Morador de Urubici surpreende turistas com grande árvore congelada

Visitantes descobrem o "segredo" por trás do espetáculo invernal; Evaldo Beckhauser conta que não troca a tranquilidade do interior

A grande árvore de galhos congelados ao lado da pousada de Evaldo Beckhauser, 72 anos, faz muitos turistas que visitam Urubici, na Serra catarinense, pararem os carros e registrarem a paisagem formada pelos cristais de gelo. “Parece um sonho”, diz uma visitante.

Evaldo Beckhauser, 72 anos, encanta turistas com árvore congelada – Foto: Maria Fernanda Salinet/NDEvaldo Beckhauser, 72 anos, encanta turistas com árvore congelada – Foto: Maria Fernanda Salinet/ND

Um casal começa a gargalhar quando descobre que uma mangueira posicionada em cima da árvore torna possível a formação do gelo. Um homem diz que Evaldo deveria cobrar “10 pila” para quem quisesse fotografar.

Outro turista também registra os galhos cristalizados que brilhavam à luz do sol. Em seguida, pergunta a Evaldo se há vagas disponíveis para passar mais alguns dias curtindo o frio no município. “Hoje não”, responde o proprietário, que já tem quartos reservados para janeiro de 2022.

Evaldo conta que a pandemia não atrapalhou o movimento, pelo contrário, ajudou a movimentar o negócio. Essa também é a opinião de outros proprietários da região.

Árvore virou ponto turístico em Urubici – Foto: Maria Fernanda Salinet/NDÁrvore virou ponto turístico em Urubici – Foto: Maria Fernanda Salinet/ND

“A gente pensou que não viria ninguém, mas na verdade, se não tivesse bloqueado teria sido direto [a vinda de turistas]”, opina.

A maioria dos hóspedes são de Santa Catarina, mas muitos vêm de longe, especialmente do interior de São Paulo e Paraná.

“Já estou providenciando a limpeza porque já chega outro grupo agora à tarde. Pessoal de Brusque vem com frequência, aí fecham toda a minha capacidade.” A pousada comporta até 22 pessoas.

Acostumado ao frio

O proprietário nasceu e cresceu em Urubici, onde vive há 72 anos. Ele e a esposa até pensaram em se mudar, mas após a filha adoecer e passar um mês internada em Florianópolis, eles perceberam que trocar de estilo de vida não era uma opção.

“Não, não. Fechar uma porta, fechar mais outra, fechar três, quatro portas para poder sair de casa. Não quero nem saber, melhor aqui mesmo”, destaca o urubiciense.

Evaldo, de 72 anos, nasceu e cresceu em Urubici e não troca o interior pela Capital – Foto: Maria Fernanda Salinet/NDEvaldo, de 72 anos, nasceu e cresceu em Urubici e não troca o interior pela Capital – Foto: Maria Fernanda Salinet/ND

Mesmo com o frio intenso, Evaldo não troca a tranquilidade do interior pelo agito da Capital. Pelo contrário, ele está acostumado, tanto que não usava nenhuma camada de roupa térmica nesta sexta-feira (30), quando os termômetros marcaram -7°C  nas primeiras horas da manhã no município. O dia é considerado o mais frio do ano no Estado até o momento.

Uma vida em meio à neve

Evaldo ainda se encanta com a neve, apesar de já tê-la visto dezenas de vezes. “Emocionante é aquela nevada com os flocos compridos, quem vêm voando, assim emociona. Você vê aquilo e parece um papelzinho que vem descendo”, diz.

A última que o marcou foi no final dos anos 1980, quando acumulou em torno de 15 centímetros de neve. Segundo ele, começou a nevar às 8h e parou apenas às 18h. “O dia todinho, sem parar.”

“Quando era guri, próximo dos anos 1960, a gente só escutava os galhos quebrando”, tamanho impacto dos flocos

Para enfrentar os dias mais frios, ele conta que a receita é uma só: fogão à lenha. “Sem isso a casa fica gelada, não aquece lá dentro. Quando não faço fogo saio para rua me esquentar. A gente precisa achar um jeito de se aquecer.”

Mas a conversa fácil e o sorriso largo do morador demonstram que o bom humor também é um ingrediente essencial para encarar o gelo da Serra.

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