Santa Catarina pode ter outro ciclone bomba? Meteorologista explica

Especialista Marcelo Martins pontua quais são as condições necessárias para a formação do fenômeno no Estado

O chamado “ciclone bomba” não é raro nem incomum, segundo o meteorologista da Epagri/Ciram, Marcelo Martins. No entanto, ele pode ser previsto apenas cinco dias antes de sua formação. Assim, quando esse tipo de fenômeno pode acontecer em Santa Catarina?

Efeitos do ciclone bomba registrado em 30 de junho de 2020 em Chapecó – Foto: Prefeitura de Chapecó/Divulgação/NDEfeitos do ciclone bomba registrado em 30 de junho de 2020 em Chapecó – Foto: Prefeitura de Chapecó/Divulgação/ND

“Na verdade, o ciclone explosivo — popularmente conhecido como bomba — ocorre devido à alta variação de pressão em um intervalo de 24 horas, que pode ocasionar mudanças repentinas no tempo de uma região. A duração é rápida e com efeitos intensos, associados a chuvas, quando próximo à costa, e rajadas de ventos fortes”, diz o meteorologista.

Uma curiosidade é que “praticamente todas as frentes frias formam os ciclones tropicais”, o que varia é a intensidade do fenômeno causada pela diferença de pressão.

É possível o fenômeno ocorrer no Estado?

A plataforma Climatempo emitiu um boletim sobre a possibilidade de ciclones bombas no Sul do país, especialmente no segundo semestre, para alertar a população e discutir os impactos no setor de energia, cujo planejamento pode conter os prejuízos desse tipo de episódio.

Conforme Martins, “o ciclone bomba só é repercutido quando pode atingir a costa, mas a maioria deles não são divulgados”.

O fenômeno recebeu grande destaque na mídia em junho e setembro do ano passado, quando foram registrados ventos de até 60 km/h no interior do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. Na costa Sul catarinense, ocorreu ventania de até 90 km/h.

“Eles se formam, de forma geral, no Sul do Brasil com certa frequência. Mas a gente só consegue prevê-lo cinco dias antes. O que eles [Climatempo] estão falando é sobre climatologia, que é o que costuma acontecer em média em uma região”, explica Martins. Ele assegura que é apenas “uma constatação do que acontece em forma geral”.

Dessa forma, não há previsão de que possa acontecer um ciclone bomba nos próximos dias no Estado. O especialista não soube precisar quantos ocorreram no último ano porque a ocorrência é alta, “em média, mais de 40”.

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