Seis meses após tragédia, Presidente Getúlio tenta se reconstruir em meio a dor da saudade

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Enxurrada no fim do ano passado deixou 21 pessoas mortas no Alto Vale; ND visitou Presidente Getúlio, a cidade mais castigada, para saber como está o processo de reconstrução

Há seis meses, o Alto Vale do Itajaí enfrentava a pior tragédia climática de sua história. A chuva que começou no dia 16 de dezembro de 2020 e terminou no dia seguinte, causou uma enxurrada que matou 21 pessoas em Ibirama, Rio do Sul e Presidente Getúlio.

Local de Presidente Getúlio atingido por deslizamento no final de 2020 – Foto: Defesa Civil SC/Divulgação/NDLocal de Presidente Getúlio atingido por deslizamento no final de 2020 – Foto: Defesa Civil SC/Divulgação/ND

O tempo ainda não curou a ferida causada pela perda de familiares, amigos e vizinhos. Talvez nunca cure. Mas aos poucos a vida vai voltando a normalidade.

Em Presidente Getúlio, onde 18 pessoas perderam a vida, o cenário já é bem diferente daquele encontrado há seis meses. As casas destruídas pela água estão sendo colocadas em pé novamente, uma de cada vez.

Uma dessas moradias é a de Alvino Sardagna, de 80 anos. O morador do bairro Revólver, o mais castigado pela enxurrada, conta que a antiga casa havia sido construída há 55 anos, mas em questão de segundos foi destruída pela força da água.

Aos 80 anos, seu Alvino perdeu a casa onde morava há mais de 55 anos - Vinícius Bretzke/NDTV Blumenau
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Aos 80 anos, seu Alvino perdeu a casa onde morava há mais de 55 anos - Vinícius Bretzke/NDTV Blumenau
Orgulhoso ele mostra a casa que está sendo reconstruída - Vinícius Bretzke/NDTV Blumenau
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Orgulhoso ele mostra a casa que está sendo reconstruída - Vinícius Bretzke/NDTV Blumenau

“A gente tem que se conformar. Fazer o que, né? Já temos uma boa idade e não devemos pensar para trás, precisamos pensar para frente. Reconstruir, fazer uma vida nova”, diz o aposentado.

Erguer a cabeça e vida segue

Seguir em frente também é o remédio usado pelo eletricista automotivo Eliseu Ewers, para diminuir a dor da perda. A oficina que ele administrava foi completamente destruída pela enxurrada.

“Eu sou bem franco a dizer, não gosto nem de pensar, olhar pra trás. Porque se não tu desanima, né? Eu tenho um ponto de vista: erguer a cabeça e vida segue”, diz Ewers.

Após a tragédia, Eliseu foi forçado a ficar cerca de três meses sem trabalhar. Mas com a ajuda de amigos, clientes e demais empresários, conseguiu reconstruir o local que é responsável por garantir sustento dele e da família.

Eliseu perdeu todo capital durante a enxurrada – Foto: Vinícius Bretzke/NDTV BlumenauEliseu perdeu todo capital durante a enxurrada – Foto: Vinícius Bretzke/NDTV Blumenau

“O meu capital eu perdi tudo, mas tem gente por aí que perdeu mais do que eu… perdeu a família. Graças a Deus que a família está unida e trabalhando junto”, agradece Eliseu.

Reconstrução

Há seis meses, Presidente Getúlio era palco de um verdadeiro cenário de guerra. Hoje a realidade é outra. Ruas revitalizadas, limpas e com nova camada de asfalto.

Para que pudesse reconstruir as áreas destruídas durante a enxurrada, a cidade recebeu cerca de R$14,2 milhões do Governo Federal. Tão logo possível, a administração pública tratou de iniciar a recuperação dos locais atingidos, conta o prefeito Nelson Virtuoso (MDB).

“O nosso povo é guerreiro e a administração também é muito focada em buscar e fazer com que os objetivos da gente possam ser alcançados”, acrescenta o prefeito.

Prefeito de Presidente Getúlio, Nelson Virtuoso, fala sobre os desafios enfrentados após a tragédia de 2020 – Vídeo: Vinícius Bretzke/NDTV Blumenau

A história carrega marcas muitas vezes doloridas, mas ensina a dar a volta por cima. Reconstruir o que ceifado por desastres naturais, já é uma marca registrada do povo guerreiro de Santa Catarina.