“Não parecia real, mas infelizmente foi”, fala sobrevivente de acidente em Guaratuba

Viajando para ter uma nova oportunidade de emprego em SC, Evanio de Souza sobreviveu ao trágico acidente na BR-376 na manhã desta segunda-feira (25)

“Parecia cena de filme. Por alguns momentos até dei alguns tapas no meu rosto para ter certeza que era verdade, olhava aquele cenário, as pessoas, olhava aquilo tudo e não parecia real, mas infelizmente foi”. A cena que Evanio de Souza viu e viveu foi a do trágico acidente que matou 19 pessoas na manhã desta segunda-feira (25), na BR-376, em Guaratuba.

Raimundo Monteiro buscou o filho, Evanio de Souza no Hospital Municipal São José na tarde desta segunda-feira (25) – Foto: Gladionor Ramos/NDTVRaimundo Monteiro buscou o filho, Evanio de Souza no Hospital Municipal São José na tarde desta segunda-feira (25) – Foto: Gladionor Ramos/NDTV

Desempregado, Evanio estava no ônibus que saiu de Ananindeua (PA) trazendo dezenas de pessoas que colocaram Santa Catarina como o destino para mudar de vida, mas muitas dessas pessoas sequer chegaram ao estado. O acidente aconteceu há cerca de 15 quilômetros da divisa entre o Paraná e Santa Catarina. Entre os mortos, cinco adolescentes e um bebê.

Evanio foi um dos sobreviventes e sabe que o 25 de janeiro ficará marcado como o dia que “nasceu de novo”. No corpo, um braço quebrado e vários ferimentos pelo corpo. Na memória, a imagem trágica que ficou à beira da rodovia. “O sentimento é que nasci de novo. Não sei nem explicar o que senti no momento e agora”, falou na porta do Hospital Municipal São José.

O reencontro com o pai aconteceu no hospital joinvilense. O auxiliar de construção civil Raimundo Monteiro viajou de Blumenau a Joinville para buscar o filho, que tinha como destino final a cidade do Vale. “Estou aliviado depois de todo esse desespero. Estava com quatro familiares nesse ônibus, dois filhos, uma nora grávida de sete meses e meu netinho. Eu só tenho que agradecer que estão todos em casa. Não estão bem porque estão feridos e tem o susto, mas estão vivos. Agora é recomeçar, fazer uma festa, agradecer e viver mais unido”, comemorou.

A viagem de mais de 3,3 mil quilômetros entre Ananindeua e o local do acidente foi alegre, lembra Evanio. Ele contou que apenas instantes antes do impacto a velocidade assustou os passageiros.

Evanio veio do Pará para Blumenau, para tentar uma vida melhor para a família – Foto: Gladionor Ramos/NDTVEvanio veio do Pará para Blumenau, para tentar uma vida melhor para a família – Foto: Gladionor Ramos/NDTV

“Eu só lembro que estávamos sentados, brincando, como foi a viagem toda. Quando chegou nessa descida, o motorista reserva que estava sentado atrás de mim levantou porque o motorista que estava no piloto estava muito rápido, sem necessidade aquela velocidade que ele estava. Quando o reserva levantou e abriu a porta da cabine, o carro já bateu e saímos capotando. Foi quando tudo aconteceu”, recordou.

Evanio escolheu Blumenau, a cidade onde o pai e a mãe moram, para tentar mudar de vida, conseguir um emprego e “procurar uma vida melhor para minha família”. “Aqui as oportunidades são melhores, aí vim pra cá nessa intenção”, complementou.

Ele lembra, ainda, que depois do impacto, o socorro chegou em poucos minutos. Segundo Evanio, em menos de 10 minutos, três ambulâncias já estavam no local para socorrer as vítimas. Ele foi encaminhado ao Hospital São José e, embora tenha “perdido” o almoço que estava pronto a sua espera na casa dos pais, ganhou a oportunidade de celebrar muitos outros com a família.

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