Seis caixas d´água são transportadas de helicóptero até a Costa da Lagoa, em Florianópolis

Comunidade de Florianópolis investe para aumentar a capacidade de armazenamento e no tratamento do líquido

Moradores e turistas que frequentam a Costa da Lagoa, em Florianópolis, terão água de qualidade a partir da próxima temporada de verão. Nesta segunda-feira, o helicóptero Arcanjo do Corpo de Bombeiros transportou seis caixas d´água do trapiche no bairro Rio Vermelho até a comunidade, que não dispõe de acesso viário. Quatro delas têm capacidade de 20 mil litros cada, num total de 92 mil litros de água. A operação, que envolveu a Defesa Civil e a Secretaria de Estado da Saúde, reuniu mais de 30 pessoas, entre moradores e servidores públicos, das 7h às 14h.

Marco Santiago/ND

Reservatórios foram transportados do Rio Vermelho para a Costa da Lagoa

Com 1.500 habitantes, a Costa da Lagoa não tem água tratada. O líquido encanado que chega à residência do barqueiro Jaison Vilson Goes, 35 anos, é captado de uma nascente e transportado até um poção, com capacidade de 15 mil litros. Depois, á agua é distribuída à escola, ao posto de saúde, às casas e aos 14 restaurantes.

A iniciativa de cuidar da qualidade da água surgiu após o início do monitoramento pela Vigilância Sanitária Ambiental, em 2014. “Percebemos que não existia tratamento no líquido consumido na comunidade, por se tratar de uma rede alternativa. Algumas análises mensais apresentaram alterações e, desde então, distribuímos aos moradores hipoclorito de sódio para que seja misturado à água, mas isso é apenas um paliativo. Mesmo com os novos reservatórios, as análises continuarão”, informou a gerente da Vigilância Sanitária Ambiental, Priscila Valler dos Santos.

Segundo o presidente da Associação de Moradores da Costa da Lagoa, Volnei Valdir de Andrade, o Vaninho, 43, a última manutenção do poção foi realizada há três décadas. Em 2015, a associação contratou um funcionário que faz a limpeza quinzenal do reservatório. “Para organizar o nosso serviço de abastecimento, estabelecemos uma cobrança de R$ 15 por residência e de R$ 50 por restaurante. Com esse dinheiro conseguimos comprar as caixas de água há um ano, mas não tínhamos como transportar até o local, que fica na mata fechada e, por isso, pedimos o apoio da Defesa Civil. O problema é que o poção é aberto e muitos macacos e outros bichos contaminam o reservatório”, explicou.

Risco no transporte de 300 quilos

A operação montada para transportar as caixas d´água, que pesam 300 quilos cada, foi elaborada durante um mês. O coordenador regional da Defesa Civil, Ricardo Angelo Volpato, comandou a manobra. “Recebemos a solicitação da Secretaria de Estado da Saúde e pedimos auxílio ao Corpo de Bombeiros. Eles aceitaram o desafio e após duas vistorias técnicas conseguimos executar esse deslocamento com êxito”, disse.

O capitão do Corpo de Bombeiros Sandro Fonseca, comandante do Arcanjo, explicou os riscos deste transporte. “Toda carga externa é uma operação arriscada e merece atenção redobrada. Já transportei vários materiais de construção, mas uma caixa d´água será a primeira vez. A situação é mais delicada porque elas ficaram numa clareira, sem a possibilidade de pouso da aeronave”, contou.

População comemora o fim da falta de água

O deslocamento das caixas chamou a atenção do gerente de restaurante Alyson Laureano, 23 anos, que é da quinta geração de moradores da Costa da Lagoa. Ele comemora o fim da eventual falta de água na comunidade, que chega a receber mais de 2.500 visitantes diariamente. “Em épocas de muito movimento, a água faltava por algumas horas no fim da tarde, porque os restaurantes têm um grande consumo. Agora, posso chegar em casa e tomar um banho tranquilo, sem falar que os clientes ficarão mais seguros sabendo que terão uma água de qualidade”, comentou.

Além de ampliar a capacidade do fornecimento, a água passará por um filtro. O segundo passo é a finalização do contrapiso e a construção de uma nova rede na localidade da Ponta da Areia. “Bebo muito água e nunca tive problema, mas concordo que precisamos preservar a nossa água, que é nossa principal riqueza”, contou o barqueiro Jaison Goes.

COMO FUNCIONARÁ

Água é coletada na nascente e transportada até o filtro (2.000 litros)

Após o filtro, a água vai até a caixa de 10 mil litros, onde será analisada

Depois da avaliação, o líquido ficará nas quatro caixas (20 mil litros cada)

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Transportes

Loading...