Com continuação tediosa, The Wilds sinaliza quando uma série não merece mais ser produzida

Com roteiros parecidos, as duas temporadas saem e chegam ao mesmo lugar, e provocam incômodo por narrativa mal elaborada

Quando é a hora certa de parar? Certamente você já teve esse pensamento enquanto assistia à alguma série ou à continuação de um filme que tanto gostou. Muitas vezes, na tentativa de repetir um roteiro de sucesso, algumas narrativas podem acabar se perdendo pelo caminho.

Tal situação ocorreu, por exemplo, com o seriado The Wilds, original da Amazon Prime Video.

The Wilds: série tenta repetir formato em duas temporadas e chega em resultado cansativo – Foto: Amazon Prime/Internet/Reprodução/NDThe Wilds: série tenta repetir formato em duas temporadas e chega em resultado cansativo – Foto: Amazon Prime/Internet/Reprodução/ND

A primeira temporada, lançada ainda em 2020, foi um sucesso. A história de um grupo de garotas que são jogadas propositalmente à mercê da natureza após uma falsa queda de avião em uma ilha deserta atraiu a atenção de muitos assinantes da plataforma.

Isso fez com que uma segunda fase fosse elaborada pelos produtores. Desta vez, o lançamento de 2022 trouxe às telas um grupo de garotos que também são deixados à deriva no mar para enfrentarem praticamente os mesmos desafios propostos no primeiro ano da série.

É tentando repetir o mesmo molde de personagens, as mesmas mortes, a mesma pulga atrás da orelha e a mesma falsa abordagem policial – esta, inclusive, que tanto chocou os fãs na primeira temporada por seus grandes plot twists – que a série perde-se em si mesma e não evolui.

A sensação é que os quase 60 minutos de cada episódio demoram muito mais para passar do que deveriam. Essa lentidão pode fazer com que muitos espectadores até parem de assistir à série, visto que no fim, todo mundo “sabe” o que vai acontecer.

Os grupos e suas narrativas

De um lado, temos Shelby, Toni, Fatin, Nora, Leah, Dot e Martha.

Do outro, temos Seth, Henry, Josh, Scotty, Ivan, Kirin, Rafael e Bo.

Ambos os grupos fazem parte de um experimento psicológico e científico, e todos os integrantes foram escolhidos a dedo por Gretchen Klein, que está à frente da pesquisa intitulada “Dawn of Eve”. Mas o que é de fato esse projeto e o que ele pretende mostrar? Não sabemos.

Poucas cenas foram exibidas até o momento sobre o motivo pelo qual os adolescentes foram submetidos à ilha deserta. E esse é um dos maiores problemas de narrativa da série. Sem explicações concretas, ela dá voltas, inicia e encerra as temporadas no mesmo lugar.

O vai e vem dos personagens acaba cansando o telespectador, que espera por respostas e, no fim, receberá (provavelmente) mais um ano de ilha deserta em sua terceira temporada, que ainda não foi confirmada pela plataforma de streaming. Desta vez, com os dois grupos reunidos.

O que foi x o que está por vir

Antes, os personagens dispunham de meros equipamentos de sobrevivência. Nem mesmo protetor solar tinham para se proteger dos raios violetas, o que faz com que a maquiagem de todos os atores seja carregada de manchas vermelhas na pele, a fim de imitar queimaduras.

A comida e a bebida também eram limitadas. No lugar, os personagens viveram seus piores pesadelos, medos, devaneios e paranoias. O que há ainda para solucionar senão a fuga do prédio onde ficaram presos e a denúncia de tudo o que passaram para as autoridades legais?

Com pouquíssimas pontas soltas deixadas para trás, a série pode entrar em uma derrocada em seu ano final.

Por conta disso, fica o questionamento: não teria sido melhor aumentar o número de episódios da primeira temporada, bem como o drama e a aventura que os roteiristas trazem, e encerrar a construção narrativa de uma só vez e com chave de ouro?

Eu, que embarquei nas emoções das meninas desde o primeiro capítulo, espero que na continuação os atores masculinos consigam desenvolver melhor seus personagens e criem mais empatia com o público, e que a série feche o que pretende contar de maneira bem elaborada.

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