Djalma Dias Rodrigues: um sorriso que não se apagará em São Bento do Sul

Motorista em diversas empresas do Estado, Djalma bateu a motocicleta com um trem a caminho do serviço na madrugada de 20 de novembro

Um sorriso fácil e popular em São Bento do Sul, no Planalto Norte catarinense, vai deixar saudades, em especial nos familiares, colegas de trabalho e todos que viajaram com o motorista Djalma Dias Rodrigues.

Natural de Laranjeiras do Sul, no Paraná, ele faleceu na madrugada de 20 de novembro após um trágico acidente em Santa Catarina.

Djalma era motorista de ônibus em várias empresas do Estado O motorista Djalma Dias Rodrigues faleceu na madrugada de 20 de novembro, após bater a moto com um trem em São Bento do Sul – Foto: Arquivo Pessoal

Por volta das 4h da manhã, a caminho do trabalho, Djalma pilotava sua motocicleta, uma Honda/NXR150, quando colidiu com um trem cargueiro no Km 114 da BR-280, próximo ao trevo da borracharia Zé Colméia.

No local do acidente, foi encontrada a motocicleta da vítima. O corpo de Djalma, no entanto, foi arrastado pelo trem até Mafra, na divisa de Santa Catarina com o Paraná, por uma distância de aproximadamente 50 Km.

“Tranquilo, brincalhão, carinhoso”

Djalma tinha 57 anos e trabalhava como motorista em uma empresa de malharia em São Bento do Sul. No início do ano, ele deixou o trabalho como motorista da APAE, também na cidade, onde ficou por mais de uma década e era reconhecido por todos como alguém que amava o trabalho.

Um de seus genros, Dyorgenes Hantero Nagel De Lima – conhecido na cidade por Dydy – está muito triste com a perda. Casado com Daniele, filha do motorista, há quase três anos, ele afirma que perdeu não apenas o sogro, mas um parceiro de pesca.

“Um cara muito gente boa, tranquilo, brincalhão, carinhoso com os netos. A gente participava de muito torneio de pesca e pescava também nos rios”, lembra.

Djalma Dias Rodrigues e a esposa, Aladir de Fátima Augustin, em um passeio em dezembro de 2019 – Foto: Arquivo PessoalDjalma Dias Rodrigues e a esposa, Aladir de Fátima Augustin, em um passeio em dezembro de 2019 – Foto: Arquivo Pessoal

A viúva de Djalma, Aladir de Fátima Augustin, também está muito abalada com tudo que ocorreu. Segundo o genro, o dono da empresa, onde Djalma trabalhava, deu falta do funcionário na manhã do acidente e, ao saber da ocorrência envolvendo a moto e o trem, foi até o local onde encontrou os familiares.

Segundo o ex-patrão, Djalma era um funcionário prestativo e sempre pontual.

Uma vida na estrada

Djalma Dias Rodrigues começou a trabalhar cedo. Antes da carreira de motorista, vendeu picolé e trabalhou em uma lavação. Depois que iniciou no volante, percorreu diversos quilômetros de estradas no Sul e Nordeste do Brasil.

Filho de Valter Rodrigues e Senhorinha Rodrigues, Djalma passou parte da juventude em Almirante Tamandaré, no Paraná. Quando voltou a Santa Catarina, iniciou a duradoura carreira em diferentes empresas de transporte.

No currículo, Transportadora Evaristo, em Rio Negrinho, Coletivos Rainha, em São Bento do Sul, e Gidion, em Joinville.

Depois, uma pausa nas rotas catarinenses. Djalma mudou de estado e região: foi trabalhar em Natal, no Rio Grande do Norte, mas não saiu do ramo. Conhecendo mais e mais as estradas brasileiras, prestou serviços para a Viação Nordeste.

De volta a São Bento

Após a experiência, Djalma voltou para São Bento do Sul e começou a trabalhar na Lancatur. Ele também foi funcionário da Viação Navegantes, onde transportava operários para Jaraguá do Sul.

Funcionário exemplar, que amava o trabalho e deixou saudades por onde passou – Foto: Arquivo PessoalFuncionário exemplar, que amava o trabalho e deixou saudades por onde passou – Foto: Arquivo Pessoal

Djalma ainda trabalhou novamente na Lancatur, antes de receber um convite para atuar na APAE de São Bento do Sul, onde conquistou o respeito de pais, alunos e diretoria.

O resgate e a despedida

Na manhã de sexta-feira (20), às 9h47, uma guarnição do corpo de bombeiros de Mafra foi acionada para dar apoio a PMSC (Polícia Militar de Santa Catarina e o IGP (Instituto Geral de Perícias).

A guarnição deveria auxiliar no resgate de um corpo que se encontrava no rodado de um vagão de trem. Djalma não apresentava sinais vitais e, para a retirada do corpo, foi realizada uma manobra de recuo, que facilitou o trabalho dos agentes do IGP.

Além da esposa, Djalma deixou os filhos Denize, Daniele, Jonathan, Edson, o enteado Toniel Augustin e netos.

O corpo foi trazido pelo IML de Mafra até São Bento do Sul e, como ele era evangélico, o velório foi realizado na igreja que frequentava. Após o culto, os familiares e amigos se despediram daquele humilde e sincero sorriso.

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