Centro histórico de Laguna é uma aula a céu aberto

Conhecida por ser a cidade de Anita Garibaldi, o centro histórico de Laguna tem mais de 600 prédios tombados que retratam um município nascido para grandes feitos

Na região Sul de Santa Catarina, a uma hora de Criciúma, está uma cidade que proporciona viagens no tempo. Com mais de 600 prédios tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o centro histórico de Laguna é um destino único no país, sobretudo para pessoas interessadas em conhecer o passado de todo um país.

Centro histórico de Laguna é um registro a céu aberto da história do país – Foto: Markito/SanturCentro histórico de Laguna é um registro a céu aberto da história do país – Foto: Markito/Santur

Mais do que retratar uma trajetória em suas fachadas, os 46 mil habitantes têm em Anita Garibaldi sua cidadã mais famosa. Ela foi símbolo de uma cidade que proclamou independência no século 19, mas que já era importante em 1494 devido ao Tratado de Tordesilhas, quase dois séculos antes de sua fundação.

Laguna é assim, uma história atrás da outra, tudo retratado em suas ruas e em atrações que vamos conhecer agora.

Construída para feitos grandes

Os primeiros registros históricos de Laguna são de 6 mil anos atrás. Os povos sambaquis eram pescadores-caçadores e faziam montes com conchas dos moluscos que comiam em pilhas que chegaram a 30 metros de altura. Nesses locais, as camadas de conchas se intercalam com fósseis humanos, artefatos de pedra ou de ossos, e outros vestígios que mostram a riqueza histórica do local.

Farol de Santa Marta é um dos destinos turísticos mais conhecidos de Laguna – Foto: Prefeitura de Laguna/NDFarol de Santa Marta é um dos destinos turísticos mais conhecidos de Laguna – Foto: Prefeitura de Laguna/ND

A região do Farol de Santa Marta que guarda vários destes locais e em toda a região de Laguna são 40 sítios arqueológicos. Eles são grandes campos de estudo deste local que recebia rituais de sepultamento, oferendas e que mostram como viviam os povos pré-coloniais, incluindo a tribo indígena carijó, comum no litoral catarinense.

A chegada

A expressão “do Oiapoque ao Chuí” simboliza as duas cidades do extremo norte e sul do Brasil, mas durante muito tempo esses extremos eram Belém à Laguna. O Tratado de Tordesilhas, em 1494, dividia as colônias portuguesas e espanholas no novo mundo. Vale lembrar que isso foi seis anos antes da chegada da frota portuguesa de Pedro Álvares Cabral ao país.

Por isso, há o Marco do Tratado de Tordesilhas no Centro de Laguna, que só foi fundada mesmo em 1676 com o nome de Santo Antônio dos Anjos da Laguna, padroeiro do local, chamado depois apenas de Laguna.

Pescadores da cidade de Laguna pescam tainhas com a ajuda dos chamados botos-de-tainha (golfinhos) – Foto: Gabriel Schlickmann/MAFALDA PRESSPescadores da cidade de Laguna pescam tainhas com a ajuda dos chamados botos-de-tainha (golfinhos) – Foto: Gabriel Schlickmann/MAFALDA PRESS

Dois anos depois, começou a ser erguida a primeira capela da vila, feita de pau a pique. Em 1735, já com o status de cidade, o povo começou a erguer a atual Igreja Matriz Santo Antônio dos Anjos, a mais antiga da cidade e que ganhou diversos elementos ao longo de sua história.

A imagem do santo, com 1,68m de altura, foi recebida no fim do século 18 e hoje é uma das principais atrações do local. Também é o astro de sua festa realizada em junho, época do ano em que a imagem sai do altar para ganhar as ruas do município.

Cidade revolucionária

Em 1839, meio século antes da proclamação da república no Brasil, uma outra república foi proclamada pelo grupo liderado por David Canabarro e Giuseppe Garibaldi e lagunense Anita Garibaldi: a República Juliana (uma referência ao mês de nascimento). Laguna se tornou a capital deste local revolucionário em um ato que culminou as disputas entre as províncias do Sul e o Império no período regente.

Pintura de Gaetano Gallino, em 1845, Montevideo. A imagem é considerada a mais fiel da lagunense de acordo com os historiadores – Foto: Prefeitura de Laguna / Divulgação NDPintura de Gaetano Gallino, em 1845, Montevideo. A imagem é considerada a mais fiel da lagunense de acordo com os historiadores – Foto: Prefeitura de Laguna / Divulgação ND

Foi nessa época que surgiu a grande figura de Ana Maria de Jesus Ribeiro, nome de nascimento da heroína. Depois se tornou líder não apenas dessa revolta, mas de várias outra no Rio Grande do Sul, Uruguai e Itália. Por isso seu apelido de “Heroína dos dois mundos”.

E todas estas histórias estão nas ruas da cidade. A Casa Anita Garibaldi possui relíquias e objetos que contam sua história. Além disso, no centro histórico de Laguna, o monumento em sua homenagem guarda um museu no mesmo local onde funcionava a câmara em que foi proclamada a República Juliana.

O Progresso na fachada

O ditado “sem eira, nem beira” retrata a falta de poder aquisitivo de uma pessoa. Logo, ao andarmos pelas ruas vemos que Laguna foi o contrário disso. Eiras, beiras, azulejos ornamentados e balaústres são alguns dos elementos que mostram todo o poderio econômico e a importância do local para a segunda metade do século 19 e início do século 20.

Laguna tem mais de 600 edificações tombadas pelo IPHAN – Foto: Markito/SanturLaguna tem mais de 600 edificações tombadas pelo IPHAN – Foto: Markito/Santur

A arquitetura tipicamente portuguesa da primeira parte de sua colonização, passou a ganhar algumas influências internacionais conforme o desenvolvimento urbano e intelectual ficou mais evidente. Surgiram, nessa época, o Teatro Sete de setembro (1858), o primeiro jornal (1878), hospital (1879), o antigo Mercado Público (1893), o Jardim Calheiros da Graça (1915), Biblioteca Pública e o prédio do Banco Nacional do Comércio (1925).

Tour pela história

Todas estas atrações – e muitas outras – são possíveis de serem visitadas e conhecidas in loco com os grandes tours pela cidade. Há também diversas feiras de quitutes e de artesanatos tipicamente açorianos. Vale também destacar as belas praias que o município possui, a culinária de Santa Catarina. Visite Laguna, história é o que não vai faltar.

Explore mais conteúdos da cidade