais um elemento, o importante é que se faça teatro”, conclui  autor. 

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