Crianças a partir de oito anos têm aulas de programação e aprendem a criar aplicativos

Embora pareça muito cedo, especialistas asseguram benefícios desse tipo de conhecimento

Quase não causa mais estranhamento ver crianças de quatro anos ou menos acessando a internet, tirando fotos com celulares ou manuseando tablets. O que, em breve, se tornará realidade será ver o filho voltar da escola mostrando o aplicativo que criou. Em Florianópolis, é possível encontrar aula de programação para crianças a partir dos oito anos. Embora pareça muito cedo, especialistas asseguram benefícios desse tipo de conhecimento.

Daniel Queiroz/ND

André, 12, e Jorge, 14, produziram apps durante curso gratuito oferecido pelo Comitê para a Democratização da Informática

Ao utilizar um aplicativo baixado no celular, certamente o usuário tem em mente que o facilitador foi programado por um daqueles jovens que usam óculos, gravata borboleta e que não desgrudam dos computadores. O estereótipo de nerd, no entanto, cai por terra quando André Luiz Tagliari, 12, acessa a internet e exibe o trabalho que desenvolveu em um curso de 15 horas oferecido pelo CDI (Comitê para a Democratização da Informática).

Com as instruções do professor, o morador do bairro Rio Vermelho e mais dois jovens de sua faixa etária criaram um aplicativo que mostra restaurantes, padarias e pontos de lazer em Ingleses. “Tem os principais locais para os turistas e também endereços de escolas e estabelecimentos comerciais úteis para moradores novos”, disse o adolescente, que divide seu tempo fora da escola com o futebol e as pipas.

André assistiu a aulas de programação durante as férias, na Casa da Cultura de Ingleses. Como o projeto do CDI visa ao benefício coletivo, a criação do estudante do sétimo ano precisaria ajudar sua comunidade. E foi observando a dificuldade encontrada pelos visitantes que chegam aos Ingleses para saber quais locais podem ir para ter suas necessidades atendidas que surgiu o conceito. Em breve, o app disponibilizará, além dos nomes e endereços, os horários de funcionamento dos estabelecimentos comerciais. Tudo estará disponível em português e espanhol. Gratuito, o aplicativo será divulgado por meio das redes sociais e de panfletos entregues pelo pai do menino.

Compartilhamento com a sociedade

Durante a oficina do CDI, os estudantes receberam noções de design, mobilização nas redes sociais, pesquisas e analises de conteúdo e noções de edição de imagem e texto. Os jovens também foram instruídos sobre planejamento e organização, gerenciamento de tempo, negociação, resolução de problemas, visão empreendedora, criatividade e comunicação. O interesse dos adolescentes pelo mundo digital é o facilitador do aprendizado nessas áreas.

Daniel Queiroz/ND

André criou aplicativo que mostra restaurantes enquanto Jorge fez app para troca-troca de produtos, ambos em Ingleses

A intenção da oficina não é formar programadores, mas estimular a criatividade e a noção de coletividade entre os adolescentes. E foi essa mensagem que Jorge Miguel dos Santos, 14, entendeu. Preocupado com o descarte de móveis, eletrodomésticos e itens que as pessoas jogam fora mesmo quando ainda estão em bom estado, o jovem criou o app Troca-Troca em Ingleses. Por meio do atalho é possível saber quem quer descartar algo e agendar a retirada com o doador. “Sempre tive muita curiosidade sobre a criação de aplicativos. Achei fácil de fazer”, disse.

Cleusa lembra que o CDI pode ofertar as oficinas em qualquer lugar da Capital onde tenha demanda. “Precisamos de um espaço físico e de alunos entre 9 e 16 anos. Fornecemos os instrutores. As inscrições estão abertas para as próximas turmas e as aulas são gratuitas”, afirmou a coordenadora pedagógica do CDI em Florianópolis, Cleusa Kreusch.

Raciocínio lógico estimulado por meio das novas ferramentas

Há 18 meses, o engenheiro de controle e automação Leonardo Zambaldi, 23, abria uma escola de tecnologia para crianças entre 8 e 17 anos. Mesmo num curto espaço de tempo, ele já está com três unidades abertas – duas na Capital e outra em São José. “Foi no Vale do Silício, na Califórnia (EUA), que percebi o quanto era vasto o campo para o ensino infantil de tecnologia no mundo, e que no Brasil esse mercado apresentava muitas oportunidades”, detalhou. As aulas dos mais de 500 alunos da I do Code começam na segunda-feira. Para o próximo semestre, Zambaldi ofertará 40 bolsas para estudantes de escolas públicas. Ainda para este ano, a equipe dele iniciará o ensino de tecnologia em pelo menos cinco escolas de Florianópolis.

O empresário lembra que crianças de seis anos podem ser ensinadas sobre raciocínio lógico e receber informações básicas sobre programação. Na escola de tecnologia, os estudantes aprendem robótica, criação de jogos e programação. As turmas são divididas por faixa etária: de 8 a 12, e de 13 a 17 anos. “A maioria dos alunos são meninos, mas precisamos desmitificar isso porque nossas alunas são excelentes. As meninas são mais focadas e atentas e aprendem bem sobre desenvolvimento de jogos e construção e programação de robôs”, observou.

Ao ressaltar a importância de acompanhamento dos pais quando os jovens estão navegando na internet, o engenheiro ressalta que as turmas de sua escola têm no máximo dez alunos para que o acompanhamento seja o mais individual possível. “Estimulamos a criatividade e o uso da arte no mundo digital. Isso precisa ser feito em segurança”, completou.

Link para todas as profissões, inclusive as que ainda serão criadas

O mestre em Educação Jorge Alexandre Nogared salienta que não existem malefícios para as crianças que são colocadas diante das novas tecnologias e seus ensinamentos. Ele lembra que os jovens e crianças que estudam programação atualmente não necessariamente serão produtores na área, mas tudo o que aprenderem lhes será útil no futuro. “A tecnologia desenvolve capacidades de conexões e variáveis que serão úteis em todas as profissões, inclusive as que ainda não inventaram”, defende.

Daniel Queiroz/ND

Mesmo com benefícios, especialista alerta para pais ficarem atentos ao que filhos fazem na rede

O que é preciso, segundo o mestre, é a constante vigilância dos pais e professores quando os jovens usam a rede. Além do velho conselho sobre manter computadores em áreas de livre circulação da casa, o professor lembra que é preciso ensinar o público, cada vez mais jovem, a filtrar as informações que alcançam. “Para as pesquisas é preciso ir para a segunda ou terceira página, porque as empresas pagam ou usam mecanismos para ficar entre as primeiras nas buscas sobre algum tema. A melhor resposta nem sempre está no início”, ponderou o professor, coordenador pedagógico da Unisul (Universidade do Sul de Santa Catarina) e da escola Dinâmica.

Aulas gratuitas de programação

Para inscrições no CDI: 3322-2020

Para aulas no bairro Ingleses: 3207-7163

Para aulas na Lagoa da conceição: 3232-1972

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