Afinal, é possível viajar aos EUA para se vacinar?

No estado do Arkansas, onde moro, é possível agendar um horário para tomar vacina contra covid-19 a qualquer momento. Com sorte, em cinco minutos você garante sua dose. Em muitos outros lugares dos país, como Texas e Flórida, essa realidade se replica, o que tem motivado muitos estrangeiros a viajar aos EUA para se vacinar.

Nos últimos dias, um bocado de gente tem me questionado se isso é viável, por exemplo, para os brasileiros. E se na teoria a resposta é “não”, na prática, pelo que tenho observado por aqui, pode-se dizer que é possível, sim. O que não significa que é garantido.

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Como é a vacinação nos EUA

Cada posto de vacinação dos EUA tem sua própria regra de agendamento de vacinas, mas a norma geral é solicitar a apresentação de um comprovante de residência ou, ainda, de um documento pessoal americano, como a carteira estadual de identidade ou de motorista. Quando tomei minha primeira dose, tive de apresentar esta última e mencionar meu endereço para registro. Na segunda dose, não houve qualquer questionamento.

No entanto, conheço estrangeiros vindos da Costa Rica, do México e mesmo do Brasil que se vacinaram em Dallas, Orlando e Miami portando apenas o passaporte e informando o endereço do hotel. Há até quem tenha garantido a dose ao apresentar um documento americano vencido, sem maiores questionamentos.

Em geral, são brasileiros que trabalham expatriados na América Central ou têm algum laço familiar com quem nasceu ou mora nos EUA. Mas há também quem chegou ao país, simplesmente, por ter condições financeiras para isso.

Recentemente, a BBC Brasil publicou uma reportagem confirmando que a vacinação de viajantes latino-americanos vem ocorrendo sem grandes impasses em diversas cidades americanas. No México, haveria até agências de viagem organizando pacotes exclusivamente com esse fim.

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Ir ou não, eis a questão

Diante desse cenário, especialistas locais vêm debatendo sobre a questão moral de viajantes estrangeiros supostamente tirarem a vacina dos americanos (ou de quem mora legalmente nos EUA). Afinal, ao menos em partes, é graças aos impostos pagos por eles e às estratégias governamentais que as pesquisas científicas progrediram e as doses foram produzidas em larga escala na terra do Tio Sam.

Por outro lado, há quem aponte uma possível obrigação dos países ricos em ajudar os mais pobres diante da crise global sem precedentes no mundo moderno. Nem que seja por autoproteção, à medida que, dessa forma, eles contribuem para a não proliferação de novas variantes do vírus que, possivelmente, viriam a atingi-los.

“Nos EUA, há um amplo estoque de vacinas, e a pequena porcentagem de doses que os viajantes latino-americanos estão tomando não deve representar um problema [para os demais americanos]”, afirmou à BBC News Mundo Mary Jo Trepka, especialista em Epidemiologia da Florida International University.

Nos telejornais americanos, o assunto é tratado com dedos. Diversos governantes admitem que receberão de braços abertos quem viajar aos EUA para se vacinar, sobretudo na Flórida, uma vez que isso tende a movimentar a economia local. Nos comunicados oficiais publicados pelos postos de vacinação na internet, porém, a exigência de comprovação de residência ou da apresentação de um documento oficial americano segue prevalecendo nos hospitais e nas redes farmacêuticas de marcas como CVS, Walgreens e Walmart.

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Brasileiros podem viajar aos EUA para se vacinar?

Antes de assumir o risco e se aventurar a viajar aos EUA para se vacinar, vale saber que as fronteiras do país estão fechadas, neste momento, para a maioria das pessoas que chegam diretamente do Brasil. Apenas algumas exceções, como cidadãos americanos e residentes permanentes dos EUA, têm autorização para entrar.

É preciso deixar claro, porém, que não são os brasileiros que estão suspensos de viajar aos EUA (para se vacinar ou não), mas sim quem chega de voos vindos do Brasil. Isso significa que é possível ir a outro país, fazer uma quarentena de 14 dias e, então, dirigir-se à terra do Tio Sam.

Para isso, você precisará de visto válido (no momento, a embaixada e os consulados americanos no Brasil estão fechados para a emissão de novas permissões ou mesmo renovações) e de um PCR negativo para coronavírus. O exame tem de ser emitido no máximo 72h antes de embarcar no último destino rumo aos EUA.

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Países com entrada restrita nos EUA

Nesse trâmite, será preciso escolher um dos poucos lugares abertos sem restrições a brasileiros no momento, como o México ou a Costa Rica – e que por sua vez são aceitos pelos americanos. Hoje, os EUA estão fechados apenas para viajantes provenientes dos seguintes destinos:

  • África do Sul
  • Brasil
  • China
  • Irã
  • Países-membros do Espaço Schengen: Áustria, Bélgica, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Holanda, Noruega, Polônia, Portugal, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça, Mônaco, San Marino, Cidade do Vaticano.
  • Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales, Irlanda do Norte)
  • República da Irlanda

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Viagem aos EUA com quarentena no México

Ao somar todos esses fatores, o melhor caminho para chegar aos EUA, hoje, é via México, já que há voos diretos desde o Brasil para o país. O Panamá, por exemplo, não aceita a entrada de brasileiros, mas quem fizer um voo com conexão para lá rumo ao México ou Costa Rica, por exemplo, poderá seguir viagem normalmente, fazer a quarentena no destino final e, depois, viajar para os EUA.

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Conclusão

Viajar aos EUA para se vacinar ou não, portanto, é viável, desde que você permaneça por 14 dias em algum dos destinos com entrada liberada no país e apresente visto válido e exame PCR negativo na chegada ao aeroporto americano. Garantir que a vacina será dada quando estiver na terra do Tio Sam, porém, é algo impossível neste momento, uma vez que não há normas que regulamentem a prática. É fato, porém, que ela tem se mostrado cada vez mais comum e não faltam relatos a respeito do assunto.

Nos aeroportos de Dallas, Orlando e Miami, por exemplo, é visível que o turismo da vacina está a todo vapor. Boa parte das pessoas chega em busca de agendamentos do imunizante da Johnson and Johnson, cuja dose é única. A Pfizer exige um intervalo de 21 dias entre as doses, enquanto o da Moderna é de 28 dias.

Vale dizer ainda que, viajar aos EUA para se vacinar, assumindo todos os riscos, é algo que envolve altos valores. Com o dólar nas nuvens, manter-se por um longo período no país (sem contar os 14 dias de quarentena no México ou em outro local) é, sem dúvida, uma condição para poucos.

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