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Espionagem de celular: Brasil foi o segundo país com mais vítimas em 2020

Espionagem de celular: Brasil foi o segundo país com mais vítimas em 2020 - Marcos Paulo Prado on UnsplashEspionagem de celular: Brasil foi o segundo país com mais vítimas em 2020 - Marcos Paulo Prado on Unsplash

A espionagem de celulares e computadores continua em alta no Brasil. Um novo levantamento da Kaspersky mostrou que os brasileiros estão em segundo lugar no ranking global de vítimas de stalkerware (programas espiões), que, apesar de comercializados legitimamente, estão diretamente associados ao abuso e à violência doméstica. Em 2020, mais de 6,5 mil usuários no País foram vigiados por esses softwares (cerca de 12% do total de ataques no mundo), ficando apenas atrás da Rússia, com mais de 12,3 mil casos.

De acordo com a organização Coalition Against Stalkerware (CAS), esses programas são muito usados, em todo o mundo, como forma de perseguição e ciberviolência entre casais – e as maiores vítimas são as mulheres. A maioria dos usuários afetados não sabem que estão sendo vigiados, e nem mesmo que esse tipo de software existe, o que causa impotência por parte da vítima.

O levantamento da Kaspersky mostra que a violência pelo stalkerware afeta os países independentemente de tamanho, sociedade ou cultura. Além de Rússia e Brasil, Estados Unidos (4,7 mil), Índia (4,6 mil) e México (1,5 mil) também estão no topo da lista com mais internautas afetados.

Em comparação com 2019, no entanto, o Brasil teve queda de 17% na quantidade de ataques de stalkerware. Segundo os especialistas da Kaspersky, a diminuição dos casos foi uma tendência mundial, e está ligado ao período de isolamento devido à pandemia de covid19. Com mais pessoas em casa, houve menor necessidade de vigilância pelos perpetradores. Porém, a partir dos meses em que houve o afrouxamento das medidas de restrição em diversos países, os casos foram retomando o ritmo anterior.

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É possível verificar se um dispositivo móvel tem stalkerware instalado observando estes sinais:

– Verifique as permissões nos aplicativos instalados: apps de stalkerware podem estar disfarçados usando um nome falso, com acesso suspeito a mensagens, logs de chamadas, localização e outras atividades pessoais. Por exemplo, um programa chamado “Wi-Fi” que tem acesso a sua geolocalização é um candidato suspeito.

– Exclua os aplicativos que não são mais usados. Se o software não foi aberto por um mês ou mais, provavelmente seu uso não é mais necessário. Se isso mudar no futuro, basta reinstalá-lo.

– Em dispositivos Android, se houver “fontes desconhecidas” habilitadas em seu dispositivo, pode ser um sinal de que foi instalado um software indesejado de terceiros.

– Confira seu histórico de navegação. Para baixar stalkerware, o agressor terá de visitar algumas páginas da web que a vítima não conhece. No entanto, poderá não haver nenhum histórico, se o agressor o tiver apagado.

– Tenha uma solução de segurança comprovada, que promete proteger o internauta de todos os tipos de ameaças para dispositivos móveis e realiza verificações regulares no dispositivo.

O que fazer antes de remover stalkerware de um dispositivo?

– Não tenha pressa em remover o stalkerware encontrado no dispositivo, pois o agressor poderá perceber. É muito importante considerar que o agressor pode representar um risco à segurança. Em alguns casos, como reação, o comportamento agressivo da pessoa pode aumentar.

– Entre em contato com as autoridades locais e as organizações de atendimento de apoio a vítimas de violência doméstica para obter assistência e um planejamento de segurança. Neste site, há uma lista de institutos relevantes em vários países.

– Avalie se você deseja preservar provas do stalkerware antes de removê-lo.

– Faça o que você acha que é o mais seguro.

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Ação contra a violência cibernética

Em 2019, a Kaspersky cofundou, com nove outras organizações, a Coalition Against Stalkerware (CAS), que atualmente possui 30 membros de cinco continentes. A iniciativa visa melhorar a detecção de stalkerware no setor, o aprendizado mútuo de organizações sem fins lucrativos e empresas, além de conscientizar o público.

Isso sem contar que, em novembro de 2020, a Kaspersky lançou a ferramenta anti-stalkerware TinyCheck, para ajudar as organizações sem fins lucrativos a apoiar as vítimas de violência doméstica e proteger a privacidade delas. Sua característica exclusiva é ser capaz de detectar stalkerware e informar os usuários afetados sem que o agressor saiba. A ferramenta tem o suporte da comunidade de segurança de TI, que ajuda a atualizá-la continuamente.