De ‘selfie segura’ a praias para cada perfil: dicas para curtir o verão em Florianópolis

Comandante do Corpo de Bombeiros fala sobre as "praias de tombo", correnteza, sinalização e locais para curtir em família, com segurança

A estação mais quente do ano chega oficialmente no dia 22 de dezembro. É tempo de calor, turistas e praias cheias. A Ilha de Santa Catarina se torna um dos destinos mais procurados para quem deseja aproveitar o verão à beira-mar.

Praia Mole é uma das praias que requerem atenção dos banhistas – Anderson Coelho/ND

No entanto, seja turista ou morador, é importante estar atento aos riscos e seguir algumas recomendações que tornarão a temporada em Florianópolis mais tranquila e prazerosa.

Para isso, o ND+ conversou com o tenente-coronel Diogo Bahia Losso, comandante do 1º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar da Capital.

Praias de tombo

Certas praias da capital catarinense exigem mais atenção dos frequentadores. Entre os locais mais perigosos estão as praias da Joaquina, Galheta e Mole.

Segundo o coronel Losso, as três requerem atenção, pois são consideradas “praias de tombo”, que afundam rapidamente e podem pegar os banhistas de surpresa.

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Além disso, os costões presentes nestas praias também são perigosos por causa dos riscos de queda.

“Caminhar em costão é arriscado, pois o banhista pode tanto cair no mar, quanto cair nas pedras. São comuns lesões em membros inferiores e torções nesses locais” afirma o coronel.

A Lagoinha do Leste, cujo acesso é por trilha no Pântano do Sul ou no Matadeiro, também é considerada uma “praia de tombo”. Neste caso, outra questão apontada pelo coronel Losso é a dificuldade de acesso das equipes de socorro.

A boa notícia é que a praia da Lagoinha do Leste passará a contar com guarda-vidas a partir da próxima segunda-feira (16).

Correnteza

As praias Brava, Ingleses, Matadeiro e Moçambique requerem atenção por conta das correntes de retorno.

Caso o banhista caia no repuxo, o coronel explica que não se deve nadar contra a correnteza – em direção à praia. “Tente nadar paralelamente à praia, que conseguirá sair da corrente de retorno”, recomenda.

Outra dica é ficar no máximo 200 metros de distância, para cada lado, de um posto guarda-vidas.

“É a área de cobertura e atuação, onde eles conseguem visualizar melhor as ocorrências, agindo mais rápido e com mais eficiência”, afirma Losso.

Praia com crianças

As praias mais rasas e com água mais calma são, geralmente, as mais requisitadas por famílias com crianças. Contudo, o coronel Losso alerta que o cuidado não deve ser deixado de lado quando se trata de uma criança, uma vez que em toda a praia existe o risco de afogamento.

“As praias abrigadas dentro da baía são teoricamente mais seguras para as crianças, pois não há corrente de retorno e ondas, mas qualquer praia requer a companhia e a atenção de um adulto”, destaca.

Bombeiros alertam para os perigos dos costões. Na foto, praia da Joaquina – Foto: Flavio Tin/ND

As praias do Forte, Jurerê, Daniela, Cachoeira do Bom Jesus, Canasvieiras e Ponta das Canas são alguns exemplos de locais que apresentam menos risco.

Para ainda mais segurança, o coronel Losso recomenda que a criança use a pulseira de identificação, que pode ser adquirida em um posto guarda-vidas.

Ela contém o nome do responsável, da criança e um telefone para contato. Caso encontre alguma criança perdida ou desacompanhada na praia, deve-se encaminhá-la ao posto de guarda-vidas.

Significado das bandeiras

O comandante do 1º BBM explica que as bandeiras na faixa de areia das praias são como os semáforos de trânsito. Cada cor representa a condição do mar no dia.

  • Bandeira verde: baixo risco de afogamento;
  • Bandeira amarela: médio risco de afogamento;
  • Bandeira vermelha: alto risco de afogamento;
  • Bandeira preta: hasteada em cima do posto guarda-vidas caso esteja desativado, ou seja, sem guarda-vidas no local naquele momento;
  • Bandeira lilás: indica que há a presença de águas-vivas.

Selfie segura

A Ilha da Magia, como é carinhosamente chamada a capital catarinense, é repleta de cenários para uma boa foto. Fazer uma selfie é quase irresistível, ainda mais se o local é inusitado. E é aí que mora o perigo.

“As pessoas se arriscam para tentar fazer fotos e selfies radicais, sendo que uma onda pode derrubar a pessoa ou ela pode escorregar em uma pedra, em um costão, e se machucar. É muito perigoso e deve-se ter cuidado”, alerta coronel Losso.

Embarcações e esportes aquáticos

A região que vai da praia da Daniela até Ponta das Canas costuma ter maior presença de embarcações, que devem respeitar a distância de 200 metros da rebentação.

Nestas praias existem áreas delimitadas por boias, que identificam a entrada e saída de embarcações, inclusive “banana boat” e moto-aquática.

Conforme o coronel Losso, o banhista deve ter cuidado e não se aproximar do espaço sinalizado. Bombeiros e Marinha são os órgãos responsáveis pela fiscalização.

O coronel recomenda, ainda, que pessoas sem experiência e preparo físico não se arrisquem em esportes e longas travessias, como kite surfe, caiaque e standup paddle. O uso do colete salva-vidas, por sua vez, é indispensável.

App Praia Segura

O aplicativo Praia Segura foi criado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina em 2016. A ferramenta está disponível somente para o sistema operacional Android. Conforme o coronel Losso, ainda não há previsão para ser liberado para o sistema iOS, do Iphone.

Projeto Praia Acessível disponibiliza cadeiras adaptadas aos banhistas com mobilidade reduzida – Foto: Corpo de Bombeiros Militar/Divulgação/ND

A plataforma exibe um mapa do litoral do Estado e ícones que indicam as condições do mar, a balneabilidade, presença de águas-vivas e de postos guarda-vidas e se a praia possui ou não o projeto Praia Acessível. A ferramenta apresenta, ainda, a data e a hora da última atualização.

O projeto Praia Acessível disponibiliza gratuitamente cadeiras adaptadas aos banhistas com mobilidade reduzida.

Confira as praias com menor e maior risco:

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