Em ascensão desde 2019, TikTok ‘explode’ durante isolamento social

Aplicativo oferece ferramentas para que os usuários gravem, editem e publiquem, com facilidade, vídeos de até um minuto - de dublagens a trilhas musicais

Em ascensão desde o fim de 2019, o aplicativo TikTok vem ganhando mais adeptos nos últimos meses. Isso porque o app, que oferece de filtros para voz e dublagens a trilhas musicais, faz ainda mais sentido quando as pessoas estão em isolamento social e recorrem ao celular em busca de entretenimento. Desde maio, já foram mais de 14 milhões de downloads, segundo a empresa de análise de dados Sensor Tower. 

O aplicativo permite reutilizar os áudios de vídeos reproduzidos para fazer uma releitura – Foto: Divulgação/Unsplash

“É um escape para esse momento”, comenta a professora de teatro para crianças Amanda Stank. Moradora de Florianópolis, ela baixou o aplicativo para se divertir e explorar a criatividade. Foi então que encontrou uma maneira diferente de usar os temas das aulas para gravar vídeos.

“Eu posto quando estou com vontade. Não me sinto na obrigação de fazer vídeos todos os dias, mas me divirto fazendo”, diz Stank. Alguns dos vídeos, de humor, trazem áudios de filmes infantis, como “Procurando Nemo” e “Frozen: Uma Aventura Congelante”.

Em meio à pandemia, a professora também tem feito atividades de forma online para os alunos. “Procuro sempre trazer algo divertido para que eles se sintam bem neste momento”, comenta.

O aplicativo oferece ferramentas para que os usuários gravem, editem e publiquem, com facilidade, vídeos de até um minuto.

É possível adicionar músicas, efeitos, dublagens e desafios, além de coreografias, que ganharam destaque dentro da plataforma.

A estudante de biologia Maria Eduarda Grasel, de 22 anos, voltou para a casa dos pais durante a pandemia. A jovem, moradora de Palotina, no Paraná, baixou o TikTok logo que a quarentena teve início. “Eu queria ver como era, já tinha visto alguns vídeos nas redes sociais que me chamaram muita atenção”, comenta.

De fato, algo que popularizou o app foi o compartilhamento dos vídeos feitos no TikTok em redes sociais como Facebook e Instagram.

Como forma de distração, Maria diz que o app traz, além de pessoas muito criativas, um conteúdo voltado para o humor. “Eu poderia passar horas vendo”, diz.

Hoje, no entanto, ela evita entrar com tanta frequência no aplicativo. “Eu estava muito viciada e passava horas gravando”, complementa. Sua conta já tem mais de 50 vídeos e alguns somam mais de mil visualizações.

O conteúdo dos usuários pode ser reutilizado pelos demais. Dessa forma, o vídeo de uma pessoa cantando pode ser incorporado em outro perfil e transformado em dueto. Com a liberdade para reinventar a produção de vídeos, vem o exercício da criatividade.

Viralizando

Os vídeos criados por usuários podem viralizar com facilidade. O feed da plataforma possui dois formatos: em um deles é possível ver vídeos escolhidos pelo próprio aplicativo, enquanto o outro mostra apenas o material publicado por pessoas seguidas. 

Os vídeos publicados no perfil de Mário Júnior, natural de Florianópolis, renderam a ele o título de galã do TikTok. O garoto de 20 anos trabalhava em um hotel antes da pandemia e, com o isolamento social, começou a fazer vídeos para o aplicativo.

Com frases românticas e poesias, o jovem ganhou duetos com diversos artistas brasileiros e incontáveis releituras dentro do aplicativo. Atualmente Mário mora no Reino Unido e possui mais de um milhão de seguidores.

Crescimento recente

No primeiro trimestre de 2020, o TikTok teve 315 milhões de downloads, segundo pesquisas da Sensor Tower. O aplicativo se tornou o mais baixado em qualquer trimestre recordado. 

Empresas também começaram a usar TikTok para marketing. O banco Nubank produz vídeos semanalmente para a plataforma. Além de vídeos com músicas, produziram um desafio – semelhante aos criados pelos usuários – para interagir com os clientes.

Efeito dominó nas redes sociais

O TikTok ganhou um lugar importante nos últimos meses – espaço que há anos era ocupado pelo Facebook, Instagram e Whatsapp. Nenhuma plataforma tinha ganhado tanto espaço nas redes sociais nos últimos anos. 

Quando uma nova plataforma tentava entrar no mercado, as redes sociais maiores repetiam a nova função dentro delas. Foi o caso dos stories do Instagram e Facebook, resultado do apelo lançado pelo Snapchat. Tempos depois, até o Whatsapp recebeu tal ferramenta.

Temendo o avanço do TikTok, o Instagram se preparou para enfrentar o concorrente e lançou o Reels. A funcionalidade oferece uma dinâmica parecida com o TikTok, mas integrada ao próprio Instagram.

Outro concorrente é o Zynn, que paga os usuários que estiverem assistindo vídeos. Por enquanto o aplicativo só opera nos Estados Unidos e, segundo informações da revista Mashable, o app já está entre os 10 mais baixados no país. Na plataforma, os usuários acumulam pontos, que podem ser resgatados e convertidos em dinheiro.

A duração dos aplicativos

Nos Estados Unidos, o TikTok já ultrapassou o número de downloads do Instagram e Facebook. Segundo Jorge Ávila, professor e consultor de marketing digital, a vida útil de um aplicativo tem relação com o engajamento dos usuários. 

O Orkut por exemplo, teve seus usuários migrando para outra rede muito rapidamente. Sem saber como se readaptar, a plataforma chegou ao fim em 2014, após 10 anos de uso.

Época em que o Orkut anunciou a sua desativação – Foto: Internet/Divulgação

Um exemplo de aplicativo obsoleto é o Foursquare, que no início da era dos smartphones oferecia a opção de fazer check in em lugares e ganhar medalhas.

As empresas já estavam vendo como algo bom para gerar anúncio e fazer com que as pessoas fossem até lojas próximas”, explica Ávila. A “morte” veio algum tempo após o Facebook desenvolver a função.

Rede social Foursquare mostra onde usuários estão – Foto: Internet/Divulgação

De acordo com Ávila, um dos motivos de os adolescentes estarem engajados no Tiktok é por ser um aplicativo promovido como “mais jovem”, onde “não tem família controlando as postagens”, diz.

No cenário pós-pandemia, ele acredita que há a possibilidade de ocorrer uma baixa nos downloads. No entanto, não deve ser algo significativo, justamente por se tratar de uma rede nova, onde boa parte do público ainda não chegou.  

As empresas estão migrando para o TikTok e para Ávila, é um “caminho sem volta”. “O grande público ainda não chegou lá, mas chegará em um futuro próximo”, complementa.

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