Ciclone ou tempestade: que riscos SC corre com o fenômeno ‘Potira’

Meteorologista Piter Scheuer explica como e quando geralmente ocorrem no território catarinense

Santa Catarina enfrenta a chegada de um fenômeno climático que mudou o clima no Estado nesta semana. Um alerta da Defesa Civil foi emitido para riscos de pancadas de chuva de intensidade moderada a forte, com descargas elétricas, rajadas de vento e até alagamentos pontuais.

Para explicar melhor o fenômeno – que já foi chamado de ciclone e de tempestade, ND+ procurou entender os riscos para Santa Catarina.

A depressão subtropical é representada pela letra L – Foto: Reprodução/NDA depressão subtropical é representada pela letra L – Foto: Reprodução/ND

A condição é causada por uma área de baixa pressão atmosférica, que se organizou sobre o oceano, entre o Litoral de Santa Catarina e do Rio de Janeiro formando um ciclone com características subtropicais. Na manhã da segunda-feira (19), a Marinha do Brasil caracterizou este sistema como uma depressão subtropical.

A baixa pressão atmosférica continuou evoluindo e, nesta terça-feira (20), a Marinha do Brasil classificou este sistema oficialmente como tempestade subtropical, que recebeu o nome de “Potira”.

Os alertas emitidos pela Defesa Civil com a chegada de Potira valem, principalmente, para as regiões do Litoral Sul, Grande Florianópolis, Baixo Vale do Itajaí e Médio Vale do Itajaí.

Quais são os riscos para SC?

O meteorologista Piter Scheuer explica que ciclones subtropicais são sistemas meteorológicos do tipo sinóticos e geralmente acontecem nos meses de março, abril e, mais tardar, em maio.

“Geralmente são ciclones, na maioria das vezes, não explosivos que afetam na maior parte da sua trajetória o mar, mas algumas vezes afetam o continente deixando o mar agitado. O ciclone subtropical em que se converteu a depressão subtropical Potira só oferece perigo para a navegação. A mais de 500 km da costa, [Potira] tende a deixar o mar agitado e revolto”, pontua.

Scheuer destaca que a distância da costa será suficiente para não trazer grandes impactos. “Existe a possibilidade de ressaca e não se aconselha a navegação nos próximos dias”, completa.

Segundo ele, são os ciclones extratropicais os que geralmente preocupam Santa Catarina. Scheuer cita como exemplo o Furacão Catarina, que ocorreu em março de 2004, mas enfatiza que esse foi um caso considerado único.

“A estrutura dele era totalmente única. Tinha um sistema frontal que avançou sobre o Oceano Atlântico, se desprendeu de uma baixa pressão e conseguiu criar características tropicais, ou seja, toda a estrutura dele ficou quente e gerou um furacão”, explica.

Já sobre este ciclone, Scheuer salienta que não oferece rigorosamente nenhum perigo. Na faixa leste, em áreas oceânicas, tende a ocorrer ressaca nesta quinta (22) e sexta-feira (23), com ondas de 2 a 4 metros e ondulação de Sudeste a Leste.

“As condições meteorológicas da faixa leste serão uma mescla entre nublado, chuva, garoa e períodos do sol. É esse comportamento que esse ciclone favorece”, descreve.

Principais tipos de ciclone

O meteorologista esclarece os principais tipos de ciclone. São eles:

  • Tropical, semelhante a um furacão. São sistemas que se alimentam de águas quentes, barotrópico, geralmente em latitudes baixas.
  • Extratropical, associado a uma frente fria. Eles são os mais comuns na região Sul do Brasil e geralmente têm forte contraste de temperatura que favorece a formação deles. Scheuer ressalta que eles possuem um forte padrão baroclínico, ou seja, uma perturbação dos níveis intermediários da atmosfera por meio de ondas curtas.
  • Ciclone Subtropical: acompanhado por ventos com alta velocidade, esse tipo de ciclone ocorre em locais de clima subtropical, os quais englobam características dos ciclones tropical e extratropical.

Ele lembra que o ciclone do tipo extratropical “é o que acontece na nossa região e que pode afetar Santa Catarina, mas em geral são dois ou três por ano que podem fazer algo tipo ciclone-bomba“, enfatiza.

Os ciclones geralmente ocorrem nas áreas do oceano e atingem principalmente a região do litoral, justamente por conta do vento minuano do Sudoeste ao Sul com rajadas mais fortes acima dos 70 a 80 km por hora.

“Importante ressaltar que quando se forma no continente, as áreas mais afetadas são o Oeste e o Meio-Oeste catarinense, onde podem haver supercélulas tornadicas que podem causar estragos irreversíveis”, alerta.

O que é uma tempestade?

Conforme o meteorologista, uma tempestade não é necessariamente um ciclone, mas um ciclone pode ser uma tempestade. Um exemplo disso são as tempestades que ocorrem no Oeste do Estado, que muitas vezes são favorecidas por frentes frias.

Existem tempestades formadas por frente fria, por ciclones, pelo calor e pela umidade. “O mecanismo para formação de uma tempestade é o calor e a umidade concentrada nas primeiras camadas da atmosfera. Isso gera núcleos convectivos que são nuvens do tipo unicelular, multicelular ou supercelular”.

As tempestades, segundo Scheuer, tendem a trazer estragos por granizo, chuva forte e ventania. Elas têm taxas acima dos 40 a 50 milímetros por hora ou por minuto e ventos acima dos 92 km por hora. Somente assim são classificadas como tempestade.

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