Truques que protegem as lavouras da geada em SC

Os termômetros despencaram em Santa Catarina nos últimos dias e, para proteger plantações, os agricultores recorrem a diversas técnicas, entre elas, o uso de aminoácidos

As temperaturas mais frias dos últimos dias em Santa Catarina deixam em alerta quem trabalha na lavoura. Sempre que a previsão do tempo indica um frio mais severo, com possibilidade de geada, os agricultores precisam recorrer a algumas técnicas para reduzir o risco de perder parte das plantações e comprometer o trabalho que lhes garante o ganha pão.

Geada não afeta o brócolis, que é acostumado ao clima EuropeuBrócolis com gelo na plantação de Gilberto Diel, em Rancho Queimado – Foto: Nícolas Horácio/ND

Produzindo em Angelina, na Grande Florianópolis, Márcio Heiderscheidt agradece o avanço da Ciência que, na atualidade, facilita seu trabalho no inverno. Mas nem sempre foi assim:

“Quando comecei a plantar, em 1999, em São José, perdi 30 mil pés de tomate”, lembra o produtor que, agora, produz alface, rúcula, agrião, salsa e cebolinha e tem uma condição bem diferente nos dias de hoje, com alternativas para amenizar danos à colheita.

Agricultores se defendem com aminoácidos e outros truques nas geadasO agricultor Márcio Heiderscheidt protege sua produção nas geadas com aminoácidos – Foto: Nícolas Horácio/ND

O principal segredo de Márcio é o uso de aminoácidos, vitamina que dá sobrevida à planta em condições de frio extremo. “Se deixar para passar só no dia, talvez não resolva, mas como pegamos a previsão do tempo em maio, viemos trabalhando nisso”, explica o agricultor.

Márcio também agradece a previsão do tempo: “o trabalho dos meteorologistas é mais um ponto favorável hoje, porque eles erram muito pouco”, ressalta.

O uso de aminoácidos nos produtos que ele comercializa é contínuo quando existe previsão de geada: “Meu agrião, hoje mais cedo, estava escuro, mas agora está normal, porque ontem à tarde passei 100 ml de aminoácido. Mesmo com todas as dificuldades da natureza, conseguimos produzir ainda. Se fosse como antes, teria perdido tudo”, pondera Márcio.

Despesas a mais que garantem a colheita

Embora tenha um custo a mais, uma despesa de R$ 400 a R$ 500 em um galão de 5 L, Márcio minimiza perdas e garante a produção. A irmã dele, Maristela Heiderscheidt, produz no município vizinho, Rancho Queimado e segue a mesma linha: precaução.

Maristela H. de Jesus também utiliza os aminoácidos para proteger suas plantações. Na foto, está ao lado das suas acelgas – Foto: Nícolas Horácio/NDMaristela H. de Jesus também utiliza os aminoácidos para proteger suas plantações. Na foto, está ao lado das suas acelgas – Foto: Nícolas Horácio/ND

“Quando chegamos aqui, nada produzia. No primeiro ano, quando plantamos, queimou tudo o alface. Passamos a proteger com TNT e, depois, um engenheiro agrônomo indicou o uso de aminoácidos”, conta a agricultora que vive com o marido, Luciano de Jesus e o filho Paulo.

Segundo Maristela, as plantas resistem até -4 ºC. Ontem, elas foram expostas ao limite, pois os termômetros registravam -2 ºC no amanhecer da cidade.

“Sempre trabalhei em lavoura e, quando dava geada negra, antes, não sobrava nada. Hoje [29 de julho] deu geada negra e a planta está saudável. Meus pés de alface estão normais e dá para comercializar ainda. O problema maior é o vento, mas devido às vitaminas, a plantação suporta”, conta Maristela.

O casal de agricultores Adriana e Gilberto trabalha junto no campo desde a época do namoro – Foto: Nícolas Horácio/NDO casal de agricultores Adriana e Gilberto trabalha junto no campo desde a época do namoro – Foto: Nícolas Horácio/ND

Gilberto Diel também possui lavoura em Rancho Queimado. Casado com Adriana Diel, com quem trabalha junto no campo desde o namoro, Gilberto produz salsa, cebola, tomate, chuchu e couve-flor, em meio hectare de terra e em parceria com o pai, Nilberto, de quem herdou os conhecimentos de agricultor. Mas o carro-chefe, para Gilberto, é o brócolis, o qual cultiva somente com a esposa.

“Até hoje nunca perdi brócolis por causa da geada. Brócolis e salsinha são resistentes à geada, só estragam se for muito mais forte. Um colega meu planta salsa em Angelina e, semana passada, deu chuva congelada, aí morreu tudo”, conta Gilberto. Toda semana, ele planta mil pés de brócolis e seu cliente é o Direto do Campo, em Florianópolis.

Cuidados para salvar plantações

O engenheiro agrônomo Miguel André Compagnoni tem 30 anos de profissão e está desde 2004 na Epagri/Ciram atuando como extensionista rural. O trabalho dele, e de outros profissionais presentes em praticamente todo estado, é dar assistência técnica aos agricultores.

Miguel indica aos produtores de lavouras, por exemplo, a melhor forma de trabalhar com as culturas. Também auxilia nas questões econômicas da gestão das propriedades.

“Alguns produtores fazem irrigação, à noite, para evitar a formação do gelo. Outros têm culturas abaixo de tela, que ajuda também. Os produtores de morango têm abrigo protegido, a chamada plasticultura”, explica Miguel.

Epagri ajuda agricultores inclusive com orientações para proteger plantações nas geadasO extensionista rural da Epagri/Ciram, Miguel André Compagnoni, conhece e repassa os segredos do campo para agricultores protegerem suas plantações em época de geada – Foto: Nícolas Horácio/ND

Segundo o especialista, outra recomendação é evitar adubações nos períodos de geada, para a planta não ficar tão mole: “é outra técnica para que a planta sofra menos”, afirma Miguel. O extensionista rural também explica que os aminoácidos dão energia para a planta se sustentar. Outra saída são produtos à base de potássio.

Miguel atua em Águas Mornas, mas ontem, cobriu um colega em Rancho Queimado. Segundo ele, o município desempenha um papel importante, por causa do mercado consumidor da Grande Florianópolis e é uma região forte em hortaliças, sendo importante na produção de alface, couve-flor, brócolis, salsinha e cebola. Mas o destaque é o morango, cultivado por cerca de 400 famílias na cidade.

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