Golfinhos: 3 cidades para apreciar esses simpáticos mamíferos aquáticos em SC

Seja golfinho, boto ou toninha, nas regiões da Baía da Babitonga, Laguna e em Governador Celso Ramos é possível vê-los livres em seu habitat natural e em cooperação com os humanos

Já imaginou estar nadando na praia, passeando de barco ou simplesmente contemplando a natureza e se deparar com golfinhos? Conhecidos como animais muito inteligentes e simpáticos, em diferentes regiões do mundo é possível pagar para nadar e interagir com eles. Prática, inclusive, que é alertada por alguns especialistas como prejudicial à saúde do animal.

Na imagem aparecem dois golfinhos no mar e um pescador no barcoBoto Pescador, em Laguna – Foto: Elvis Palma

Dependendo da região em que estiver, o nome para se referir a eles mudará. Você poderá ouvir falar em golfinhos, botos, toninhas, além de algumas nomenclaturas indígenas. São nomes populares para o mesmo grupo: o dos “cetáceos odontocetos”, mamíferos aquáticos que possuem dentes. Isso não quer dizer que não haja espécies diferentes. Há várias!

Em Santa Catarina, você poderá observar diferentes golfinhos vivendo livres em seu habitat natural e em cooperação com os humanos. É o caso, por exemplo, do Boto Pescador de Laguna. Outros deles são bastante raros e ameaçados, como as Toninhas, que vivem na Baía da Babitonga.

Como algumas águas catarinenses são a casa desses animais, durante o ano inteiro é possível avistá-los. Mas é verdade também que em certas épocas fica ainda mais fácil vê-los, como durante o período de pesca da Tainha, por exemplo, é muito comum e imperdível observar os botos auxiliando os pescadores a fisgar os peixes em Laguna.

Confira abaixo três cidades onde você poderá avistar golfinhos em Santa Catarina.

Toninhas na Baía Babitonga

Vila da Glória, na Baía Babitonga, fica a cerca de 214 quilômetros de distância de Florianópolis 

Na imagem aparece dois golfinhos no marToninhas na Baía Babitonga – Foto: Toninhas do Brasil/Univille

São nas águas da Baía Babitonga que você poderá avistar uma espécie de golfinho cuja linhagem existe há, aproximadamente, um milhão de anos: a Toninha (Pontoporia blainvillei). “Primo” do Boto-cor-de-rosa, ele é considerado um golfinho antigo, o que torna a avistá-lo ainda mais especial.

Uma população entre 50 e 80 toninhas vive exclusivamente nas águas da baía, sem sair para mar aberto. Esse fato faz a Baía Babitonga ser, segundo alguns pesquisadores, o melhor lugar do mundo para o avistamento do animal.

Localizada no Norte de Santa Catarina, a Babitonga se estende por 160 quilômetros quadrados, abraçando seis municípios catarinenses: Araquari, Balneário Barra do Sul, Garuva, Itapoá, Joinville e São Francisco do Sul cercam a baía.

De todas essas cidades, há um ponto especial para avistá-las: próximo às ilhas internas da Baía Babitonga, na Vila da Glória, em São Francisco do Sul. Para conseguir enxergar as toninhas é preciso estar embarcado, além de ter de permanecer bem atento.

Pequeno e de estilo bastante discreto, sem muitos pulos e exibições fora da água, normalmente é possível enxergar sua cabeça quando sobe à superfície para respirar. Como a baía é o habitat natural para essa população, é possível vê-las durante o ano inteiro.

A Universidade da Região de Joinville (Univille) pesquisa há 20 anos as toninhas. Em parceria com o Instituto Federal Catarinense de São Francisco do Sul, a universidade está desenvolvendo um projeto turístico de observação da natureza.

O “Caminhos do Mar” visa compartilhar o conhecimento científico gerado ao longo desses anos sobre as toninhas com operadores de turismo. A intenção é desenvolver e estruturar a atividade na região e fazer com que a biodiversidade seja vista como possibilidade de geração sustentável de renda.

Boto Pescador de Laguna

Laguna fica a cerca de 126 quilômetros de Florianópolis 

Na imagem aparecem dois golfinhosBoto Pescador Laguna – Foto: Elvis Palma

Pode parecer história de pescador, mas não é. Em Laguna, no Sul do Estado, os golfinhos conhecidos como “nariz de garrafa”, a espécie mais comum, auxiliam os pescadores da região a capturar peixes.

Cerca de 50 botos vivem na Lagoa Santo Antônio dos Anjos e 16 deles são auxiliares dos trabalhadores do mar. Eles são responsáveis por cercar os cardumes e conduzi-los até a lagoa.

Quando chegam perto, é hora de o pescador jogar a tarrafa para captura. Os peixes que não são pegos pela rede, acabam servindo de alimento aos botos, em uma forte parceria.

A proximidade com o pescador é tão grande que cada um deles foi batizado com um nome e são identificados por alguma marca que possuam. Por conta desse fenômeno, Laguna recebeu o título de Capital Nacional do Boto Pescador. Já a pesca com auxílio dos botos é considerada patrimônio cultural imaterial de Santa Catarina.

Há cerca de dez pontos onde os pescadores tradicionais realizam a pesca com os botos. Um bom local de observação é o Molhes da Barra, na entrada da Lagoa Santo Antônio dos Anjos. Os botos podem ser avistados ao longo do dia, com destaque para período do meio da manhã.

Embora presentes o ano inteiro na lagoa, a época da pesca da tainha, de maio a julho, é uma temporada muito propícia para observação dos botos. Além dos saltos e das manobras para a condução dos cardumes, você poderá avistar as redes dos pescadores abastecidas com centenas de peixes, graças ao auxílio dos ajudantes aquáticos.

Boto-Cinza em Governador Celso Ramos

Governador Celso Ramos fica a cerca de 54 quilômetros de Florianópolis

Boto-Cinza, em Governador Celso Ramos – Foto: Paulo FloresBoto-Cinza, em Governador Celso Ramos – Foto: Paulo Flores

Uma população entre 60 e 80 Botos-Cinza (Sotalia fluviatilis fluviatilis) faz das águas da Baía de São Miguel, em Governador Celso Ramos, sua morada. Os dados se referem ao último levantamento do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

É característico dessa espécie ficar mais próxima das desembocaduras dos rios para poder capturar peixes e se alimentar. Segundo pesquisadores, essa população é praticamente endêmica da região, vivendo por ali durante toda a vida.

Essa permanência só é possível por conta do trabalho de preservação da espécie e do ambiente aquático realizado pela Área de Proteção Ambiental (APA) Anhatomirim há 30 anos.

O melhor local para o avistamento dos golfinhos em Governador Celso Ramos é nas proximidades da Fortaleza de Santa Cruz do Anhatomirim, na enseada da Caieira do Norte – Baía de São Miguel. Para isso, é preciso estar embarcado.

Diariamente saem embarcações da Praia da Costeira da Armação para percorrer a região. De lá até a fortaleza são 15 minutos, em um passeio lento para respeitar o espaço dos golfinhos. Além da vista dos animais, você também passará pela fortaleza, que foi a primeira sede da Capitania de Santa Catarina.

Na cabeceira das pontes Hercílio Luz, Pedro Ivo e Colombo Salles e da Praia de Canasvieiras também saem embarcações para o local, numa viagem que dura entre 1h30 e 2 horas. Embora seja mais difícil, às vezes é possível avistar os golfinhos estando em terra firme. Os pontos de observação neste caso são a Praia do Sinal e demais Praias da Caieira do Norte, em Governador Celso Ramos.

Dica extra: os dias cinzentos são mais propícios para se avistar os Botos-Cinza. Isso porque os peixes costumam aparecer mais e os golfinhos vão à caça. Momento ideal para avistá-los e fazer registros que ficarão para sempre na memória.

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