História de São Francisco do Sul, cidade mais antiga de Santa Catarina

Além dos 400 casarões tombados no Centro Histórico de São Francisco do Sul, o tombamento também reconhece a paisagem urbana como parte importante da história local

A cidade está a 189 quilômetros de Florianópolis. 

Vista do Mercado Público Municipal de São Francisco do Sul – Foto: Foto_ Alexandre Braga _ Prefeitura Municipal de São Francisco do SulVista do Mercado Público Municipal de São Francisco do Sul – Foto: Foto_ Alexandre Braga _ Prefeitura Municipal de São Francisco do Sul

Chegar em São Francisco do Sul, litoral Norte de Santa Catarina, pela Baía da Babitonga é uma experiência que vale a pena ser vivida. Quando você descer do barco ou do navio, pare e contemple a vista: está diante da história da terceira cidade mais antiga do Brasil e a mais antiga catarinense.   

E essa história tem seu valor reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) que em 1987 tombou o Centro Histórico de São Francisco do Sul. Mas o mais interessante é que não são apenas os 400 casarões históricos que foram tombados: o tombamento reconhece a paisagem urbana em si como um patrimônio, incluindo o pano de fundo composto por seus morros e pela orla marítima. 

Imagine você que foi por essa mesma baía que chegaram os bandeirantes paulistas, em 1658, junto a famílias portuguesas, paulistas e seus escravos para fundarem o povoamento da Vila de Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco, atual São Francisco do Sul. Era um projeto da Coroa Portuguesa ocupar toda a costa da região Sul do Brasil. Uma forma de defesa de território e também de desenvolvimento de regiões portuárias que pudessem escoar a produção rural para a Europa. 

Andando pelas ruas do Centro Histórico você descobre uma outra riqueza que não está apenas nas praias, na natureza e nas belas paisagens de São Francisco do Sul, mas está na história de sua gente, dos povos ancestrais, na história política de Santa Catarina, do Brasil e de sua urbanização.

Um dos pontos principais do Centro Histórico é a praça Getúlio Vargas, onde fica a Igreja Matriz Nossa Senhora da Graça que desde o início do povoamento está no mesmo local e a partir da qual se organizou o restante da ocupação da cidade. Por esse motivo, as construções que ficam ao redor da igreja seguem o estilo colonial, pois foram construídas nesse período. 

Igreja Matriz Nossa Senhora da Graça

 

Igreja Nossa Senhora da Graça – Foto: Alexandre Braga | Prefeitura Municipal de São Francisco do Sul/DivulgaçãoIgreja Nossa Senhora da Graça – Foto: Alexandre Braga | Prefeitura Municipal de São Francisco do Sul/Divulgação

Bem-vindo à primeira igreja do estado de Santa Catarina! A história do santuário começa no ano de 1553, quando uma embarcação espanhola, a La Concepicion, aportou na cidade. A tripulação vinha da Espanha em uma expedição de povoamento rumo à região do Rio da Prata, na Argentina. 

Acontece que durante o percurso, os tripulantes foram pegos por uma tempestade. No momento de desespero todos se ajoelharam em frente à imagem de Nossa Senhora da Graça que estava no barco e prometeram que, se sobrevivessem àquela tormenta, construiriam uma capela em devoção à ela na primeira terra onde chegassem. Pois essa terra foi a atual São Francisco do Sul

Diferentemente de como é hoje, a Igreja possuía apenas uma torre. Em 1926 passou por uma reforma e ganhou novas janelas e afrescos. Nos anos 1950, foi erguida a segunda torre.
Sua construção original era em estilo veneziano, mas sofreu várias alterações com o passar dos anos. No entanto, sua técnica construtiva, com uso de conchas e pedras, está preservada. Em uma de suas janelas é possível ver os detalhes da argamassa, que foi deixada à mostra propositalmente. A Igreja Nossa Senhora da Graça é um dos prédios tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Funcionamento:

 O espaço fica aberto de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas. No final de semana, a igreja intercala abertura entre sábados e domingos o dia inteiro. 

Museu de Arte Sacra

O Museu Diocesano de Arte Sacra Padre Antônio Nóbrega, inaugurado em 2013, reúne boa parte da história religiosa de São Francisco do Sul. Localizado dentro da própria Igreja Nossa Senhora da Graça, o museu possui em seu acervo aproximadamente 800 peças. 

Há vestimentas litúrgicas, prataria, objeto de cultos, mobiliários, livros raros, arquivos históricos da época da construção da igreja, fotografias, imagens sacras, adornos colocados em Nossa Senhora da Graça e até um solidéu do Papa Pio 12 que comandou o Vaticano entre 1939 e 1958. Foi o próprio papa quem fez a doação à igreja. 

Uma parte do acervo é do século 18 como algumas fotografias. As peças que estão no museu fizeram, e algumas ainda fazem, parte dos rituais da igreja e do dia a dia da comunidade religiosa. O acervo não fica todo exposto ao mesmo tempo. As peças são selecionadas e vão sendo substituídas por outras dependendo da exposição. 

Funcionamento:

O museu está aberto de terça a sexta-feira, das 9h às 17 horas.  Aos sábados, domingos e feriados, das 10 às 17h30. A entrada custa R$ 3. 

Porto de São Francisco do Sul

Ficava ali perto da Igreja Nossa Senhora da Graça, mais especificamente às margens da Rua Babitonga, ao lado de onde hoje é o Mercado Público Municipal, o primeiro porto de São Francisco do Sul. A vida dos francisquenses sempre se organizou a partir do mar, e o porto teve e ainda tem papel fundamental na economia da cidade e no desenvolvimento da sociedade. O porto de São Francisco está entre os dez que mais exportam no país

Durante o período colonial do Brasil, o porto de São Francisco do Sul era um ponto estratégico para oferecer serviços de abastecimento de água, alimento e manutenção de grandes embarcações portuguesas que passavam rumo a outros territórios. Já em 1858, a abertura da estrada Dona Francisca e sua interligação ao porto de São Francisco deu outra dinâmica para a cidade. Várias empresas importadoras e exportadoras se instalaram na cidade a fim de fazer o transporte da produção que vinha do Norte e Planalto Norte de Santa Catarina. 

Até mesmo na arquitetura urbana o porto deixou suas influências. Por causa do intercâmbio cultural, que toda área portuária proporciona, e também por causa da melhora na condição econômica da população, modelos europeus começaram a ser copiados, inclusive na arquitetura. 

Mercado Público Municipal

Mercado Público Municipal de São Francisco do Sul – Foto: Mercado Público MunicipalMercado Público Municipal de São Francisco do Sul – Foto: Mercado Público Municipal

Inaugurado no ano de 1900 na rua Babitonga, número 65, o Mercado Público Municipal de São Francisco do Sul servia como entreposto comercial. Com boxes tanto dentro quanto fora do prédio, ali se vendia tanto produtos agrícolas quanto pescados da região. 

Na década de 1970 o espaço passou por uma grande restauração. A partir daí, os boxes ficaram restritos à parte interna do prédio. Aqui você encontra opções gastronômicas e também produtos artesanais para levar lembranças da cidade. O Mercado Público Municipal faz parte do patrimônio tombado pelo IPHAN em 1987

Funcionamento:

O espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 18h30;. Sábado, das 7h30 às 13 horas e domingo, das 8 às 14 horas.  

Museu Nacional do Mar

O lugar onde hoje fica o Museu Nacional do Mar, na rua Manoel Lourenço de Andrade, número 133, foi no século 20 os galpões da empresa de estocagem Hoepcke & Cia. A empresa foi muito importante para São Francisco do Sul, quando em 1902 se instalou na cidade ajudando a fortalecer a cultura portuária. 

Museu Nacional do Mar – Foto: Alexandre Braga | Prefeitura Municipal de São Francisco do Sul/DivulgaçãoMuseu Nacional do Mar – Foto: Alexandre Braga | Prefeitura Municipal de São Francisco do Sul/Divulgação

Nos galpões ainda estão os trilhos por onde passavam os vagonetes, um vagão pequeno descoberto, que iam até os trapiches. Os trilhos compõem o cenário e ajudam a dar o tom histórico do museu. Nos trapiches ao redor, atracavam os navios que transportavam erva-mate, sal, entre outros produtos. Aberto ao público em 1993, o espaço abriga, protege e divulga parte do patrimônio naval brasileiro. Em seu acervo, há uma grande diversidade de embarcações de diferentes regiões do Brasil. O Museu Nacional do Mar foi tombado pelo IPHAN em 2010.

Funcionamento:


O local fica aberto para visitação de terça a sexta-feira, das 9h às 17h30. Aos sábados, domingos e feriados das 10h às 17h30. O ingresso custa R$ 5 (inteira) e R$ 2 (meia). 


Museu Histórico de São Francisco do Sul

Saímos do Museu Nacional do Mar e pegamos a rua Quintino Bocaiúva. Seguimos pela rua Babitonga, na orla da baía de mesmo nome, até a rua Coronel Carvalho, número 1.
O destino é o Museu Histórico Prefeito José Schmidt, também conhecido como Museu Histórico de São Francisco do Sul.
O edifício de estilo eclético foi construído no final do século 19 e concluído no ano de 1914. Em seu interior encontram celas, grades e janelas de ferro. Antes de ser museu, o espaço foi a Câmara de Vereadores e a Cadeia Pública da cidade

Por lá, inclusive, ficaram presos líderes revolucionários da Guerra do Contestado (1912 – 1916). Apenas no ano de 1983 é que o local foi destinado ao museu. Em seu acervo encontram-se utensílios do dia a dia, além de documentos, jornais, mapas e plantas do porto. 

Funcionamento:


O Museu Histórico funciona de terça a sexta-feira, das 8h às 18 horas. Aos sábados, domingos e feriados, das 11h às 18 horas. O ingresso custa R$ 3 para adultos, R$ 2 para estudantes com comprovante e crianças de sete a 12 anos, mediante apresentação de documentação. Crianças até seis anos e idosos a partir de 60 não pagam. 

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