Da comédia ao descaso: seriados antigos perdem prestígio por piadas preconceituosas

Entre os nomes mais comuns estão as produções "The Office" e "Two and a Half Man", que durante os anos em que estiveram no ar, colecionaram inúmeros fãs e haters por conta de seus roteiros

Você já ouviu alguém dizer que não gosta dos seriados “Friends“, “The Office” ou até mesmo “Two and a Half Men”, que fizeram sucesso entre os anos 2000 e 2015, por conta das piadas preconceituosas inseridas em seus roteiros? A situação é mais comum do que pode parecer.

Seriado The Big Bang Theory contou com grandes nomes da comédia, como Jim Parsons (Sheldon), Kaley Cuoco (Penny) e Mayim Bialik (Amy) – Foto: Internet/Reprodução/NDSeriado The Big Bang Theory contou com grandes nomes da comédia, como Jim Parsons (Sheldon), Kaley Cuoco (Penny) e Mayim Bialik (Amy) – Foto: Internet/Reprodução/ND

Particularmente, sou fã de séries de comédia. Tenho gosto por sentar em meu sofá e assistir, principalmente, ao seriado norte-americano “The Big Bang Theory“, exibido no canal CBS entre os anos 2007 e 2019.

E sim, sou uma daquelas pessoas que acha incrível as risadinhas de fundo da plateia, ao contrário do que muitos chamam de “forçado” por se sentirem obrigados a rir da piada que foi contada.

Entretanto, não considero que este seriado em específico esteja entre as sitcoms “problemáticas” do início do século 21. Claro, algumas piadas podem ser tiradas do contexto, principalmente se elas remetem ao início da série, quando Penny era considerada a “vizinha loira e burra”.

A questão é que houve mudanças, e esse é o diferencial de The Big Bang Theory para outras produções do gênero.

Os roteiristas do seriado souberam como reverter a situação e dar um rumo para a personagem que não era esperado. Nada do que foi ao ar apagou-se, é claro. Apesar disso, houve um mea culpa expressivo ao passo que a série ia ganhando cada vez mais fãs ao redor do mundo.

Ainda, com a inserção das personagens de Amy e Bernadete, por exemplo, foi exposto que mulheres também são grandes ícones científicos, e que podem sim gostar de quadrinhos e super-heróis, igual a seus amigos e namorados considerados “geeks”.

O problema é que nem todas as produções conseguiram fazer isso.

Machismo em cena

De longe, “Two and a Half Men” tem apenas o jingle de sua abertura considerado como respeitoso. Não posso ser hipócrita e negar que já dei inúmeras gargalhadas com a série, mas reconheço que toda a sua narrativa gira em torno de questões machistas e preconceituosas.

Seriado ficou no ar durante os anos de 2003 e 2015 – Foto: Internet/Reprodução/NDSeriado ficou no ar durante os anos de 2003 e 2015 – Foto: Internet/Reprodução/ND

Nada family friendly, o seriado acompanha a vida de dois irmãos, Charlie e Alan Harper, que moram sob o mesmo teto.

Alan é um pai divorciado, que arrasta Jake (seu único filho) para as mais diversas e problemáticas confusões, a primeira delas sendo morar com seu tio após separar-se de Judith. Afinal, Charlie é o famoso homem galinha, que está sempre trocando de namorada.

Até aí tudo bem, pois cada um é livre para ter quantos relacionamentos amorosos preferir. O problema começa quando Charlie trata todas as mulheres com quem sai como um objeto sexual e sem sentimentos.

Até mesmo a atriz Megan Fox já foi sexualizada em cena no seriado por conta de seu corpo – Foto: Internet/Reprodução/NDAté mesmo a atriz Megan Fox já foi sexualizada em cena no seriado por conta de seu corpo – Foto: Internet/Reprodução/ND

Inúmeras são as cenas do seriado nas quais ele exibe essas mesmas mulheres como troféus que conquistou.

E é justamente por isso que a série tem uma adesão tão baixa de fãs atualmente, visto que o cenário atual é muito diferente de 10 anos atrás no que diz respeito à valorização feminina. Até mesmo na época, a majoritária de expectadores da sitcom eram homens, o que diz muito sobre a índole da produção.

Assédios morais em escritórios cenográficos

The Office, o seriado que exibe a rotina e histórias pessoais de um grupo de trabalhadores na fábrica de papel Dunder Mifflin, e também o que mais pisa em ovos quando o assunto é piadas que envelheceram mal. E por quê? Apenas um nome: Michael Scott, o líder da sucursal de Scranton.

Personagem é o mais amado e odiado entre os fãs do seriado – Foto: Internet/Reprodução/NDPersonagem é o mais amado e odiado entre os fãs do seriado – Foto: Internet/Reprodução/ND

Veja bem. Eu assisti todas as temporadas da sitcom, e somente fiquei confortável nas últimas duas, (SPOILER!) com a saída do personagem principal. Não é que eu não gostasse da série. Ela era boa e tinha bons desenvolvimentos, como a relação entre a Pam e o Jim.

A única coisa que ela não tinha era o respeito do chefe para com seus funcionários. Desde piadas racistas, preconceituosas e sem graça até más interpretações em câmera, The Office deixa a desejar em inúmeros pontos de sua trajetória.

E esses mesmos tópicos abordados são vistos com outros olhos pelos fãs da série, que a defendem mais do que o Dwight defende o Michael – se é que isso é possível -, o que torna o debate ainda mais acalorado, pois a série pode ser considerada como um divisor de águas entre as sitcons, por ter, em mesmo número, pessoas que a amam e a odeiam.

Até o momento, sigo com minha opinião, que nem mesmo o mais fervoroso seguidor de The Office que conheço conseguiu mudar. O seriado fez até mesmo com que eu pegasse “ranço” do ator Steve Carell, por conta do personagem que muitos consideram como o melhor de toda a série.

Gordofobia

Nem mesmo quem é fã de carteirinha de Friends – posição em que me incluo – consegue negar que a série tem seus problemas narrativos.

Friends está entre as séries que envelheceram mal, apesar de ainda carregar consigo muitos fãs fiéis – Foto: Internet/Reprodução/NDFriends está entre as séries que envelheceram mal, apesar de ainda carregar consigo muitos fãs fiéis – Foto: Internet/Reprodução/ND

Por ter estrelado em 1994, época em que a conversa sobre a homossexualidade ainda não era acentuada, o roteiro falha, muitas vezes, com esta parcela populacional.  Mesmo com a ex-mulher de Ross sendo abertamente lésbica, o seriado faz incontáveis piadas com a situação.

Em diversas cenas, os personagens aparecem menosprezando o relacionamento homoafetivo de Carol e Susan, colocando ainda Ross como a “vítima” de um falho casamento. Mas não é só isso. A narrativa de Friends falha também ao cometer piadas gordofóbicas.

Personagem sofria inúmeros discursos gordofóbicos durante sua adolescência – Foto: Internet/Reprodução/NDPersonagem sofria inúmeros discursos gordofóbicos durante sua adolescência – Foto: Internet/Reprodução/ND

Em uma adolescência que prefere esquecer, Monica era gorda, e por isso era chamada de “Fat Monica”. Muitas abordagens são feitas sobre essa parte da vida da personagem, e em todas elas comentários preconceituosos com seu peso eram feitos.

Isso mostrava como a série desprezava quem “estava fora do padrão da época”. Em outros momentos, piadas com o corpo do “Ugly Nacked-Guy” também eram feitas por trás de suas costas, o que torna toda a questão ainda mais problemática.

Mas há um porém: Friends também abriu espaço para muitas outras discussões, como a das barrigas de aluguel.

O seriado trata ainda sobre questões científicas, como a área da paleontologia, e muitas vezes até ensina sobre elas, não podendo assim ter suas 10 temporadas julgadas de forma excruciante, até mesmo porque o carisma do grupo de seis amigos não deixa que isso aconteça.

A comédia atualmente

Tanto se fala sobre o passado, mas como está o agora, com produções que se preocupam com os direitos humanos e com a igualdade e respeito entre os gêneros e sexos?

Entre as séries de comédia mais famosas e softs do momento está por exemplo Brooklyn Nine-Nine que durante oito temporadas foi capaz de tratar, de maneira explícita e respeitável, com representatividade, sobre a comunidade LGBTQIA+, mulheres em posição de poder e até mesmo o racismo intrínseco que está presente na polícia norte-americana.

Brooklyn Nine-Nine já teve suas oito temporadas finalizadas, mas continua sendo uma série de sucesso atualmente – Foto: Internet/Reprodução/NDBrooklyn Nine-Nine já teve suas oito temporadas finalizadas, mas continua sendo uma série de sucesso atualmente – Foto: Internet/Reprodução/ND

Por sua vez, Modern Family trata sobre diferentes núcleos familiares.

Seriado conta com grandes nomes do entretenimento, e é faz com que a gente assista todo o crescimento dos personagensSeriado conta com grandes nomes do entretenimento, e é faz com que a gente assista todo o crescimento dos personagens

Há o casal gay, que adotou uma criança vietnamita. Há também a tradicional família norte-americana, composta pela mãe, o pai e seus três filhos. Há ainda o casamento entre uma mulher latina, que era mãe solteira, com um homem acima de seus 60 anos.

O melhor de tudo?

Todas essas famílias estão interligadas pelo sangue, gerando divertidas risadas e temporadas deliciosas para serem maratonadas.

Há ainda outros bons nomes que valem a pena serem conferidos, como “Never Have I Ever”, “Silicon Valey” e “The Kominsky Method”.

Fica a dica para o fim semana!

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