Grande Florianópolis: o que as empresas de ônibus estão fazendo para garantir a segurança

Com protocolo sanitário mais rígido do país, Consórcio Fênix segue recomendações e conta com a colaboração de usuários em meio à pandemia do novo coronavírus

Com o protocolo sanitário mais rígido do país, o sistema de transporte coletivo da Grande Florianópolis quer provar que pode ser a melhor alternativa para os deslocamentos da população em meio à pandemia do novo coronavírus.

Transporte coletivo em Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/ND

Para isso, funcionários do Consórcio Fênix seguem todas as recomendações e contam com a colaboração de usuários, todos devidamente monitorados pelo sistema de QR Code e câmeras instaladas nos veículos.

Logo que teve início a pandemia e o transporte coletivo foi suspenso, muitos trabalhadores precisaram utilizar o transporte por aplicativo para chegar ao trabalho, o que gerou um custo a mais para a maioria das empresas.

Essa situação obrigou muitas empresas a fazer o próprio transporte dos funcionários em carros de passeio e vans, mas nem sempre obedecendo às recomendações de distanciamento social, o que pode facilitar a transmissão do novo coronavírus.

De acordo com o Consórcio Fênix, desde que o serviço retornou no último dia 10 de agosto, quando a região da Grande Florianópolis passou de gravíssima para grave no mapa de risco do governo do Estado, os números de usuários transportados diariamente tem aumentado dia a dia. Porém, a média de 35 mil passageiros representa apenas 15% do número de usuários quando 100% da frota estava em operação.

O secretário municipal de Transportes e Mobilidade, Michel Mittmann, destaca que a região vive um “momento de transição de incertezas”, e que o sistema de transporte público tem demonstrado uma segurança “exemplar”.

Por isso, Mittmann ressalta a importância do ônibus, no atual contexto. “A culpa não é do ônibus. Nunca foi. Nos estados vizinhos, como Paraná e Rio Grande do Sul, os números estão caindo e o sistema de transporte nunca parou”, compara.

A equipe de reportagem do ND embarcou em uma viagem da linha 184 Udesc via Beira Mar no final da manhã desta sexta-feira para verificar as condições de segurança do transporte coletivo.

Motorista usa máscara e álcool gel – Foto: Anderson Coelho/ND

Antes mesmo do embarque, chamou atenção o cuidado com a higiene no Ticen (Terminal de Integração Central), com a limpeza de corrimões, e a disponibilidade de álcool gel em diversos locais e pequenas filas com observação do distanciamento entre os usuários.

O percurso entre o Ticen e o Titri (Terminal de Integração da Trindade) foi feito em menos de 20 minutos, com duas paradas para embarque de usuários, que utilizaram cartões para pagamento.  O número de passageiros não passou de 10 no interior do veículo. Mesmo assim, por três vezes, o cobrador precisou orientar os usuários em relação à necessidade de se manter distância no interior do veículo, que circulou com o ar condicionado desligado e as janelas abertas.

Outra situação que precisa ser levada em conta é a necessidade de recuperação do setor, abalado, principalmente, pelos três meses iniciais de paralisação, entre 17 de março a 20 de junho.

Essa retomada vai depender de ajuda federal (programa emergencial do transporte coletivo, que tramita no Congresso)e, principalmente, do aumento gradativo da frequência das linhas, conforme a diminuição do número de casos. “Fizemos adaptações para buscar a eficiência, estamos sempre planejando o dia seguinte. Um novo fechamento implica em mais problemas para o setor”, afirma Mittmann.

Cobrador e passageiros de máscara no transporte coletivo – Foto: Anderson Coelho/ND

Usuários do sistema de transporte coletivo avaliaram e aprovaram as atuais condições de transporte. O vendedor José Luiz Moura, 62 anos, tem utilizado o ônibus para se deslocar até o Cepon, no bairro Itacorubi. “Minha avaliação é boa. Não peguei nenhum carro lotado embora eu ande mais em horários alternativos”, relatou Moura.

A recepcionista Tatiane Costa, 36 anos, também não tem críticas para fazer.  “É mais tranquilo do que andar de transporte por aplicativo todos os dias. Sento próximo da janela, que está sempre aberta”, comenta.

O assessor do SETUF (Sindicato das Empresas do Transporte Urbano de Passageiros da Grande Florianópolis), Vinicius Cofferri, ressalta que as empresas desenvolveram um plano sanitário com a consulta de uma assessoria especializada, em conjunto com a Vigilância Sanitária dos municípios da Grande Florianópolis.

“Foram adequados todos os protocolos e adotadas todas as medidas possíveis para trazer maior segurança tanto para os colaboradores e usuários do sistema do transporte coletivo”, afirma.

Uma das medidas adotadas é a aplicação nos veículos de um produto químico (quaternário de amônia de quinta geração).  “Os ônibus são higienizados à noite nas garagens, e também durante o dia, em operação. O produto tem uma durabilidade superior a cinco dias, mas diariamente, à noite, é reaplicado”, completa.

+

Transportes