Exploração de Florianópolis: conheça a história de ocupação das terras catarinenses

Com localização estratégica que os europeus precisavam para concluir o objetivo, Florianópolis virou ponto estratégico de seus colonizadores

Logo após a descoberta do Brasil, navegadores já exploravam o litoral sul brasileiro e a ilha de Santa Catarina era uma passagem obrigatória para alcançar o Rio da Prata. As duas baías com porto seguro para o abastecimento de víveres e água tornou a ilha um local estratégico.

Fortaleza de Santa Cruz, na Ilha de Anhatomirim – Foto: iStock/DivulgaçãoFortaleza de Santa Cruz, na Ilha de Anhatomirim – Foto: iStock/Divulgação

Mesmo após a criação da Capitania de Santana nada foi feito por aqui. Mas como os espanhóis cobiçavam esse estratégico pedaço de terra, começaram as tentativas de povoar o local, todas fracassadas dado a penúria das condições materiais. 

Somente com a exploração dos bandeirantes, a partir de São Vicente pelo interior do Brasil e a expansão de povoamentos para o Sul, é que se criaram as condições para uma efetiva ocupação. Foi o bandeirante Francisco Dias Velho que conseguiu estabelecer os primeiros moradores em 1673.

Tudo teve início na frente da atual Praça XV de Novembro. Somente em 1714, quando aqui moravam 22 famílias, o local ganhou o nome de Nossa Senhora do Desterro. Conheça as fortificações que contam a história da capital dos catarinense.

Fortificações

 A medida que a disputa pelo Controle da Colônia do Sacramento aumentava entre Portugal e Espanha, o interesse pela ilha de Santa Catarina crescia. Em 1737, o rei foi convencido da necessidade de fortificar a ilha em razão do importante ponto estratégico para a disputa do Rio da Prata.

Dois anos depois foi designado o brigadeiro José da Silva Paes como governador militar da Capitania de Santa Catarina e responsável pela construção de um sistema de defesa com um conjunto de fortificações. O plano foi baseado na proteção das entradas das Baías Norte e Sul da ilha. Ainda em 1739 inicia a construção da Fortaleza de Santa Cruz, na Ilha de Anhatomirim.

Em seguida se constrói o Forte de São José da Ponta Grossa e o Forte de Santo Antônio, na Ilha dos Ratones Grande. Estava formado o sistema triangular de defesa da Baía Norte. No extremo Sul foi construída a Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, na Ilha de Araçatuba. Apesar de todo o esforço, as primeiras peças de artilharia só chegaram depois de 1749. 

Por dentro da história

Avenida Beira0]-Mar Norte com o Forte Santana do lado direito – Foto: iStock/DivulgaçãoAvenida Beira0]-Mar Norte com o Forte Santana do lado direito – Foto: iStock/Divulgação

 A construção dos fortes exigiu a necessidade de povoar a ilha no sentido de dar condições de subsistência as tropas. Em 1746, o Conselho Ultramarino decidiu promover a migração de habitantes das Ilhas dos Açores, um arquipélago a 1.300 quilômetros de Portugal que enfrentava graves problemas de miséria e falta de terras para a agricultura.

Durante 1748 e 1756, mais de cinco mil açorianos foram trazidos na maior migração de europeus para Brasil até aquela data. Essa migração finalmente trouxe algum progressos para a Nossa Senhora do Desterro e deu o suporte desejado para as tropas. 

Todavia, o estado de conservação dos fortes e o armamento das guarnições era sofrível. Ainda assim, uma nova fortificação foi construída na passagem mais estreita entre as baías, o Forte Santana. Todo esse esforço foi em vão.

Em 1777, a maior invasão naval até aquela época aportou na Praia de Canasvieiras com 116 embarcações e 15 mil homens. Os espanhóis, comandados por Dom Pedro Zeballos, chegaram com naus e caravelas com mais de 900 canhões, e os portugueses não ofereceram qualquer resistência. Civis e militares fugiram para o continente. No ano seguinte, o Tratado de Santo Ildelfonso, entre Portugal e Espanha, selou as disputas militares e a ilha retornou para os portugueses. 

Bairros históricos: Santo Antônio de Lisboa e Ribeirão da Ilha

Ribeirão da Ilha, bairro em Florianópolis – Foto: iStock/DivulgaçãoRibeirão da Ilha, bairro em Florianópolis – Foto: iStock/Divulgação

A vinda dos açorianos resultou na instalação de várias freguesias pela ilha, entre elas a de Santo Antônio de Lisboa com um conjunto arquitetônico representativo do período, incluindo um traçado urbano bem característico das vilas portuguesas.

Hoje, a localidade é considerada área de preservação cultural com casario centenário e a primeira rua pavimentada de Santa Catarina para receber o Imperador Dom Pedro II e a Imperatriz Thereza Christina. A Igreja Nossa Senhora das Necessidades foi construída no período entre 1750 e 1756. Outra freguesia representativa é a do Ribeirão da Ilha com casario típico da época.

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