Com 2°C, moradores encaram manhã congelante durante onda de frio em Florianópolis

Em Ratones teve geada e carros amanheceram com uma fina camada de gelo; no Jardim Botânico, parte da vegetação ficou branquinha

Florianópolis teve um amanhecer congelante nesta quinta-feira (29). Devido à onda de frio que atinge o Estado, os termômetros chegaram a marcar 2°C por volta das 5h30. Os moradores precisaram vestir luvas, toucas e casacos mais quentes para enfrentar o dia.

Correria no centro de Florianópolis mesmo com o frio – Foto: Felipe Carneiro/NDCorreria no centro de Florianópolis mesmo com o frio – Foto: Felipe Carneiro/ND

Até mesmo os moradores de Ratones, um dos bairros mais frios da Capital, se surpreenderam com a queda na temperatura. Na estrada Intendente Antônio Damasco, a principal, teve geada e os carros amanheceram com uma fina camada de gelo.

As auxiliares de limpeza Silvana Machado e Soraya Ventura, assim como Marcos João Faustino e Vera Lúcia, que trabalham na Construção Civil e como doméstica, respectivamente, aguardavam o ônibus para o serviço por volta das 6h. O frio já era esperado e também bem-vindo.

“Não precisamos nem mais separar as roupas de frio no dia anterior. Acordamos, vemos como está o clima e nos vestimos”, conta Machado. Pelo menos duas ou três vezes a cada inverno costumam ser registradas geadas no bairro, afirmam. Em alguns trechos da via era possível ver o fenômeno em carros e terrenos.

Moradores do bairro Ratones – Foto: Felipe Carneiro/NDMoradores do bairro Ratones – Foto: Felipe Carneiro/ND

Nas ruas, a pressa dos moradores denunciava que estavam de pé apenas aqueles que precisam acordar cedo para ir ao trabalho. Ao lado do ponto de ônibus está a padaria Willian, que é favorecida com a queda nas temperaturas.

“As pessoas vem mais para tomar café. Também compram mais pães, pra comer com a sopa!”, conta o proprietário, Élcio da Silva. Ele tem o estabelecimento há 15 anos. O movimento ainda era tímido por volta das 6h40, quando o café tinha recém aberto. Os funcionários preparavam os cafés, pastéis e a tradicional rosca do bairro.

Se para os moradores já é difícil abandonar as cobertas, o desafio aumenta para quem cresceu no calor. Às 6h, a assistente administrativa Jamili Barbosa esperava a van para o serviço em um dos pontos de ônibus distribuídos pela rua Intendente Antônio Damasco.

Natural de Recife, capital de Pernambuco, ela mora há seis anos no bairro. “Hoje foi o dia mais frio aqui. Eu estava um pouco preparada mas ainda sinto um frio. Lá, em Recife, não faz frio assim”, conta ela, aos risos.

Jardim Botânico, no bairro Itacorubi, em Florianópolis – Foto: Felipe Carneiro/NDJardim Botânico, no bairro Itacorubi, em Florianópolis – Foto: Felipe Carneiro/ND

Geada no Itacorubi

Outra surpresa que o tempo reservou aos manezinhos foi a geada no Parque Jardim Botânico, no Itacorubi. Partes do gramado e da vegetação ficaram branquinhas. O local estava vazio durante a manhã desta quinta, mas o fenômeno pôde ser apreciado pelos funcionários do turno.

Planta com geada no Jardim Botânico - Felipe Carneiro/Especial para ND
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Planta com geada no Jardim Botânico - Felipe Carneiro/Especial para ND
Itacorubi com geada na manhã desta quinta-feira - Felipe Carneiro/Especial para ND
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Itacorubi com geada na manhã desta quinta-feira - Felipe Carneiro/Especial para ND
Vegetação com geada no Jardim Botânico - Felipe Carneiro/Especial para ND
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Vegetação com geada no Jardim Botânico - Felipe Carneiro/Especial para ND
Camada de gelo cobriu as plantas - Felipe Carneiro/Especial para ND
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Camada de gelo cobriu as plantas - Felipe Carneiro/Especial para ND

Eles trabalham há cerca de um ano no parque e nunca tinham visto algo do tipo. “A região é favorecida pelo clima úmido do manguezal. Mesmo assim o fenômeno é algo incomum aqui”, conta Marcos Scotti, gerente do parque.

“A geada costuma ocorrer uma vez a cada ano, as vezes em um intervalo de três anos. Mas é sempre uma geada fraca, diferente da Serra”, explica o meteorologista Marcelo Martins, da Epagri/Ciram. Os termômetros da Epagri marcavam 4°C por volta das 8h30. Duas horas antes, a temperatura chegou a 1,98°C.

Centro

O tempo no Centro de Florianópolis estava mais agradável, registrando 7°C. Mas nem o frio cessou a tradicional correria na região do Ticen e o Mercado Público. A diferença estava no estilo: casacos felpudos, cachecóis, tocas e luvas se misturavam ao cotidiano da região.

Casacos saíram do armário - Felipe Carneiro/Especial para ND
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Casacos saíram do armário - Felipe Carneiro/Especial para ND
Manhã desta quinta-feira - Felipe Carneiro/Especial para ND
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Manhã desta quinta-feira - Felipe Carneiro/Especial para ND
Centro de Florianópolis - Felipe Carneiro/Especial para ND
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Centro de Florianópolis - Felipe Carneiro/Especial para ND
Correria no centro de Florianópolis mesmo com o frio - Felipe Carneiro/Especial para ND
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Correria no centro de Florianópolis mesmo com o frio - Felipe Carneiro/Especial para ND

Por conta do frio intenso, a prefeitura de Florianópolis intensificou o acolhimento aos moradores em situação de rua. A equipe foi ampliada para um atendimento regionalizado, com o auxílio da Polícia Militar e da Guarda Municipal. Além do abrigo na passarela, foram abertas vagas em hotéis para atender mulheres, idosos e pessoas com deficiências.

“Já tínhamos experiência em outros anos na abertura de vagas emergenciais. O diferencial desta vez é o trabalho regionalizado, com a sensibilização e informação, pois muitos não sabem dos riscos. Quando não aceitam o atendimento, em último caso, deixamos cobertores. Ainda assim há risco de frio”, explica Maria Claudia Goulart da Silva, Secretária Municipal de Assistência Social.

As equipes se reúnem às 17h, e levam cobertores, mantas térmicas e águas. Os pedidos de resgate são diários. Em seguida, eles realizam roteiros regionais de busca, muitas vezes com as informações repassadas por moradores. A recusa em deixar a rua e ir ao abrigo também é grande.

Ela pede que as pessoas doem, principalmente, meia, roupa masculina, touca e cobertor, que podem ser entregues na Passarela da Cidadania. “É a nossa maior demanda, porque dificilmente as pessoas doam isso. Nesse frio, manter a cabeça e os pés quentes é importante”, concluí. Os trabalhos seguem até sábado.

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