Cidades do Sul de SC são atingidas por temporais e registram alagamentos

Criciúma registrou acumulados de chuva que oscilaram entre 60mm e 70mm, ocasionando queda de energia em 12% das unidades da cidade. Cidades vizinhas também tiveram ocorrências

Após dias de tempo abafado, temporais intensos foram registrados nesta quarta-feira (3), dessa vez no Sul do Estado, com ocorrências de inundações e danos a residências. Criciúma foi uma das cidades mais afetadas pela chuva forte, vento e descargas elétrica.

Alagamentos e inundações já eram alertados pelas autoridades – Foto: Divulgação/Monique Regina/Conexão GeoClima/Divulgação/NDAlagamentos e inundações já eram alertados pelas autoridades – Foto: Divulgação/Monique Regina/Conexão GeoClima/Divulgação/ND

O município registrou quedas de árvore, quedas de muros e telhados de casas e pontos de alagamento. Os casos já eram previstos pela Defesa Civil do Estado, que chegou a emitir um alerta com risco muito alto para a região.

“Foi uma situação bastante atípica, uma chuva que tomou proporções gigantescas. Tivemos duas casas com queda de telhado que quase matou famílias, muros que caíram em cima de carros, canos da Casan que estouraram, árvores que caíram no meio da rua”, afirma Rodrigo Darela, da Defesa Civil de Criciúma.

Alerta indica risco alto na região de Criciúma, Nova Veneza e Cocal do Sul – Foto: Defesa Civil de Santa Catarina/NDAlerta indica risco alto na região de Criciúma, Nova Veneza e Cocal do Sul – Foto: Defesa Civil de Santa Catarina/ND

Segundo ele, ainda não havia um balanço dos danos causados pelo temporal até o início da noite desta quarta (3), uma vez que os danos foram tão grandes que toda a equipe do órgão segue empenhadas nas ruas, atendendo as ocorrências do município.

“Não tivemos nenhuma vítima fatal até a noite de quarta (3). O Dano humano que tivemos foi da queda de energia, além dos vários prejuízos materiais”, destaca Alfredo Gomes, diretor da Defesa Civil em Criciúma.

Falta de energia em diversos bairros

Além dos danos às casas, várias unidades de energia elétrica sofreram queda, deixando dezenas de milhares de pessoas sem energia elétrica.

As informações do início da noite apontam que os bairros da área central de Criciúma, como Ceará, Argentina, Lote Seis, São Cristóvão e Cruzeiro do Sul, sofreram as quedas de energia.

De acordo com a Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina), 20% do município sem energia. A estimativa é de que cerca de 10 mil unidades consumidoras sofreram com o apagão. A proporção, contudo, foi ainda maior em outras cidades.

Ocorrências nas cidades vizinhas

Em Lauro Müller, mais de 95% das casas e estabelecimentos comerciais ficaram sem luz, o que representa 5.869 unidades consumidoras, segundo informações da Celesc.

Bombeiros também seguem trabalhando com ocorrências semelhantes. Uma das ocorrências foi de um capotamento de carro na BR-101, em que o motorista acabou ficando encarcerado no veículo.

Contudo, o SAMU prestou socorro, chegando em tempo menor do que os oficias, ainda no fim da tarde desta quarta (3).

O indicativo é de que a cidade do Sul tenha registrado cerca de 60 mm em um período de tempo de menos de duas horas, ocasionando as já alertadas inundações.

Entre 15h30 e 18h30 foi quando os acumulados somaram grandes valores, e na Vila Francesa esse índice chegou a 65mm. A primeira hora foi a mais intensa.

Além disso, o entorno também sofreu com os temporais, com cerca de 72 mm em uma lacuna de tempo semelhante no município de Nova Veneza, e uma quantia semelhante em Cocal do Sul.

Ou seja, na ocasião, choveram cerca de 72 litros de chuva por metro quadrado, volume considerado altíssimo, enquadrando-se na faixa vermelha, a mais alta, no mapeamento de precipitação da Epagri/Ciram.

A previsão também indica que os próximos dias devem ser de tempo instável, voltando a oscilar entre o tempo abafado e os temporais.

“A princípio teremos uma frente fria que passará durante esta quinta-feira, trazendo chuvas, trovoadas e alguns temporais isolados. Pela madrugada devemos ter um aquecimento, para depois termos mais chuvas, trovoadas e queda na temperatura”, pontua o meteorologista Piter Scheuer.

Relação com o “Ciclone Bomba”

O avanço da instabilidade deve causar chuvas intensas, granizos, raios e ventos fortes que podem alcançar os 70 km/h podem ter origem em um ciclone extratropical previsto para ocorrer entre esta quarta (3) e quinta-feira (4).

As principais regiões em alerta são o Oeste, Meio-Oeste e os Planaltos. “Existe a possibilidade, mas conseguiremos ter uma definição já mais próximo do evento. Teria uma chance de caracterizar um ciclone bomba, mas não tem indicativos de ser igual ao registrado no ano passado”, disse o meteorologista chefe da Defesa Civil, Murilo Fretta, em entrevista ao ND+.

O fenômeno se formou na costa gaúcha, e deve ocasionar rajadas de vento, mas sem preocupar os catarinenses com estragos como os dos temporais registrados, já que não há relação entre os fenômenos.

“Só cito ciclone quando ele passa por Santa Catarina. Ele está bem afastado da costa, interferindo na questão marítima. Isso pode ocasionar rajadas de vento de 70km/h ou até 80km/h, mas em regiões próximas do Farol de Santa Marta, onde já é relativamente comum”.

Confira vídeos feitos por moradores de Criciúma:

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