Entenda polêmica sobre ciclovia curvada da Estrada da Rainha, em Balneário Camboriú

Novo desenho da ciclovia gerou polêmica entre os internautas pelas curvas que os ciclistas precisam fazer; revitalização promete mais segurança

Balneário Camboriú continua dando o que falar na internet. Em agosto, o início da obra de alargamento da Praia Central foi o assunto das redes sociais. Agora, a Estrada da Rainha é o que tem causado polêmica entre os internautas.

Estrada da Rainha ganhou ciclofaixa com “curvas” para diminuir a velocidade dos ciclistas – Foto: Prefeitura de Balneário Camboriú/DivulgaçãoEstrada da Rainha ganhou ciclofaixa com “curvas” para diminuir a velocidade dos ciclistas – Foto: Prefeitura de Balneário Camboriú/Divulgação

Tudo começou com uma publicação de Daniel Guth, que é pesquisador em políticas de mobilidade urbana, mestre em urbanismo e Diretor Executivo da Aliança Bike. Ele afirmou que “não tem nenhum sentido o desenho dela, obrigando ciclistas a pedalarem o dobro da distância”.

Os comentários se dividiram entre pessoas criticando o desenho e pessoas tentando explicar a escolha. O próprio autor da publicação, horas depois, comentou com novas informações.

A Estrada da Rainha, que liga a Avenida Atlântica à Praia dos Amores, é íngreme e acidentes graves envolvendo ciclistas já foram registrados no local, inclusive com mortes, antes da requalificação, quando a ciclovia ainda era “reta”.

Segundo dados do 13º Batalhão do Corpo de Bombeiros de Balneário Camboriú, só este ano foram registradas 21 ocorrências envolvendo bicicletas na Estrada da Rainha. São quedas, colisões, que deixaram pessoas feridas e até mortas.

Em junho, um bombeiro, Jefferson Fonseca Lopes, de 29 anos, descia a estrada de bicicleta quando colidiu com uma motocicleta elétrica. Ele teve um grave traumatismo cranioencefálico, e ficou em um coma por mais de 25 dias. Ele morreu no dia 10 de julho.

Associação participou do projeto

A mudança da ciclofaixa começou em maio deste ano, e fez parte do projeto de requalificação da via. A ciclofaixa, que antes era reta, assim como a via dos carros, ficou mais longa e com curvas, que exigem que o ciclista diminua a velocidade na decida.

A ACBC (Associação de Ciclismo de Balneário Camboriú e Camboriú) participou de reuniões para aconselhar os projetos que seriam criados. O conselheiro da associação, Chaves Júnior, explica que a discussão começou já no começo do ano, pois a via estava muito íngreme e sem obstáculos para diminuir a velocidade dos ciclistas.

Quando era em linha reta, ciclistas conseguiam alcançar até 70 Km/h na descida – Foto: Prefeitura de Balneário Camboriú/DivulgaçãoQuando era em linha reta, ciclistas conseguiam alcançar até 70 Km/h na descida – Foto: Prefeitura de Balneário Camboriú/Divulgação

“Conseguimos indicar que fossem feitas algumas curvas ao invés de colocar obstáculos para a decida, para que os ciclistas diminuíssem a velocidade, especialmente antes de chegar na Avenida Atlântica”, relembra Chaves.

É que reforça Ricieri Ribas Moraes, diretor-presidente do BC Trânsito. Ele explica que a Estrada da Rainha tem uma inclinação de 20% (o mesmo da Avenida Panorâmica, por exemplo), e que, com uma ciclofaixa em linha reta, os ciclistas podiam alcançar até 70 Km/h.

“A preocupação sempre foi com a segurança dos ciclistas e turistas que transitam ali a pé, ou que ficam no começo da estrada, no Pontal Norte. Sempre a segurança”, afirma.

A associação dos ciclistas participou de reuniões com secretários e arquitetos da prefeitura, aumentando o ângulo das curvas e a largura da ciclofaixa, tornando ela mais fácil e com mais mobilidade, ainda fazendo os ciclistas diminuírem a velocidade na descida.

Apenas este ano, bombeiros registraram 21 acidentes com bicicletas na Estrada da Rainha – Foto: Prefeitura de Balneário Camboriú/DivulgaçãoApenas este ano, bombeiros registraram 21 acidentes com bicicletas na Estrada da Rainha – Foto: Prefeitura de Balneário Camboriú/Divulgação

Mas Chaves faz um alerta: “mesmo com curvas, obstáculos, o bom senso sempre deve vigorar, porque de nada adianta ter obstáculo, se não houver bom senso”.

“Hoje a estrada está maravilhosa, e de forma recomendada. Muita gente acredita ter sido feita de uma forma errada, mas a associação apoia esse projeto”, afirma.

Ainda não é possível ter dados sobre a redução de acidentes, explica o diretor do BC Trânsito, já que a nova ciclofaixa foi liberada há pouco tempo. No entanto, “já é possível perceber uma segurança maior”, garante Moraes.

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