Casos de derramamento de óleo na ponte Pedro Ivo param o trânsito e podem causar acidentes graves

"Infelizmente esse é um problema recorrente", disse o subcomandante da Guarda Municipal de Florianópolis, Alex Silveira

Quem veio para a Ilha de Santa Catarina na manhã desta quarta-feira (3) teve que ter muita paciência. Um derramamento de óleo diesel ocorrido no fim da ponte Pedro Ivo, perto da alça de acesso da avenida Beira-Mar Norte e do terminal rodoviário Rita Maria, provocou a queda de dois motociclistas — em um dos acidente uma gestante ficou ferida — e, em efeito cascata, paralisou o trânsito em toda a região continental, com reflexos que se estenderam até a BR-101, em Palhoça.

Guarda Municipal/Divulgação/ND

Serragem foi usada para cobrir óleo na pista

Foi o segundo dia consecutivo com acidentes provocados por óleo na pista da Pedro Ivo, um problema que além de travar o já complicado trânsito da cidade também pode causar acidentes graves.

A Guarda Municipal da Capital diz que o problema é causado por ônibus e caminhões que acessam a Ilha logo cedo e com os tanques abastecidos acima do limite prudencial, ao fazer a curva acabam derramando o material na pista.

Mesmo ciente da causa do problema, a Guarda Municipal afirma não ter muitas maneiras de evitá-lo, e pede aos motoristas que denunciem situações assim no telefone 153 quando as flagrarem.

O derramamento de óleo diesel ocorreu por volta de 7h, e fez com que a ida ao trabalho de milhares de pessoas se transformasse em um teste de serenidade.

Quem mora no Kobrasol, em São José, e costuma levar 20 minutos para chegar ao Ticen de ônibus, por exemplo, levou mais de uma hora nesta quarta-feira. O mesmo ocorreu para motoristas e usuários de ônibus do Estrito, Coqueiros, Campinas e demais bairros continentais.

De acordo com Alex Silveira, subcomandante da Guarda Municipal de Florianópolis, o problema de óleo sobre a pista acaba acontecendo muitas vezes por imprudência de quem abastece o veículo acima do limite do tanque de combustíveis, o que facilita seu vazamento durante o trajeto, principalmente em curvas mais fechadas.

“Infelizmente esse é um problema recorrente, mas derramar combustíveis durante a locomoção é crime previsto no Código de Trânsito Brasileiro. Como é difícil de flagrar esse tipo de infração, contamos com denúncias”, afirma o subcomandante.

Ainda segundo Silveira, em 2015, a Guarda Municipal chegou a enviar ofícios a empresas de ônibus e transportadores para fazer uma orientação sobre o assunto. Mesmo assim, conta Silveira, nunca obtiveram resposta.

Nesta quarta, a Guarda não soube informar o número de ocorrências de derramamento de óleo na Pedro Ivo. “Mesmo assim, atendemos muitos casos há algum tempo”, disse. A infração é considerada gravíssima e rende sete pontos na carteira de habilitação, além de multa de R$197. O veículo ainda pode ser apreendido até que o problema seja resolvido.

Bombeiros levaram serragem para cobrir o óleo, mas material foi insuficiente

Dois fatores serviram para agravar ainda mais os congestionamentos na região continental, que se iniciaram por volta das 7h e seguiram até próximo das 11h. A passageira de uma das motocicletas que caiu ao passar pela pista suja de óleo está grávida, e isso demandou um atendimento especial por parte dos socorristas. A vítima foi levada com ferimentos leves para o hospital Celso Ramos, onde recebeu alta ainda na manhã desta quarta.

Além disso, logo após o acidente, o Corpo de Bombeiros levou serragem para secar o óleo sobre a via, a fim de evitar novos acidentes na região. No entanto, o material foi insuficiente pela grande quantidade de óleo e os agentes do trânsito municipal tiveram que correr atrás de doações de mais serragem para colocar no local. Com isso, uma das pistas da Pedro Ivo permaneceu bloqueada até próximo das 9h.

De acordo com a PM (Polícia Militar), mesmo com câmeras de monitoramento é difícil flagrar situações como essa. Opinião compartilhada pelo subcomandante Alex Silveira, que também entende ser “muito difícil” para os guardas conseguirem flagrar essas situações. “Temos muitas outras situações para atender nos horários de pico, é bem complicado”, avaliou.

Empresas de ônibus e transportadoras ouvidas pelas reportagem garantem respeitar limite prudencial dos tanques

Coordenador técnico do Consórcio Fênix, Rodolfo Guidi, afirma que as linhas operadas pelo consórcio não passam nesta época do ano pela alça de acesso à saída da ponte Pedro Ivo Campos, onde houve o derramamento de óleo. “Somente durante o calendário letivo da UFSC três veículos operam as linhas do Continente para a Universidade: 949 – Abraão/UFSC, 948 – Capoeiras/UFSC e 946 – Jardim Atlântico – UFSC”, comentou. 

Segundo ele, todos os ônibus são abastecidos dentro das garagens, em áreas especiais para esta finalidade. Os veículos são abastecidos até o primeiro desarme da bomba. Após esse primeiro desarme, caberiam ainda de 20 a 25 litros no tanque de cada veículo.

A empresa Emflotur, de Biguaçu, que faz o transporte intermunicipal de passageiros até a Capital, também garantiu respeitar o limite prudencial dos tanques de combustível de seus veículos.

Vinícius Marins, advogado da empresa Reunidas, que realiza transporte interurbano de passageiros, afirmou que a “grande maioria dos carros da empresa que chegam ao Rita Maria saem do Oeste do Estado, e chegam aqui com pouco combustível”. Portanto, observa, “seria impossível um ônibus nosso ter derramado óleo no local”.

O empresário Gustavo Santos Souza, proprietário da OXT Terraplenagem, argumentou que os caminhões da empresa param quando acontece derramamento de óleo. “O caminhão para e o motorista é obrigado a descer para ver o que aconteceu”, ressaltou.

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