“Não percebemos nada”, diz namorada de motorista que matou um e feriu dois no Sul da Ilha

Raulino Bruning Filho foi autuado em flagrante por homicídio doloso

Marco Santiago/ ND

No local do acidente não há calçada 

O empresário Raulino Jacob Filho, 34, foi preso por volta das 8h desta terça-feira (9) após atropelar três pessoas que caminhavam no acostamento da rodovia Açoriano, no bairro Tapera, em Florianópolis.  Edvaldo Veloso Amaro, 20, morreu no local do acidente. A mulher dele, Camila Franceschetti, 18, sofreu luxações nos braços. A faxineira Rosângela Wosiaki, 48, ficou gravemente ferida. Ela se encaminhava ao ponto de ônibus para ir até o Ribeirão da Ilha, onde faria faxina em casa de família. 

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Rosângela foi conduzida ao Hospital Celso Ramos, onde operou o baço. A paciente está na Unidade de Terapia Intensiva e deve ser submetida a outras cirurgias. Ela sofreu traumatismo crânio e, segundo enfermeiras, o estado de saúde da paciente é bastante grave.

O motorista vinha de uma balada na praia Brava com a namorada Letícia, dirigindo uma caminhonete Mitsubishi L200 Triton. No carro havia uma garrafa de uísque Black Label, com um terço da bebida, garrafas de cerveja e água mineral. Segundo a Polícia Militar Rodoviária, Raulino vinha fazendo ziguezague na SC-405, Sul da Ilha, colocando cinco veículos para o acostamento, antes do acidente.

Ele seguia com a namorada para casa, no Ribeirão da Ilha, mas no meio do caminho atropelou um casal e uma faxineira, no bairro Tapera. Ele não parou e seguiu até a marina Ribeirão da Ilha, da qual é sócio. Testemunhas anotaram as placas do carro e as repassaram à Policia Militar. A Mitsubishi L200 Triton foi encontrada na marina com a lateral amassada e sem o espelho de um dos retrovisores dianteiros.

O empresário estava dormindo e atendeu a PM batendo na porta. Ele negou o acidente e não soube explicar os danos na lataria do veículo. Ele foi levado à Central de Plantão da Agronômica. Na delegacia não quis ser submetido ao teste de bafômetro e foi conduzido ao Instituto Médico Legal para ser examinado clinicamente pelo médico de plantão. O especialista constatou que o motorista estava com a capacidade psicomotora alterada, o que considera embriaguez.

No retorno à delegacia, Raulino prestou depoimento ao delegado Cléber Tappi Serrano. Admitiu que bebeu na noite anterior até a meia-noite. “Ele ressaltou que tomou apenas três cervejinhas”, afirmou o delegado. Quanto ao litro de uísque encontrado no carro, o motorista disse que estava ali havia bastante tempo e que não havia consumido a bebida destilada naquela noite. Afirmou ainda que não se recorda de ter atropelado alguém.

Raulino Jacob Bruning Filho foi indiciado por homicídio doloso (dolo eventual) com a agravante de dirigir embriagado e de provocar lesões corporais em outras duas pessoas. Como não há audiência de custódia nos feriados e finais de semana em Florianópolis, o delegado tentou transferi-lo para a penitenciária da Capital até ele ser ouvido pelo juiz nesta quarta-feira, mas não obteve êxito. Filho ficou na carceragem da Central de Plantão Policial aguardando ser transferido para a audiência de custódia no Fórum da Capital, onde o juiz pode homologar o flagrante, decretar a prisão preventiva ou soltá-lo.  

Enquanto prestava depoimento, a namorada Letícia sentada no banco do corredor da delegacia conversou rapidamente com a reportagem. “Nós não vimos nada. Somos gente do bem. Não percebemos nada do acidente. Isto parece um filme, só se vê em cinema”, dizia entre soluços.

Antes de Letícia terminar a entrevista um policial a mandou passar para outra sala.  

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