Papai Noel se instala em casarão histórico de São José, na Grande Florianópolis

Até 6 de janeiro, a casa construída em 1859, e que já foi até cadeia, só emana as boas energias que o Natal inspira, um convite para um mágico passeio em família

O casarão de 1859 guarda muitas memórias construídas durante décadas, como Casa de Câmara e Cadeia, cartório, arquivo e sede da prefeitura. Agora com 162 anos de existência, o prédio que faz parte da história de São José foi transformado na Casa do Papai Noel.

Desde a soleira da porta de entrada até o cômodo mais reservado, há detalhes que remetem à imaginária moradia do generoso velhinho, que como um anfitrião de tempos passados convida os visitantes a conhecer cada espaço da casa. Mas isso é por tempo limitado. A Casa do Papai Noel pode ser visitada até o dia 6 de janeiro próximo.

Casarão tem 162 anos e já serviu de Casa de Câmara e Cadeia. Hoje é a moradia do Papai Noel – Foto: Leo Munhoz/NDCasarão tem 162 anos e já serviu de Casa de Câmara e Cadeia. Hoje é a moradia do Papai Noel – Foto: Leo Munhoz/ND

Marli Teresinha Marçal é funcionária aposentada da Prefeitura de São José e conhece muito bem o casarão hoje ocupado pelo viajante do Polo Norte. “Ali naquela sala funcionava a tesouraria”, aponta para o cômodo com duas árvores de Natal em tons de rosa. “E aqui era a sala mais movimentada, onde eu trazia os documentos da Intendência de Barreiros. Naquele tempo, até certidão negativa tinha que passar por aqui”, observou, meio nostálgica.

Acompanhada da neta Amanda, Marli percorreu todos os cômodos do casarão e aproveitou para mostrar para a menina itens por ela desconhecidos, como o filtro de barro, o ferro de passar à brasa e um antigo telefone. “Estou surpresa com tanta beleza”, disse. “Muito bom o que fizeram aqui, valorizou o nosso Centro Histórico”, avaliou.

Alessandra e Lucimar Kurtis aproveitam passeio pela região e encontram o Papai Noel trabalhando em sua oficina – Foto: Leo Munhoz/NDAlessandra e Lucimar Kurtis aproveitam passeio pela região e encontram o Papai Noel trabalhando em sua oficina – Foto: Leo Munhoz/ND

A beleza da simplicidade

Lucimar Kurtis e a filha Alessandra Kurtis estavam retornando para Porto Alegre, onde moram, após um período de férias em Santo Antônio de Lisboa, na Ilha de Santa Catarina. Ao passarem na Via Expressa com destino à BR-101 viram a placa indicando o Centro Histórico de São José e resolveram conhecer.

“Fiquei impressionada. No Rio Grande do Sul temos Canela e Gramado com decoração mais suntuosa. Aqui a beleza está na simplicidade, nos detalhes. É uma casa acolhedora. Estão de parabéns”, comentou a policial militar. Observadora, fotografou detalhes da decoração para poder aplicar em sua casa.

“Muito fofa! A casa é realmente uma casa bem completa. A gente percebe que foram pensados todos os detalhes”, elogiou a socorrista Alessandra, filha de Lucimar. Após a visita, elas retornaram a Porto Alegre com uma boa impressão do que conheceram em São José.

Joyce tira um tempo para escrever uma cartinha – Foto: Leo Munhoz/NDJoyce tira um tempo para escrever uma cartinha – Foto: Leo Munhoz/ND

Entre a oficina e a leitura das cartinhas

A Casa do Papai Noel não tem apenas as oficinas onde ele produz, empacota e endereça os presentes. Muito organizado, ele tem um escritório com uma antiga e bem conservada máquina de datilografar onde organiza todos os pedidos. Ele é um senhor tradicional, gosta de papel e caneta, mas há tempos aderiu ao tablete para agilizar o trabalho.

Por questão um tanto pedagógica, ele gosta de receber cartas escritas à mão com letrinhas caprichadas e desenhos bem-intencionados. Sabendo disso, Joyce, de 8 anos, se concentrou por uns dez minutos na elaboração de uma cartinha, quase um bilhete. Dobrou com cuidado e colocou junto com as demais que se acumulam na escrivaninha.

A superintendente de Cultura e Turismo de São José, Gilmara Vieira Bastos, disse que o recebimento de cartas não foi planejado, mas após muitos pedidos de crianças que visitaram o local, os organizadores resolveram deixar papel e caneta disponíveis para quem quiser escrever para o Papai Noel. “Vamos pensar para o ano que vem fazer uma ação de adoção de cartas. Convidar empresas e a comunidade para participar”, afirmou.

Funcionária aposentada da prefeitura, Marli levou neta Amanda (à dir.)e a amiga Lorena para ver local onde ela trabalhou – Foto: Marcela Ximenes/NDFuncionária aposentada da prefeitura, Marli levou neta Amanda (à dir.)e a amiga Lorena para ver local onde ela trabalhou – Foto: Marcela Ximenes/ND

Passeio pela memória

A mãe da Joyce, a assistente social Josiany Santos, parecia disputar com a filha as expressões de admiração a cada cômodo visitado. Enquanto a menina ria do quase constrangimento de ver o Papai Noel na banheira de espuma, Josiany viajava nas lembranças ao reconhecer na cozinha utensílios utilizados pela sua mãe.

Emoção mesmo foi reconhecer no rádio do dono da casa um aparelho idêntico em que ela, por décadas, viu o avô Manuel Reis ouvir notícias e músicas. “Ele acompanhava a música no rádio e tamborilava em uma caixinha de fósforo. É uma lembrança que quero levar para sempre”, comentou.

Os inúmeros objetos que compõem a decoração da Casa do Papai Noel de São José foram cedidos por voluntários, funcionários, artesãos e pessoas da comunidade que contribuíram para deixar o espaço com características de uma casa de vó – cheia de lembranças afetivas. Empresas da cidade também participaram com o empréstimo de móveis e eletrodomésticos.

Papai Noel pode ser encontrado produzindo peças de cerâmica, uma tradição de São José – Foto: Leo Munhoz/NDPapai Noel pode ser encontrado produzindo peças de cerâmica, uma tradição de São José – Foto: Leo Munhoz/ND

As faces açorianas do Noel

Um dos cômodos da casa que mais atraem a curiosidade é a oficina de olaria. É lá que o Papai Noel josefense está trabalhando numa roda produzindo artefatos em argila, uma tradição de São José. “A ideia inicial era fazermos toda a decoração da cidade com esse tema que representa a cidade, infelizmente não foi possível, mas conseguimos montar essa representação”, comentou a superintendente Gilmara Vieira Bastos.

Uma outra representação da tradição açoriana em São José é a pescaria, que também está na exposição. Sem as conhecidas roupas vermelhas, o Papai Noel pega a sua rede e vai para a Ponta de Baixo pescar.

Para a antiga Casa de Câmara e Cadeia se transformar na Casa do Papai Noel pelo menos 40 pessoas trabalharam na montagem dos cenários e na decoração. “Da florzinha na guirlanda à disposição dos móveis foi tudo feito por voluntários. Foram 10 dias de trabalho na montagem de toda a casa”, contou o superintendente adjunto de Cultura e Turismo, Charles Colzani.

Casarão de 1859 localizado no Centro Histórico de São José é o novo endereço do Papai Noel no Polo Sul – Foto: Leo Munhoz/NDCasarão de 1859 localizado no Centro Histórico de São José é o novo endereço do Papai Noel no Polo Sul – Foto: Leo Munhoz/ND

Para visitar:

  • O quê: Casa do Papai Noel
  • Quando: até o dia 6 de janeiro
  • Onde: Casa da Cultura (avenida Hercílio Luz s/n, Centro Histórico de São José)

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