“Vinham tentar outra vida”: caminhoneiro perdeu quatro familiares no acidente na BR-376

Lucas Lima perdeu o irmão, a cunhada e dois sobrinhos no acidente que vitimou 19 pessoas na BR-376, no litoral paranaense

“A viagem mais alegre que já teve nesse ônibus”: o vídeo feito horas antes do acidente com o ônibus na BR-376, em Guaratuba, mostra o clima de felicidade entre os passageiros vindos do Pará com destino à Santa Catarina. Entre eles, muitos buscavam novas oportunidades em solo catarinense e traziam na bagagem o sonho de mudar de vida.

Era o caso de Antônio Carlos Teixeira Lima, de 41 anos. Junto com a companheira e os dois filhos, de 14 anos e seis meses, ele vinha morar em Joinville, no Norte do Estado. Por aqui, ia trabalhar por conta própria e também buscar um tratamento de saúde. A mudança de vida, no entanto, foi interrompida. Toda a família acabou morrendo no acidente.

Antônio, Geovana e as crianças Emanuelle e Carlos morreram no acidente – Foto: Arquivo pessoal/NDAntônio, Geovana e as crianças Emanuelle e Carlos morreram no acidente – Foto: Arquivo pessoal/ND

“Eles vinham morar em Joinville, já tinham até casa alugada pra fazer a mudança”, diz Lucas Lima, irmão de Antônio. Ele conta que falou com o irmão minutos antes do acidente. “Eles estavam no posto de gasolina antes da PRF tomando café. Disseram que iam olhar os freios no posto porque iam descer a serra e a gente ficou falando no telefone”, fala o irmão.

Ele esperava pela família em um posto depois da descida da serra e estranhou a demora na chegada. “Fiquei esperando meia hora, deu uma hora, deu uma hora e meia e eu liguei pra Arteris. Como sou caminhoneiro, sei que ali é um trecho que tem muito acidente e imaginei que poderia ter bloqueado a pista. Então, me informaram que o acidente era com o ônibus”, relembra.

Depois disso, começou a busca incessante por notícias dos quatro familiares. Lucas percorreu várias unidades de saúde em Guaratuba, Garuva e Joinville, até que foi informado que os corpos estavam sendo encaminhados ao IML de Curitiba. Às 21 horas de segunda-feira (25), quase 12 horas após o acidente, descobriu que toda a família tinha morrido.

“Eles iam pra minha casa, eu tinha feito um café da manhã pra eles. Ficou tudo lá em casa”, lamenta.

Viagens do Norte para Santa Catarina são comuns

Lucas conta que as viagens trazendo passageiros do Norte do Brasil para Santa Catarina têm sido comuns, mas escondem perigos. “Os ônibus viajam como empresa de turismo, mas fazem transporte de linha. Ônibus de turismo têm menos fiscalização do que de linha”, destaca.

Ele relembra que o irmão até cogitou a hipótese de se deslocar de avião para o Sul do país, mas optou pelo ônibus pela quantidade de bagagem, que encareceria os custos na viagem aérea.

Agora, Lucas aguarda o apoio do governo paraense, que informou que vai fretar um avião para encaminhar os corpos das 19 vítimas até o estado.

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