Com descontos de até 50%, pacotes de viagem para período pós-Covid chamam atenção

Os pacotes, em sua grande maioria, visam o segundo semestre de 2020, e principalmente o próximo ano; datas, no entato, podem virar problema

Os locais são um sonho e o preço é uma pechincha. Com toda a demanda “reprimida” devido a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), companhias aéreas, agências de viagens, sites de hospedagem e até mesmo hotéis têm investido em preços pra lá de chamativos para atrair clientes. Os pacotes visam o segundo semestre de 2020 e principalmente o próximo ano.

No site do Hotel Urbano, por exemplo, o cliente encontra pacotes de viagem com hotel e passagem aérea por até 50% do valor para 2021. É possível encontrar viagens para Atenas e Santorini, na Grécia, por R$ 2.399. Ainda é possível encontrar viagens para dentro e fora do país com tarifas promocionais entre 1º de março e 30 de novembro de 2021.

No entanto, para aproveitar os preços o cliente deverá ter bastante “flexibilidade” na questão de datas. O tour só é confirmado 30 dias antes do check-in.

Site oferece opções de pagamento em até 12x no cartão – Foto: Reprodução/HurbSite oferece opções de pagamento em até 12x no cartão – Foto: Reprodução/Hurb

Outro destino muito visado pelos brasileiros, Orlando, nos Estados Unidos, devido aos parques temáticos, sai a partir de R$ 1599 com opções de sete a quinze diárias.

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Santa Catarina

Pensando no turismo local, a região da Serra catarinense, muito procurada no inverno, deve ter queda de movimento neste ano. Com apenas 60% da ocupação, o proprietário do Rancho Otto, Ricardo Duarte, na cidade de Rancho Queimado, conta que a maneira de atrair clientes foi trabalhar com descontos de até 15% nas diárias.

Rancho Otto em Rancho Queimado – Foto: Ricardo Duarte/Divulgação/NDRancho Otto em Rancho Queimado – Foto: Ricardo Duarte/Divulgação/ND

“As pessoas estão com medo. Estamos funcionando com apenas três funcionários até por questões de prevenção”, explica Ricardo. O local voltou a abrir as portas na última segunda-feira (13).

Questionado se o local já estaria oferecendo opções de estadia para o ano que vem, Duarte afirmou que não, pois não teve procura por parte de clientes.

“As pessoas que estão na ocupação são as que estavam em Florianópolis na quarentena. Elas estão buscando um lugar para caminhar e descansar. Nosso rancho funciona com várias casas onde não tem aquela aglomeração”, relata o proprietário.

O local oferece estadias nos valores de R$ 550 a R$ 750 com até 15% de desconto.

São Joaquim

Na pousada Monte Carlo, em São Joaquim, o jeito foi fechar as portas até dia 1º de maio para conter gastos. “Não temos movimento, então aproveitamos para fechar e fazer algumas reformas”, conta a proprietária Marita Pereira.

Pousada Monte Carlo em São Joaquim, na Serra – Foto: Divulgação/NDPousada Monte Carlo em São Joaquim, na Serra – Foto: Divulgação/ND

Para buscar um maior movimento, a pousada está fazendo reservas através do site de hospedagem, o booking.com, com opções apenas para 2020.

“Já esperamos um movimento menor para este inverno”, relata Pereira. A pousada tem nove quartos com estadias a partir de R$ 100 com café da manhã incluso.

Agências de turismo

Guia de turismo e agente de viagens na Vacanze Viaggio, que funciona em Santa Catarina, Eduardo Sobania afirmou à reportagem que todos os pacotes para viagens no Estado foram remarcados para o segundo semestre de 2020 ou apenas em 2021.

“Até o momento não podíamos executar nenhuma atividade. Tivemos procura mas acabou declinando. Estamos indo devagar por causa da situação do corona. Temos roteiros por todos os municípios da Serra catarinense”, conta.

Para quem já tinha passagens e estadias compradas, a solução foi fazer a remarcação de maneira gratuita. “O cliente entrou em contato, conversamos e chegamos a um acordo, de cliente a cliente. O pacote se manteve, mudou só o período”, explica Eduardo.

Procon faz alerta

De acordo com o presidente do Procon Estadual de Santa Catarina, Tiago Silva Mussi, viagens sem uma data corretamente marcada e explícita, tratam-se de “propagandas enganosas”.

“Essas propagandas não dão a veracidade e a possibilidade da data da viagem. Quando não tem explícito o conteúdo é enquadrado no código de defesa do consumidor. Estamos alertando o consumidor para não comprar”, afirmou o presidente.

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Turismo

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