Sobrevivente da tragédia na BR-376 deixa hospital e conta tudo o que viu

Anderson Matheus Modesto, 21 anos, passou 54 dias internado em Joinville, perdeu esposa e amiga no acidente; na noite deste domingo (4) partiu para reencontrar as filhas no Pará

Uma boa notícia em meio a tanta dor. Um dos sobreviventes da tragédia da BR-376, Anderson Matheus Modesto, 21 anos, está de passagem marcada para sua cidade natal, Marapanim, no Pará.

sobrevivente da tragédia da BR-3765Anderson ficou internado 54 dias no Hospital São José de Joinville, referência para traumas – Foto: Ricardo Alves/NDTV

Anderson partirá na noite deste domingo (4), às 19h45, do aeroporto de Joinville rumo a sua terra e aos braços das duas filhas – uma de seis anos e outra de 7 anos, que ficaram no Pará.  A chegada está prevista para 1h15 hora da madrugada desta segunda-feira (5).

Ele estava internado desde o dia do acidente – 25 de janeiro de 2021 – no Hospital Municipal São José. Além de fraturar o joelho, Anderson quebrou o quadril, passou por cirurgia no maxilar e teve de colocar pinos no ombro.

Teve alta do hospital no dia 21 de março, depois de 54 dias, e estava aguardando a liberação para poder voar, já que precisava dobrar a perna. Nesse tempo, ficou em um hotel em Joinville contando os dias para poder entrar na aeronave e voltar para casa.

Anderson, o último sobrevivente da tragédia a deixar Joinville, perdeu a esposa e uma amiga na tragédia. No ônibus, assim como outros passageiros, trazia esperança de uma vida melhor, principalmente para as filhas que deixara no Pará com a avó.

O destino dele e da esposa era Itajaí, onde os dois já tinham emprego garantido. Ele iria trabalhar como embalador em um supermercado e a esposa seria caixa no mesmo supermercado. Até casa alugada o casal já tinha na cidade catarinense.

Agora, no entanto, é recomeçar.

“Vim tentar uma vida melhor”

“Estou muito feliz de poder voltar para casa, ficar perto da minha família. Não foi fácil não tudo o que eu passei. Só eu sei. Me lembro de tudo mesmo, não esqueço”, conta Anderson, ainda muito abalado, mas com esperanças.

“Quero pegar esse voo e ir embora, voltar para o meu Pará. Vim tentar uma vida melhor, mas daí aconteceu essa tragédia. Só Deus mesmo para explicar. Perdi minha mulher, éramos felizes. Muita gente vinha em busca de uma vida melhor, mas todos esses sonhos foram interrompidos por esse acidente terrível”, continua o jovem sobrevivente.

Ao falar sobre a esposa, Anderson começou a chorar.

“Na hora do acidente, minha mulher caiu do meu lado. Ela falava ‘amor, quebrei a perna’, mas eu não conseguia me levantar para ajudar. Comecei a gritar por socorro para todo mundo. Lá em cima da barreira tinha gente olhando com as mãos na cabeça, lamentando a tragédia. Isso não vou esquecer.”

Parte superior da frente do ônibus ficou completamente destruída – Foto: Ricardo Alves/NDTVParte superior da frente do ônibus ficou completamente destruída – Foto: Ricardo Alves/NDTV

Anderson conta ainda que viu como ocorreu o acidente.

“O ônibus bateu num carro primeiro que vinha descendo a serra. O carro passou para o outro lado da pista. O ônibus continuou indo, descendo, acho que perdeu o freio, bateu na mureta e ‘foi rebolando’. Nesse momento, nós caímos pelo vidro da frente na beira do mato e o ônibus foi lá para baixo. Aí foi um desespero, tinha muita criança de colo”, relata Anderson.

“Meu joelho estava quebrado. Minha cabeça cortada, foi terrível, todo inchado. Naquele momento, só Deus.”

16 dias intubado

No hospital, Anderson perguntava pela esposa. “Eles me diziam que ela estava sendo socorrida. Mas daí me intubaram, apaguei, fiquei 16 dias no aparelho.

Não tem um dia que Anderson não vê a foto da esposa e não chora.

“Mas eu levanto a mão para cima e agradeço a Deus por estar vivo e agora vou cuidar das filhas.”

A mãe de Anderson veio visitá-lo, mas como ele estava sedado não pode vê-la. “A primeira vez que eu vi minha mãe eu chorei e disse ‘mãe, porque a senhora me abandonou e não veio me ver'”, lembra. Mas, na verdade, a mãe estava ali, do seu lado. “Minha mãe é uma guerreira e sou muito agradecido a ela”, continua.

O recomeço

Agora, Anderson quer recomeçar a vida no Pará. Pretende se recuperar e voltar a trabalhar como padeiro.

“Eu já trabalhava como padeiro na padaria de um amigo chamada Pão da Vida e todo mundo elogiava”, fala, esperançoso.

Ele queria, de fato, realizar um sonho de ter uma vida melhor ao lado da esposa em terras catarinenses, mas agora promete se recuperar e reconstruir aos poucos a vida na cidade natal.

A empresa de ônibus pagou as custas da viagem, do hotel e da alimentação de Anderson e dos familiares.

*Com informações de Kelly Borges e Ricardo Alves, da NDTV Joinville

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