Pesquisa da Fecomércio aponta queda no faturamento do verão no litoral catarinense

Dados foram debatidos por representantes do setor que identificaram a necessidade de criação da inteligência turística do Estado

Argentinos ainda são os principais visitantes de SC. Foto: Marco Santiago/NDArgentinos ainda são os principais visitantes de SC. Foto: Marco Santiago/ND

Apresentada durante reunião da Câmara Empresarial de Turismo da Fecomércio na manhã desta quarta-feira (26), a pesquisa Turismo de Verão no Litoral de Santa Catarina apresentou números preocupantes para a economia do Estado, como a queda no faturamento da temporada pelo terceiro ano consecutivo. Porém, o levantamento fornece indicadores que poderão balizar novas ações do setor para a próxima temporada, como a criação da chamada Inteligência do Turismo.

Os dados da pesquisa, como perfil do turista, características da viagem, avaliação de destino e os resultados para os setores do comércio, serviços e hotelaria, foram apresentados pelo diretor de planejamento e pesquisa da Fecomércio, Renato Barcellos.  Realizado em cinco cidades do litoral de Santa Catarina – Florianópolis, Balneário Camboriú, Laguna, São Francisco do Sul e Imbituba, o levantamento contou com 832 entrevistas.

“A temporada não foi tão boa quanto no ano passado”, definiu Barcelos, ao apresentar números da queda no faturamento pelo terceiro ano consecutivo: -9,8% em 2019, – 8,1% em 2018, e – 14,1% em 2017. A percepção sobre o resultado da temporada apurada com 555 empresários mostra o motivo da avaliação negativa: o gasto menor, que impactou diretamente no faturamento e no ticket médio (R$ 173) das empresas. Na comparação com os outros meses, porém, o período registrou aumento de 22,4% no faturamento.

A movimentação nos estabelecimentos dividiu opiniões: 4,3% considerou muito bom; 34,5%, bom, 23,7% irrelevante, 25,8% ruim, e 11,6% muito ruim. No setor de hotelaria, no qual foram entrevistados 117 meios de hospedagens, o recuo foi ainda maior (-19,5%) no caixa, o que se refletiu em outros indicadores, como a queda da média de permanência (4,8 dias) e na ocupação de leitos (72,1%).

Já o carro permanece como principal meio de transporte, mas o percentual reduz ano a ano. Em 2018 foi 70,8%, a média histórica é 69,6%, e este ano foi de 60%. Já o transporte aéreo representou 18,3%, percentual maior que no ano passado (13,2%). E dos 6,6% de turistas estrangeiros que usaram a via aérea, 4,7% escolheram o Aeroporto Internacional Hercílio Luz.

Os brasileiros ainda são os principais visitantes do litoral catarinense, com 71,6%, contra 28,4% de estrangeiros. Desse percentual de visitantes de fora do país, o argentinos tiveram 20% de participação, diante de 2,9% de paraguaios e 1,4% de chilenos. Já Balneário Camboriú foi o principal destino dos estrangeiros com 33,3%, seguido de perto por Florianópolis, com 32,54%.

A pesquisa também aponta uma mudança de comportamento na procura por imóveis alugados durante a temporada de verão em SC. Em 2019, os imóveis alugados representaram 34,9% das hospedagens, enquanto hotéis e similares responderam por 34,7% e casas de parentes e amigos, 22,5%. Porém, as plataformas digitais representaram 28,1% em 2019, um percentual significativo, uma vez que em 2017, era 2,3%.

Painel discutiu pesquisa e apontou soluções 

Após a apresentação da pesquisa, um painel foi realizado para discutir os resultados da pesquisa promovida pela Fecomércio.  Melhorar a mobilidade, trabalhar de forma integrada, agregar a segurança ao turismo e criar de políticas públicas foram algumas das soluções apontadas.

Liderado pelo professor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Alexandre Biz, o painel contou com a presença do secretário nacional de Integração Interinstitucional do Ministério do Turismo, Bob Santos, e também teve a participação de representantes do trade turístico do Estado.  Para Biz, que pesquisa o setor há duas décadas, o levantamento aponta a necessidade de colocar em prática duas situações: a Lei Geral do Turismo e a criação da Inteligência do Turismo.

A Lei Geral do Turismo, por exemplo, pode resolver vários gargalos existentes, enquanto a inteligência poderá reunir todas as informações das bases de conhecimento. “Temos que ter soluções que permitam o desenvolvimento rápido do setor. É um setor majoritariamente de pequenas empresas e que precisam trabalhar em conjunto. O que precisamos ter agora é uma inteligência turística, que outros estados não possuem”, ressalta.

Presidente da Santur, Flávio Didomenico chamou atenção para a integração e a valorização do turismo regional. “Não foi um bom resultado para a pesquisa de verão, mas nos mostra o quanto podemos ainda trabalhar o turismo regional”, afirmou Didomenico. Para o superintendente do Turismo de Florianópolis, Vinicius de Luca, a pesquisa Fecomércio aponta caminhos importantes. “Do ponto de vista positivo, podemos citar o incremento para notas que os turistas deram para a infraestrutura nos balneários, a partir do aumento do número banheiros e implantação de chuveiros gratuitos e a acessibilidade. Tivemos também um incremento de voos estrangeiros”, afirma.

Nesta quarta-feira, uma reunião com representantes da Fecomércio, Fiesc, Sebrae, UFSC e Santur deverá discutir detalhes para colocar em prática a inteligência turística do Estado, uma das ações apontadas pelo PDIC (Programa de Desenvolvimento Industrial Catarinense).

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