Meteorologistas identificam em SC maior anomalia de frio do mundo fora dos polos

Temperaturas na parte central da América do Sul estão abaixo da média; SC registrou o dia mais frio do ano no Brasil nesta terça-feira (29)

O frio que atinge parte do hemisfério Sul provocou um fato inusitado. A onda polar registrada no início desta semana na região Centro-Sul do Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai traz a maior anomalia negativa de frio no mundo fora dos polos.

Mesmo com frio intenso, turistas apareceram no Centro de São Joaquim na manhã desta terça-feira (29) – Foto: Felipe Bottamedi/NDMesmo com frio intenso, turistas apareceram no Centro de São Joaquim na manhã desta terça-feira (29) – Foto: Felipe Bottamedi/ND

De acordo com o portal de meteorologia Metsul, existem áreas de temperatura abaixo da média nas Planícies Centrais dos Estados Unidos, no Norte do Canadá e na parte central da Rússia.

Contudo, em nenhum lugar do planeta as temperaturas estão tão abaixo da média, fora das regiões polares, como na parte central da América do Sul. Isso é efeito da poderosa massa de ar polar que cobre a maior parte dos países do cone Sul da América.

Confira no mapa:

Mapa mostra massa polar cobrindo países da América do Sul – Foto: Metsul/Reprodução/NDMapa mostra massa polar cobrindo países da América do Sul – Foto: Metsul/Reprodução/ND

Dia mais frio do ano

O dia mais frio do ano no Brasil foi registrado em Santa Catarina nesta terça-feira (29). O município de Bom Jardim da Serra obteve a menor temperatura: -7,5°C, às 7h. Conforme a Defesa Civil de Santa Catarina, em Urupema a mínima foi de – 6,5°C; em Urubici foi de -5,3°C e em São Joaquim foi de -4,1°C.

A primeira neve do ano em solo catarinense aconteceu em São Joaquim, na Serra catarinense, nesta segunda-feira. Também nesta segunda, a neve caiu em locais pouco acostumados ao fenômeno como o Noroeste da província de Buenos Aires e o Sul da província de Santa Fé, na Argentina.

Por outro lado, chama a atenção as altas temperaturas registradas no Noroeste do Estados Unidos e na região de British Columbia, no Canadá. O Canadá registrou nesta segunda a maior temperatura da sua história com 46°C na localidade de British Columbia.

Igualmente, o mapa acima mostra como grande parte da Antártida está mais fria do que a média. Enquanto no Ártico a temperatura está 0,5°C acima da média, na Antártida a temperatura está 3,2°C abaixo da média. Isso contribui para que o Hemisfério Norte esteja 0,5°C acima da média, enquanto o Hemisfério Sul registre temperatura 0,5°C abaixo da média.

Onda de frio deve continuar

De acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina, com a atuação de uma intensa massa de ar frio, a condição para temperaturas baixas se mantém no Estado no decorrer desta semana.

Nesta terça-feira (29), as máximas não devem passar dos 5°C no Planalto Sul e Meio-Oeste, dos 8°C no Oeste e Planalto Norte e dos 14°C no Litoral e Vale do Itajaí.

O amanhecer de quarta-feira (30) também será de frio intenso e formação de geada ampla no Estado. As mínimas ficam próximas ou abaixo de 0°C entre o Extremo Oeste e os Planaltos e variam de 2°C a 6°C nas demais áreas.

A partir de quinta-feira (1º), as temperaturas aumentam gradualmente, mas o frio ainda deve persistir nos períodos da noite e da manhã.

Mar agitado e alagamentos costeiros

Um ciclone no mar na altura do Rio Grande do Sul favorece condições para ventos fortes, com rajadas em torno de 80 km/h na região do oceano. Por isso, há risco de mar muito agitado no Litoral catarinense entre esta terça e quarta-feira.

As ondas são de direção Sul e altura de 2,5 metros a 3 metros entre o Litoral Sul e a Grande Florianópolis, com picos de até 3,5 metros no Litoral Sul.

Assim, o risco para ocorrências associadas ao mar muito agitado e ressaca é alto na área em laranja do mapa abaixo e moderado na área em amarelo.

Mar muito agitado e ressaca em SC – Foto: Defesa Civil de SC/Divulgação/NDMar muito agitado e ressaca em SC – Foto: Defesa Civil de SC/Divulgação/ND

A Defesa Civil destaca, ainda, que a combinação de maré astronômica com a agitação do mar favorece condições para alagamentos costeiros entre Balneário Camboriú e Itajaí.

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