Acidente com vítima fatal em Florianópolis acende alerta contra uso de cerol em pipas

Balanço Geral Florianópolis

De segunda a sábado, às 11h50

Neste final de semana, mais um acidente que terminou em morte em Florianópolis acendeu um alerta: os riscos do uso do cerol. Uma armadilha que acaba sendo invisível para o motociclistas.

O perigo normalmente fica bem a frente, mas é impossível enxergar a linha fina muitas vezes invisível ao olho nú. Cruzar essa linha a cerca de 100 quilômetros por hora numa via de alta velocidade, como na Via Expressa, pode causar acidentes fatais.

O autônomo Daniel Rosa passou pela experiência, o que resultou num grave ferimento na testa. “Eu estava passando na Via Expressa, visualizei a pipa que estava a poucos metros de altura, diminuí a velocidade e fiz sinal para um carro que vinha atrás de mim, a pessoa que salvou minha vida – posso dizer assim – fiz o sinal, a pipa caiu no chão, achei que estava tudo bem e poderia passar”, conta o autônomo.

Segundo Rosa, quando aumentou a velocidade, sentiu a linha começar a cortar a testa. A linha que atingiu Daniel não era uma linha comum, estava banhada em cerol.

O acidente aconteceu há cerca de dois meses atrás, o motociclista levou pontos e apesar da cicatriz, se recupera bem. Mas neste fim de semana, a morte de uma mulher de 34 anos trouxe de volta o assunto. Acidentes como este poderiam ser evitados se fosse cumprida a lei que proíbe o uso de cerol em pipas.

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Autoridades fazem alerta

De acordo com o chefe substituto de comunicação da PRF-SC, Adriano Fiamoncini, o cerol é uma mistura de pó de vidro com cola colocado nas linhas das pipas para tentar cortar a pipa do outro. Muitas vezes essas linhas acabam presas nos postes de rodovias, como a Via Expressa, que corta a Grande Florianópolis.

“É uma questão cultural, uma brincadeira de vários anos e que tem que acabar. Não há mais espaço para isso na nossa vida moderna, com as rodovias movimentadas, ruas movimentadas”, afirma Fiamoncini.

Em maio, a PRF (Polícia Rodoviária Federal) recolheu sete pipas na Via Expressa. O motociclista também pode se precaver, com a compra de antenas corta pipas encontradas em lojas de auto peças, o preço varia entre R$ 10 e R$ 60.

Daniel mobiliza campanha

Hoje, Daniel está a frente de uma campanha que busca doar antenas corta pipas para motociclistas que não tem condições de pagar por uma. O acidente do último sábado (20) o fez reviver o trauma de dois meses atrás.

“Eu tive a sorte de poder chegar em casa e ver meus filhos. Essa moça não teve. Então tem que conscientizar que isso não pode continuar acontecendo do jeito que está”, afirma o autônomo.

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