Turismo: Alcântara, no Maranhão, é roteiro de lendas e muito mistério

Um lugar é puro mistério, daqueles com direito à lendas, romances avassaladores, e histórias da época imperial

Se não chover nem ventar, se a lua e o sol forem limpos e houver festa pelo mar, ir-te-ei visitar…” Assim, Cecília Meireles inicia um de seus poemas, com um verso que se encaixa perfeitamente nas condições climáticas ideais para a viagem de uma hora de barco, entre São Luis, capital do Maranhão, e a cidade de Alcântara.

Valéria Cunha/ND

Ruínas da Igreja de São Matias

Fundada em 1648, Alcântara que chegou a ser uma das mais ricas cidades do Maranhão – entre os séculos 18 e 19 – é um lugar encantador, e apesar de há poucas décadas ser classificada popularmente como fantasma – já que muitos moradores partiram em busca do desenvolvimento pessoal, ela voltou a viver, com suas cores, formas, em ritmo tranquilo, e com muitas boas histórias contadas, hoje, por seus orgulhosos moradores.

Se a viagem em pleno mar até Alcântara é algo bastante intenso, desembarcar em um pequeno deck e dar de cara com uma pequena cidade repleta de ruínas e obras inacabadas é impressionante. É necessário estar desprovido de um roteiro bem estruturado ou até mesmo de luxo. O bom mesmo é chegar por lá e deixar-se levar pelas surpresas de cada esquina. Se a princípio podemos nos imaginar caminhando por aquelas ladeiras em séculos passados, Alcântara nos lembra logo logo que o Centro de Lançamento de Foguetes e Naves Espaciais da cidade pode nos enviar direto para o futuro.

Curioso? Acredite, o lugar é puro mistério, daqueles com direito à lendas, romances avassaladores, e histórias da época imperial. Portanto, entre na onda e nem pense, ao pisar em terra e avistar a primeira ladeira, pegar um moto-táxi. É necessário caminhar, observar as pedras que formam desenhos geométricos e maçônicos pelo chão da rua. É necessário passos lentos para entender a calmaria da cidade, que contabiliza 18 mil habitantes, mas que na verdade abriga apenas 4.000 por lá.

É necessário explorar cada ruína de terracota e escutar a trama que a envolve, porque cada uma delas tem um passado que a transforma em fato importante na história de Alcântara, principalmente na época do Brasil Colônia. São muitas, muitas boas histórias, mas prepare-se porque é bom possível chegar em Alcântara com uma visão de mundo e sair completamente diferente.

Valéria Cunha/ND

Azulejos portugueses embelezam, ainda hoje, os sobrados da época colonial

Por onde passar

Ladeira do Jacaré – É a principal rua, Dr. Neto Guterres, de acesso ao centro da cidade. O início de todo o passeio por Alcântara.

Capela de Nossa Senhora do Desterro – É lá que estão as imagens barrocas de Bom Jesus da Coluna, Nossa Senhora dos Navegantes e da padroeira Nossa Senhora do Desterro. De frente para o mar, tem dois sinos que é necessário bater, um de cada vez, concentrando-se nos desejos.

Valéria Cunha/ND

Sinos da capela de Nossa Senhora do Desterro

Praça da Matriz – Abriga o pelourinho que foi edificado em 1648 quando da elevação de Alcântara à categoria de Vila. Ao lado deste encontra-se as ruínas da Igreja de São Matias, erguida em 1869.

Casa da Câmara e Cadeia – Localizada na Praça da Matriz. Atualmente funciona como prefeitura e Câmara Municipal. Foi construída para ser a Casa da Câmara e Cadeia.

Pelourinho – É um símbolo de poder e riqueza dos grandes Barões que exportavam e comercializava escravos.

Museu Histórico de Alcântara – Em cumprimento a Lei Nº 38.999 de 24 de outubro de 1977 criou-se o Museu Histórico de Alcântara. Instalado no sobrado de nº. 31 da praça Gomes de Castro (Praça da Matriz), o acervo é composto por peças da Prelazia de Pinheiro, peças particulares da família Guimarães Marques e peças da Prefeitura Municipal de Alcântara.

Rua da Amargura – Antiga rua Bela Vista, nela moravam as mais ilustres famílias alcantarenses. Estende-se do Farol ao Forte de São Sebastião. Hoje rua da Amargura tem incontáveis ruínas.

Casa do Divino – Localizado à rua Grande, o casarão pertence ao Patrimônio Imobiliário do Estado do Maranhão. A casa funciona como museu temático da Festa do Divino Espírito Santo.

Casa do Imperador – Construção incompleta. Reza a lenda popular que duas famílias ilustres de Alcântara rivalizavam em ter o privilégio de hospedar Dom Pedro 2, que prometera visitar a cidade. Com o mesmo objetivo foi dado início à construção de outro palácio situado na confluência das ruas Grande e Direita.

Igreja e Convento de Nossa Senhora do Carmo – Localizam-se à praça Frei Custódio Alves Serrão, o Altar-Mor em estilo barroco é ornado de anjos, todos trabalhados em madeira.

Valéria Cunha/ND

Igreja e Convento de Nossa Senhora do Carmo

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos – Sua construção foi autorizada pelo governador em 1781 e os negros que a construíram terminaram a obra em 1803. Seu Altar-Mor foi bento no dia 25 de maio do mesmo ano.

Farol de São Sebastião – Construído em 1831 para orientar os navegantes que velejam entre São Luís e Alcântara.

Como chegar

– Só se chega à Alcântara de barco. É necessário, portanto, pegar um catamarã, escuna ou lancha, no Terminal Hidroviário Praia Grande, que fica ao lado do principal terminal de ônibus, no centro histórico. Os horários de saída dependem da maré, mas geralmente são 7h e 9h30 com retorno previsto às 8h30 e 16h. O bilhete custa R$ 12 a ida e R$ 12 a volta.

– Voos: A GOL oferece diversas opções de voos diariamente, com conexões ou escalas, de Florianópolis a São Luis, com valores a partir de R$ 616 o trecho (sem taxas).

– Agência: Uma das boas opções é escolher uma agência que recebe, organiza e acompanha os passeios. A sugestão é de Gekos Receptivo. Telefone (98) 4141-0152.

Valéria Cunha/ND

Ruínas da Igreja de São Matias

Onde ficar

– Se a intenção for dormir em Alcântara, a cidade tem opções como a Pousada Bela Vista (98) 3337-1568 / (98) 99143-2503 e o Mordomo Régio (98) 99159-8881 / (98) 3337-1513 Essas duas são as melhores. Com diárias a partir de R$ 60.

O que levar

– Já na viagem até Alcântara é necessário água, boné, óculos e principalmente filtro solar. Para caminhar pelas ruas da cidade, o melhor é um sapato leve, como um tênis ou um chinelo. Roupas leves são sempre importantes.

Valéria Cunha/ND

Em Alcântara você encontra o famoso e perfeito Doce de Espécie. De herança portuguesa, o doce é feito à base de coco. Custa R$ 7 uma bandeja com seis unidades.
+

Turismo