Veja tudo sobre o Dia Mundial sem Carro em Joinville

Estimativa é de que 15 mil automóveis deixaram de circular, e fazer barulho, nas ruas bloqueadas do Centro

Fotos: Carlos Júnior/ND

Ciclistas se deliciam tendo a rua do Príncipe só para elas em horário do rush
Luiz Sérgio, que sempre anda de bike, não acreditava

Parte das ruas 9 de Março, do Príncipe, Jerônimo Coelho, São Francisco, São Joaquim e a Travessa Bachmann foram ocupadas apenas por pedestres, ciclistas, ônibus e taxistas locais durante a mobilização do Dia Mundial Sem Carro em Joinville, das 5 às 19h de quinta-feira (22). Com o trânsito impedido na área central, estima-se que 15 mil automóveis deixaram de circular, e fazer barulho, nas ruas bloqueadas.

A conclusão de que sem o burburinho tradicional do tráfego o Centro ficou mais silencioso tem como base medição feita pela Fundema (Fundação Municipal do Meio Ambiente), que usou um decibelímetro para medir os níveis de ruído emitidos pelos veículos na quarta-feira e quinta-feira, para fazer um comparativo.

Na quinta-feira a medição feita nos dois dias no mesmo ponto – na rua do Príncipe esquina com a 9 de Março – foram constatados níveis de 62 dB (decibéis) quando não havia trânsito, apenas movimento de pedestres. No dia anterior, somando o movimento de pedestres e veículos, os níveis foram a 88 dB.

Nas primeiras horas do dia, o trânsito fluiu com tranquilidade pelo Centro, apenas com pequenos congestionamentos no trecho final da 9 de Março, na esquina com a avenida Juscelino Kubitschek. Mas a partir do meio-dia e durante a tarde as ruas Princesa Isabel e João Colin ficaram lotadas, com o tráfego parado em muitos momentos.

O teste de implantação do corredor de ônibus no sentido contrário da rua 9 de Março exigiu um pouco mais de cuidado dos motoristas de transporte coletivo por causa do pequeno espaço para conversão para a rua João Colin ou para a avenida JK, mas não foram registrados incidentes.

De acordo com Gilson Lucas, agente de trânsito da Conurb (Companhia de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville), a população colaborou e respeitou as orientações dos agentes. “Não tivemos nenhum conflito e a diferença de tempo nos trechos com carros parados foi bem pequena”, avaliou.

A diretora-presidente do Ippuj (Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville), Roberta Noroschny Schiessl, avaliou positivamente o dia de mobilização. “Ficou perceptível o movimento de menos carros nas ruas. Vi muita gente de bicicleta e pessoas em trajes de escritórios que deixaram seus veículos na garagem.”

De acordo com ela, os pontos de lentidão registrados ao redor da área central foram motivados pela falta de planejamento dos motoristas. “As pessoas são acostumadas a fazer sempre o mesmo caminho e não têm hábito de estabelecer rotas alternativas”, disse. Além do Centro, foram registradas adesões também pelos bairros. “Não foi uma cidade sem carro, mas com uso racional”, completou.

Darci Lubawlski usou ônibus para se dirigir até o Centro

Eles foram de ônibus

O transporte coletivo foi a principal alternativa para quem deixou o carro de lado ou mesmo para quem já costuma andar de ônibus e pôde ver as ruas centrais sem o movimento intenso de automóveis. A comerciante Darci Lubawlski, 58 anos, foi até o Centro de ônibus para levar exames e gostou do pouco movimento. “Pelo menos, educa o povo, os motoristas que não compreendem os pedestres”, opinou.

O sapateiro Luiz Sérgio de Souza, 43, ficou surpreso. “Ando sempre de bicicleta e não estou acreditando ainda. Já vim de lá (do bairro Fátima) pensando se ia dar certo porque não imaginei que iam fechar mesmo”, comentou.
Quem também veio de ônibus para o Centro foi a auxiliar de produção Janaína Safonelli, 26. Junto com as filhas Naiely, 8, Stefany, 4, ela deixou o carro na garagem em sua casa no bairro Vila Cubatão em adesão ao movimento. “O problema de carro no Centro é ter que pagar o estacionamento. Para quem precisa fazer diversas tarefas o melhor é a pé mesmo”, comentou.

Renan e Jéssica aproveitaram para passear com a filha Nara com mais segurança

Duas visões. Quem aderiu ao movimento mundial gostou de ver o Centro sem tráfego. para alguns comerciantes, o movimento diminuiu

O metalúrgico Renan Eleutério, 21, aproveitou o dia sem carro para passear com a família no Centro com a pequena Nara, de seis meses. Morador do bairro Itaum, ele e a mulher, Jéssica Cristina, 19, aprovaram a iniciativa. “Deveria ter várias vezes no ano”, comentou Renan, que tem carro mas vai ao trabalho com o ônibus de fretamento. Para encontrar o marido no Centro, Jéssica usou o transporte coletivo. “Estava bem mais cheio que o normal”, relatou.

Para as amigas Cleise Zanella, 27, e Daiane Cristine Correa, 20, que costumam ver a área central cheia de carros, o dia foi bem mais agradável. Uma motorista e outra motociclista, ontem as duas foram trabalhar de ônibus. “Foi muito bom ver as ruas vazias. É importante gerar mais conscientização tanto dos pedestres quanto dos motoristas”, disse Daiane, que é pesquisadora. Já Cleise ponderou o efeito da mobilização. “Acho que influencia apenas algumas pessoas, porque a maioria vai continuar buscando o próprio bem-estar sem se preocupar com os demais”, afirmou ela, que deixou o carro na garagem.

Quem reclamou da mobilização foram os lojistas do Centro. Na maioria dos estabelecimentos, o movimento foi considerado abaixo do normal. “A intenção é boa, mas os comerciantes perderam muito”, contou a vendedora de artigos de presente Simone Macedo, 37. Segundo ela, a reclamação foi geral. Na banca de produtos dela, o movimento foi cerca de 30% menor.

Cleise (E) e Daiane aderiram e deixaram o carro e a moto na garagem

Melhores desenhos

Entre as atividades educativas culturais e esportivas, as crianças que participaram do 1º Concurso de Desenho, organizado pelo Movimento Pedala Joinville, se destacaram. Foram inscritos 183 desenhos criados pelas turmas de 5ª série das escolas Saul Sant’Anna de Oliveira, Pastor Hans Mueller e Vírginia Soares, retratando a importância da bicicleta como opção de transporte.

A avaliação dos desenhos foi feita na terça-feira, mas só ontem os vencedores foram anunciados. Maria Eduarda Nass Arp, da escola Hans Mueller; Sabrina Evelin, da Virgínia Soares; e Gustavo Cidral, da Saul Sant’Anna de Oliveira; respectivamente em 1º, 2º e 3º lugares, criaram as ilustrações que melhor conseguiram transmitir o incentivo à bicicleta. Os prêmios – uma bicicleta com kit de segurança para cada ganhador – serão entregues nas escolas.

Desenho de Maria Eduarda Nass Arp, da escola Hans Mueller
Desenho de Sabrina Evelin, da escola Virgínia Soares
Desenho de Gustavo Cidral, da escola Saul Sant’Anna de Oliveira

FLORIANÓPOLIS

Rosane Lima/ND

O Dia Mundial sem Carro não alterou o dia das pessoas na Capital. Muitos nem sabiam da mobilização e nas ruas o movimento de veículos era intenso, como sempre. Nem as ações previstas pela Prefeitura e pelo Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis) aconteceram. O vendedor Patrick Caravieri chegou ao largo da Alfândega, Centro, de bicicleta. Ele vinha da Lagoa da Conceição e levou uma hora e meia. Resolveu ir de bicicleta sem saber do Dia Mundial Sem Carro.

JARAGUÁ DO SUL

Divulgação/ND

Em Jaraguá do Sul, a novidade deste ano foi a colocação de uma “ciclovia móvel” na área onde foi implantado o estacionamento rotativo, nas ruas Marechal Deodoro, Reinoldo Rau (foto) e Barão do Rio Branco, onde os veículos não podiam estacionar na área limitada à ciclofaixa. Porém, muitos motoristas que não aderiram ao dia e foram de carro para o Centro estacionaram nas áreas delimitadas. No ano passado, a adesão foi de apenas 1%.

 

SÃO FRANCISCO DO SUL

Divulgação/ND

Olhares curiosos e assustados foram dirigidos à ação educativa do Demtran (Departamento Municipal de Trânsito) de São Francisco do Sul, ontem à tarde, no Centro. A simulação de acidente entre carro e moto envolveu duas vítimas e o resgate foi feito por bombeiros, Samu e PM. Mesmo com placas informando que se tratava de simulação, muitas pessoas acreditaram que era de verdade. Outras, apesar de cientes, ficaram assustadas.
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