Equilíbrio entre tipos de transporte para reduzir os gargalos em Florianópolis

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O secretário adjunto de Mobilidade e Planejamento de Florianópolis, Ivan Couto, explica as estratégias e metas para o transporte da Capital nos próximos anos

A Capital de Santa Catarina trabalha para se tornar uma cidade com trânsito seguro para pedestres, ciclistas e motoristas. A ampliação de rotas para ciclistas e a demarcação de trechos exclusivos para ônibus são alternativas para reverter a preferência pelo transporte individual.

“Criar uma malha de ciclovia, trazer segurança para que a pessoa possa optar pela bike, dar agilidade para o transporte público é tentar mudar essa realidade. Leva tempo, mas é o incentivo para um equilíbrio maior entre todos os modais”, disse o secretário-adjunto municipal de Mobilidade e Planejamento, Ivan Couto.

Trânsito em Florianópolis – Foto: Julio Cavalheiro/Divulgação/Secom/NDTrânsito em Florianópolis – Foto: Julio Cavalheiro/Divulgação/Secom/ND

Qual é a estratégia para melhorar o trânsito de Florianópolis nos próximos anos?

Nossos estudos apontam que a tendência no curto prazo ainda é muito voltada ao carro individual. A expectativa é que haja um equilíbrio de proporção das pessoas que fazem o trajeto de carro e que optem pelo transporte público ou de bicicleta.

Só vamos conseguir ter um parâmetro a partir do momento dermos oportunidade. Não consigo dizer quantas pessoas vão passar de bicicleta na Ivo Silveira se não colocarmos uma malha cicloviária lá. Pessoas que nunca pensaram em comprar uma bike talvez passem a ter interesse. O nosso planejamento é que tenhamos uma malha cicloviária cada vez maior. Da mesma forma, estamos ampliando os corredores de ônibus, para dar agilidade ao transporte público, principalmente nos gargalos do trânsito. Ainda não temos o mesmo número de carros de antes da pandemia, mas temos expectativa de um grande fluxo já a partir desta temporada de verão. Também estamos melhorando as vias para quem anda de carro. Mas, nossa meta é inverter essa lógica. Hoje, Florianópolis é uma das cidades que têm o maior índice de veículos por habitante do país. Criar uma malha de ciclovia, trazer segurança para que a pessoa possa optar pela bike, é tentar mudar essa realidade. Leva tempo, mas é o incentivo para um equilíbrio maior entre todos os modais.

Floripa é uma cidade amiga dos ciclistas?

Não há dúvidas que temos desafios, mas Florianópolis é amiga do ciclista. Com os casos de mortes, principalmente na SC-401, estruturamos a Via Amiga do Ciclista, com o fechamento da Beira-Mar Norte para treinamento de ciclistas profissionais e amadores aos domingos.

Ivan Couto, secretário-adjunto municipal de Mobilidade e Planejamento Urbano de Florianópolis – Foto: Divulgação/NDIvan Couto, secretário-adjunto municipal de Mobilidade e Planejamento Urbano de Florianópolis – Foto: Divulgação/ND

Depois da implementação não aconteceu nenhum acidente de morte com ciclistas nas nossas estradas. Só por isso a gente já pode considerar que Florianópolis é amiga do ciclista. Mas, também, por tudo que já tem sido feito, da quase triplicação da malha, e todos os projetos que estão por vir. Nos últimos quatro anos, triplicou a quantidade de ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas na nossa cidade. Em 2016, tínhamos 75 km e hoje chegamos a mais de 170 km. Isso é um número expressivo e, com os projetos que nós temos, inclusive em andamento, a meta é chegar a 300 km de ciclovias até 2024. Temos uma grande meta de investimento que é o Asfaltaço. Todo projeto verificamos a possibilidade de implementar uma ciclovia, ciclofaixa ou ciclorrota. Não é simplesmente asfaltar a rua, é priorizar as pessoas que transitam no local com segurança, com corredor exclusivo para ônibus e também boa estrutura. A gente tenta sempre priorizar o ciclista, o pedestre e o transporte coletivo.

Alguma meta para a implantação do transporte marítimo, porque continua travado?

Nós temos desafios e existem metas. A marina da Beira-Mar Norte é um projeto que vai congregar essa estruturação para que a gente possa ter o trabalho do transporte aquaviário. Não é um projeto simples de ser implementado, demanda reestruturação do transporte coletivo, principalmente o intermunicipal, que é esse que circula e traz as pessoas de outros municípios da região, para que eles façam o seu ingresso em Florianópolis em algum ponto. Não dá para a gente estabelecer uma meta com relação a isso. O estudo está sendo feito, mas a partir do momento que a gente tiver o lançamento de um edital, aí sim, a gente pode falar em prazo.

A pandemia trouxe impactos no transporte coletivo, inclusive com a redução de horários. No curto e no longo prazo, quais as soluções em discussão?

Os ônibus do sistema público de Florianópolis são os mais modernos do país. A pandemia interrompeu alguns projetos. O primeiro desafio é reequilibrar o retorno dos usuários do sistema, mas já percebemos gradativamente uma ampliação e, consequentemente, todos os dias aumentamos a quantidade de oferta dos horários do transporte coletivo. A prefeitura contratou uma empresa para fazer uma auditoria no contrato, para que a gente consiga dimensionar o impacto que a pandemia trouxe para o transporte coletivo e dizer como a gente vai refazer esse equilíbrio entre prefeitura, usuário e as empresas do transporte.