Transporte lacustre na Lagoa da Conceição vive dias de incerteza

Prefeitura de Florianópolis vai precisar discutir com a Cooperbarco a renovação do contrato emergencial que vence no próximo dia 30 de novembro

O transporte lacustre entre a Lagoa da Conceição e a Costa da Lagoa vive dias de incerteza e apreensão. Prestes a lançar uma licitação para a prestação do serviço, a Prefeitura de Florianópolis vai precisar discutir com a Cooperbarco a renovação do contrato emergencial que vence no próximo dia 30 de novembro.

Antes da pandemia, a Cooperbarco operava na região conforme uma autorização de transporte emitida pela Prefeitura de Florianópolis. Com a pandemia e a exigência de um protocolo sanitário, a cooperativa declarou não ter condições para operar.

Transporte lacustre na Lagoa da Conceição vive dias de incerteza – Foto: Anderson Coelho/NDTransporte lacustre na Lagoa da Conceição vive dias de incerteza – Foto: Anderson Coelho/ND

Então, em 31 de agosto, a Prefeitura de Florianópolis firmou contrato emergencial com a cooperativa para garantir o funcionamento do serviço, com horários reduzidos e para não deixar a população desassistida, e o repasse de R$ 500 mil ao longo de três meses.

O contrato emergencial poderá ser renovado por seis meses, mas caso a licitação do transporte lacustre seja finalizada antes desse prazo máximo, o acordo pode ser encerrado antes do limite máximo de 180 dias.

De acordo com o secretário municipal de Transporte e Mobilidade, Michel Mittmann, um novo contrato será encaminhado essa semana para análise da Cooperbarco, que conta com 28 associados.

Mittmann ressaltou que a Prefeitura de Florianópolis tem honrado o repasse acordado ao longo do contrato emergencial, conforme o número de viagens realizado pela cooperativa.

“Estamos honrando com todos os contratos da prefeitura, o deles também, só que existem alguns ritos burocráticos que precisam ser cumpridos”, conta Mittmann, citando a exigência de notas fiscais, conferência e aferição das viagens.

O secretário destaca ainda que a contratação emergencial foi feita para atender a comunidade diante da emergência sanitária.

“Foram mais de R$ 400 mil em viagens somente em três meses e se for pegar o custo médio por passageiro fica bastante caro, tudo em função desse controle da pandemia, da redução drástica de passageiros com restrição de capacidade nos barcos imposta pela Vigilância Sanitária”, esclarece.

A licitação do transporte lacustre, em fase de elaboração, ainda não tem data para ser lançada. “Estamos trabalhando, pois é bem complexa. Inclusive temos uma reunião com um especialista do Nordeste essa semana”, informa Mittmann.

Uma possibilidade que tem sido estudada é um modelo de operação exclusivo para atendimento de turistas. “Estamos estudando a viabilidade jurídica, pois isso precisa ser visto diante de aspectos legais”, completa.

Horário reduzidos e atendimento ruim

Horário reduzidos e atendimento ruim são reclamações constantes dos usuários do transporte entre a Lagoa da Conceição e a Costa da Lagoa. Por outro lado, os barqueiros se queixam da impossibilidade de transportar turistas, que fazem o percurso em barcos particulares, sem respeito às normas sanitárias e sem fiscalização.

Horário reduzidos e atendimento ruim são reclamações constantes dos usuários do transporte entre a Lagoa da Conceição e a Costa da Lagoa – Foto: Anderson Coelho/NDHorário reduzidos e atendimento ruim são reclamações constantes dos usuários do transporte entre a Lagoa da Conceição e a Costa da Lagoa – Foto: Anderson Coelho/ND

Com 26 anos de atuação, o barqueiro Ailton José Gois não está disposto a renovar o contrato emergencial. “A situação está complicada. A gente está trabalhando sem ganhar. Tenho um barco de R$ 250 mil e ganho apenas R$ 1 mil no final do mês”, relata.

Segundo Gois, 25 dos 28 associados da cooperativa estão dispostos a não renovar o contrato emergencial. “Meu barco tem capacidade para 60 pessoas, mas só posso levar 30. Os barcos clandestinos tem capacidade para 10 e estão levando 30”, denuncia. O presidente da Cooperbarco, Bruno Laureano, foi contatado pela reportagem, mas estava em viagem e não retornou às ligações.

Com opiniões distintas relação ao serviço, e a única unanimidade entre os usuários é a necessidade de integração do serviço com o transporte coletivo.

O funcionário público João Batista Costa reclama dos horários reduzidos, mas defende a manutenção da Cooperbarco no serviço. “Não vão encontrar alguém que preste o serviço melhor que eles. Além disso, pode ficar bom para o turista, e deixar a desejar para o nativo”, argumenta.

Já a dona de casa Vera Albino revela estar “mais ou menos” satisfeita com o atual serviço, e “não vê a hora” de a licitação ser lançada. “Para que tenham mais atenção com os nativos, pois mais da metade da comunidade quer que mude”, explica.

Segundo Vera, os barqueiros privilegiam os turistas, pois os moradores pagam uma tarifa reduzida (R$ 3,25 e R$ 2,10 para estudante).

Uma moradora que prefere não se identificar define o serviço como “razoável”. Ela compreende a redução de horários devido à pandemia, mas ressalta que já existe uma demanda. “As pessoas estão trabalhando, precisam sair de suas casas em direção ao trabalho”, ressalta.

Para ela, o serviço precisa ser prestado com qualidade, sem privilégios. “O tratamento tanto para o turista como para o morador precisa ser igual. Talvez seja necessário trabalhar um pouco esse quesito”, afirma.

Acesse e receba notícias da Grande Florianópolis pelo WhatsApp do ND+

Entre no grupo
+

Transportes