Novo comportamento do consumidor impulsiona os negócios virtuais

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Pandemia acelerou o que já era tendência, com digitalização de processos e investimento no e-commerce

O professor universitário aposentado Antônio Brasil tem 67 anos e faz compras on-line toda semana. O que antes era comodidade virou necessidade na pandemia.

Por ser do grupo de risco, ele aumentou muito o volume de compras direto de casa, na tela do computador – não só refeições ou supermercado, mas de quase tudo. “Nunca tinha feito compras de mercado on-line e hoje não consigo me imaginar sem. Quem prefere ir ao supermercado para bater papo com a caixa, que continue. Eu apoio alternativas digitais”, afirma.

Antônio Brasil se revela entusiasmado com nova forma de fazer compras – Foto: Anderson Coelho/NDAntônio Brasil se revela entusiasmado com nova forma de fazer compras – Foto: Anderson Coelho/ND

Brasil também comenta que a pandemia ajudou a quebrar barreiras dos mais velhos em relação ao digital. Com a popularização e a influência social do “está todo mundo usando”, os usuários estão com cada vez menos medo de fazer compras pela internet.

“É grande barato é ir a três ou quatro lojas virtuais sem precisar sair do carro, estacionar, correr riscos de ser assaltado.”

A conveniência de receber os produtos na porta de casa e ter um objetivo na hora de fazer o pedido tornam a mudança mais fácil.

Assim como Antônio, 46% dos brasileiros passaram a usar mais a internet para fazer suas compras durante a pandemia, de acordo com pesquisa da Mastercard em parceria com a AMI (Americas Market Intelligence).

“É emocionante vestir roupas pela internet, ainda mais para idosos como eu. O grande barato é ir a três ou quatro lojas virtuais sem precisar sair do carro, estacionar, correr riscos de ser assaltado.”

Antônio Brasil,
professor universitário aposentado e novo adepto das compras virtuais

27 milhões estreando no e-commerce

O diretor de Comunicação da Neotrust, Julio Pacheco, diz que na pandemia 27 milhões de brasileiros fizeram sua primeira compra digital na vida.

Neste cenário, o investimento em e-commerce e a transformação digital se tornam inevitáveis. Se sentem falta das compras presenciais? Antônio Brasil compara como o cinema ou o vídeo on-line.

“Está lá pra quem ou quando quiser. Uma coisa não elimina a outra. É excelente ideia, mas é inevitável ser aprimorada.”

Segundo ele, o avanço do on-line, independentemente da pandemia, deve ser aprimorado mais frequentemente.

“São tendências represadas. Como as roupas. Ainda é um problema experimentar virtualmente, mas até para isso já existem programas. É muito prático.”

“Na pandemia, 27 milhões de brasileiros fizeram sua primeira compra digital na vida… tem muita gente começando a navegar em um mundo completamente novo…”

Julio Pacheco, diretor de Comunicação da Neotrust

Avanço de dez anos em um ano e meio

Especialistas concordam que a pandemia apenas acelerou o estabelecimento de tendências que já eram previstas. O que antes era diferencial se transformou em exigência para a sobrevivência do negócio.

A presença na internet e nas redes sociais faz com que os estabelecimentos sejam vistos, lembrados e não percam clientes.

“Você busca o endereço da loja e já vê se tem site, de preferência já consegue ver o catálogo, conhecer o produto, já começa uma interação ali. Quando você não tem isso, limita o usuário. E, claro, se ele tiver essa comodidade, vai buscar cada vez mais”, analisa Rafael Tezza, professor e pesquisador do Departamento de Administração Empresarial da Esag/Udesc (Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas da Universidade do Estado de Santa Catarina).