Antiga estação de esgoto de Florianópolis apresenta sinais de abandono e vandalismo

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“Reis e princesas”, a inocência das crianças para definir o que teria dentro dos chamados castelinhos presentes no Centro de Florianópolis, chama a atenção. O local que muitas vezes vira ponto de atração turística na Capital, tem uma função diferente: esgoto.

As estruturas foram construídas no início do século 20 para abrigar as estações de saneamento de Florianópolis. Na época foi um projeto muito elogiado, bem elaborado e pioneiro. Porém, hoje em dia, pouca gente lembra, ou mesmo sabe disso.

Construção histórica

O sistema pioneiro de tratamento de esgoto foi implantado nos governos de Vidal Ramos e Felipe Schmidt entre 1910 e 1918. As casinhas foram depois tombadas como patrimônio histórico estadual. Algumas, como a que fica na Praça Celso Ramos, no Centro, continua muito bem conservada.

Local tem sido alvo de vandalismo – RICTV Record/Reprodução

Porém, a localizada próxima ao antigo Terminal Cidade de Florianópolis, também no Centro, apresenta sujeira e péssimo estado. Desde a contrução, esse “castelinho” já se destacava em relação aos outros.

“As outras casinhas são apenas estações elevatórias, até se olhar a estética dela é diferente, ela parece muito mais uma fortaleza”, explica a gerente do Sephan (Serviço de Patrimônio Histórico), Marilaine Schmitt. “Por esta estar em uma área central, possui uma estética mais neoclássica. Ela foi também o primeiro banheiro público da Capital”, completa.

De acordo com Schmitt, a responsabilidade para recuperação deste patrimônio é de proprietário. “Ele deve manter restaurada e dar o uso para ela”, explica. Os outros órgãos que são a FCC (Fundação Catarinense de Cultura) e Sephan podem auxiliar no processo, mas segundo a gerente, a responsabilidade é do proprietário.

Casan diz que manutenções são feitas

A reportagem entrou em contato com a Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), que afirmou fazer a manutenção periódica do castelinho e que há um projeto de restauração em estudo no momento.

Em 1985, a concessionária chegou a revitalizar toda a construção e instalar no local o “Museu do Saneamento”. Hoje, nada que lembra o museu, muito menos uma antiga estação de saneamento. Mesmo com tapûmes em portas e janelas, algumas pessoas continuam entrando no local com frequência.

Mesmo com um banheiro público à poucos metros, o local é usado como sanitário. Além do mau cheiro, o prédio construído para lembrar o forte, está vulnerável e sofre com as ações do vandalismo cotidiano. Pichações, sujeira e vidros quebrados são cenas comuns.

Muitos podem até pensar que um prédio pequeno no Centro Histórico é coisa pequena frente a tantos desafios que uma cidade como Florianópolis precisa enfrentar todos os dias. Mas, já diz o ditado, que quem não cuiad do seu passado, está condenado a repetir os mesmos erros no futuro.

“O que falta é uma educação patrimonial. Quando há uma educação efetiva, onde as pessoas entendem a importância daquilo, o Estado fica mais como um parceiro para acompanhar”, afirma o gerente de Patrimônio Imaterial da FCC, Rodrigo Rosa.

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