Há chance de furacão em Santa Catarina? Especialista no fenômeno explica

Engenheiro Agrônomo Ronaldo Coutinho pontua quais são as condições necessárias para a formação de um furacão

“Brincadeira de mau gosto e uma burrice muito grande”, afirma o engenheiro agrônomo Ronaldo Coutinho sobre a possibilidade da passagem de furacão por Santa Catarina anunciada por alguns metereologistas nesta semana.

Segundo especialista, não há chance de haver um furacão em SC – Foto: Reprodução FacebookSegundo especialista, não há chance de haver um furacão em SC – Foto: Reprodução Facebook

Na verdade, as condições de formação do fenômeno estão associadas a altas temperaturas, condição oposta ao que está previsto para esta quinta-feira (1º).

Segundo o especialista, “o frio é inimigo do furacão”, e considera o risco totalmente descartado. As rajadas de vento dos últimos dias são ocasionadas pela formação de um ciclone extratropical no oceano, que influencia as condições climáticas no Estado, porém, logo se deslocará para alto mar.

De acordo com a Defesa Civil, o mar deve estar agitado em toda a região costeira catarinense. São esperadas ondas de até 3,5 metros de altura, o que traz chance de ressaca e alagamentos costeiros em todo litoral catarinense.

Houve a chance de um furacão?

Coutinho aponta que, às vezes, teremos episódios de ventos fortes a partir de agora. “Começa a ser mais frequente entre meados de abril a meados de  outubro.” Mesmo assim, nada considerado atípico para a época do ano.

Conforme o especialista, o que foi observado nos últimos dias é estritamente um sistema extratropical. “Foi apenas um pouco acima. É como se achar que uma chuva forte é fora do normal, mas a cada dez garoas, há uma chuva mais intensa”, defende. “É irresponsabilidade divulgar que poderia ser um furacão.”

Ainda segundo Coutinho, para o fenômeno se formar, a água do mar no local do sistema extratropical deveria estar quente, a partir dos 28°C. “Agora está em 24°C, mais fria. A atmosfera deveria estar bem calma também”, diz.

Nesta quinta, 50 municípios de Santa Catarina registraram temperaturas abaixo dos 10°C. Houve geada fraca e isolada nos Campos de Palmas e na região de Fraiburgo, Meio-Oeste do Estado.

Furacão Catarina

O Furacão Catarina, que causou grandes estragos em Santa Catarina em 24 de março de 2004, se formou a partir de um ciclone extratropical. A intensidade do episódio foi possível justamente por conta das águas quentes da época.

“Em 2004 as condições eram perfeitas para a formação de um furacão: água quente e atmosfera calma. Ele foi o primeiro a ser observado. Furacão não é algo que se forma de repente, demora dias”, aponta Coutinho.

O fenômeno foi classificado na categoria 2, que indica velocidade entre 154 km/h a 177 km/h. Na Escala Saffir-Simpson, os furacões mais fortes são os de categoria 5, em que os ventos chegam a mais de 252 km/h.

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