Homem de 90 anos já assistiu mais de 50 nevadas em SC; veja registros

Viterbo Souza Oliveira lembra da primeira grande precipitação de neve, em 1946, com acúmulo de cerca de 30 centímetros

Ao lado do fogão à lenha, Viterbo Souza Oliveira, 90, costuma se refugiar das temperaturas negativas que tornam São Joaquim, na Serra, uma das mais geladas do Estado. Ao longo dos anos, ele já assistiu mais de 50 nevadas.

Viterbo Souza Oliveira, de 90 anos, já assistiu 50 nevadas, mas não gosta do frio – Foto: Jacson Botelho/NDViterbo Souza Oliveira, de 90 anos, já assistiu 50 nevadas, mas não gosta do frio – Foto: Jacson Botelho/ND

A primeira grande precipitação de neve aconteceu quando o catarinense tinha apenas 11 anos, em 1942, e morava no interior do município. Ele lembra que a neve acumulou cerca de 30 centímetros.

“Quebrou árvores, desgalhou pinheiros. A gente só escutava o estralo das árvores no mato. O peso era tanto que desabou tudo no chão.”

Ele afirma que em 1957 aconteceu uma das maiores nevadas em Santa Catarina, mas ele estava na Capital quando o fenômeno foi registrado na Serra.

Nos anos de 1973 e 1988, o joaquinense diz lembrar de nevadas intensas. Além disso, há registros do fenômeno em 1955, 1990 e 1996.

Nevada em São Joaquim em 1955 - Foto Argus/Divulgação/ND
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Nevada em São Joaquim em 1955 - Foto Argus/Divulgação/ND
Nevada em São Joaquim em 1955 - Foto Argus/Divulgação/ND
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Nevada em São Joaquim em 1955 - Foto Argus/Divulgação/ND
Nevada em São Joaquim em 1990 - Foto Argus/Divulgação/ND
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Nevada em São Joaquim em 1990 - Foto Argus/Divulgação/ND
Neve em São Joaquim em 1996 - Foto Argus/Divulgação/ND
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Neve em São Joaquim em 1996 - Foto Argus/Divulgação/ND
Neve em São Joaquim em 1996 - Foto Argus/Divulgação/ND
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Neve em São Joaquim em 1996 - Foto Argus/Divulgação/ND

“O nosso verão é o melhor do mundo”

Muito ativo, ele administra o hotel que tem há 30 anos, além da churrascaria, há 54 anos. Apesar de já ter vivenciado tantas nevadas, ter crescido em meio ao frio e recebido pessoas para aproveitar as baixas temperaturas, Viterbo não gosta do inverno.

O catarinense de 90 anos não fica longe do fogão à lenha nos dias mais frios – Foto: Maria Fernanda Salinet/NDO catarinense de 90 anos não fica longe do fogão à lenha nos dias mais frios – Foto: Maria Fernanda Salinet/ND

“Para mim hoje está bom porque o hotel traz turismo, mas é muito perigoso cair as casas se der uma neve grande como eu já vi”, ressalta.

O ideal mesmo, segundo ele, é o verão de São Joaquim. “O nosso verão é o melhor verão do mundo. Chega de noite tem que puxar uma coberta para dormir, não tem pernilongo, não tem nada para incomodar. Agora, no inverno, você bota um peso de coberta e ainda passa frio”.

Seu Viterbo garante que não é fácil viver em condições extremas como nessas semanas de julho. “Congela os canos. Hoje de manhã estava sem água nas pias para fazer o café”, diz.

“A gente já deixa uma panela cheia de água e em cima tem que quebrar o gelo para poder tirar e fazer o café. É muito frio.” Quando neva, ele conta que “até dá uma saída para dar uma olhada, mas volto correndo para o fogão à lenha”.

Na última quarta-feira (28), nevou pela quarta vez no ano em São Joaquim. Com a onda de frio, as temperaturas seguem baixas neste sábado (31). A previsão da Defesa Civil é de 0°C  a 7°C  na região.

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