A cada 10m² de Florianópolis, choveu três piscinas de mil litros em janeiro

Enquanto regiões da Capital registraram mais de 300 mm só em janeiro, outras estações não chegaram a apontar 200 mm de precipitação

O mês de janeiro nem terminou e Florianópolis já registrou, segundo a Epagri/Ciram, pontos com acumulados de 304 mm de chuva, mais do que o volume médio de 210 mm previsto para o período inteiro.

Isso significa que 3.000 litros de chuva ficaram acumulados numa área de dez metros quadrados. Em termos práticos, é como dizer que foi derramada a água de três piscinas de 1.000 litros em 10m².

Situação na Lagoa da Conceição na manhã desta segunda-feira (25)Associação de chuvas de convecção e as orográficas pode explicar os altos índices de chuva – Foto: Felipe Carneiro/Especial para o ND

O acumulado foi registrado em uma estação da Casan localizada na área central da cidade. Segundo o meteorologista Marcelo Martins, da Epagri/Ciram, o valor alto tem relação com a associação das chuvas de convecção e as orográficas.

Também chamadas de “chuvas de relevo”,  as chuvas orográficas são comuns no litoral e acontecem quando há montanhas ou serras que barram a passagem da massa de ar úmida. Já as precipitações de convecção, frequentes no verão florianopolitano, são aquelas decorrentes das altas temperaturas.

“Esse aquecimento associado à orografia favorece chuvas mais contínuas e prolongadas”, explica o meteorologista.

O Centro está localizado em uma área mais afastada da vegetação, portanto, a explicação do meteorologista é de que a precipitação intensa  seja resultado de chuvas orográficas que se formaram em áreas próximas, mas que se manifestaram na região central. “No Morro da Cruz vai chover próximo, não em cima. O reflexo será em outro lugar”, exemplifica.

Norte da Ilha

O movimento orográfico é comum também na região Norte da Ilha, que foi uma das mais afetadas pelas precipitações contínuas, registrando um acumulado de 207 mm em janeiro. Isso explicaria, por exemplo, porque a chuva aparentemente cai com mais frequência na localidade.

“Costuma chover mais perto das praias. Ali tem Ingleses, Santinho, Brava. Moro ali e o tempo está sempre fechado; chego no Itacorubi e [está] um solzão”, contextualiza. Em Florianópolis, o vento no quadrante norte é o predominante.

Casa na rua das Alamandas, em Ingleses, no Norte da Ilha, foi tomada pela água da chuva na última semanaCasa na rua das Alamandas, em Ingleses, no Norte da Ilha, foi tomada pela água da chuva na última semana – Foto: Osvaldo Sagaz/NDTV/Divulgação/ND

Em volume de chuva, a estação dos Carijós, no Norte, ficou atrás apenas da região central, que registrou 304 mm, e da estação pluviométrica da Lagoa do Peri, no Sul, que marcou 261 mm, até agora, em janeiro.

Variações

Historicamente, a chuva na Capital é mais abundante no verão. A variação entre as diferentes regiões do município, no entanto, desperta curiosidade.

Na estação pluviométrica de Santo Antônio de Lisboa, por exemplo, o acumulado de janeiro, até a manhã de terça-feira (26),  estava em cerca de 182 mm, de acordo com a Epagri/Ciram. O valor é 40% menor do que o máximo registrado em Florianópolis, de 304 mm.

Rua no bairro Rio Vermelho, também no Norte da Ilha, em Florianópolis, também ficou alagada com as chuvas da última semanaRua no bairro Rio Vermelho, no Norte da Ilha, em Florianópolis, também ficou alagada com as chuvas – Foto: Osvaldo Sagaz/NDTV/Divulgação/ND

Marcelo Martins afirma que essa diferença tem conexão com os sistemas meteorológicos registrados no período, porque a região costuma apresentar condições favoráveis à precipitação, como proximidade da praia e de encostas e vegetação abundante. “O sistema pode estar mais posicionado em outra região”, afirmou.

A estação Centre/Epagri, no Itacorubi, registrou condições parecidas, com 182 mm de chuva computados no mês de janeiro.

Pontos de análise

Há cinco estações espalhadas pelo município. Em Santa Catarina, o número é perto de 400 – o estado é o terceiro do Brasil em quantidade de estações pluviométricas.

A variedade, segundo Martins, é importante para compreender as diferentes características do município.

“Imagina que eu coloque uma estação para coletar chuva no Ratones, embaixo do morro do Cambirela, que chove praticamente todo dia. Certeza absoluta que eles vão medir parecido, mas nunca iguais”, explicou o meteorologia Marcelo Martins.

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