Creches liberam alunos mais cedo devido a falta de água na Grande Florianópolis

Balanço Geral Florianópolis

De segunda a sábado, às 11h50

A falta de água segue complicando a vida dos moradores da Grande Florianópolis. O problema vai além do banho e serviços domésticos. Sem água, creches estão liberando os alunos antes do horário, o que acaba afetando o trabalho do pais.

A dona de casa, Marizete Castranha, não está dando conta de fazer todo o serviço de casa e ainda as peças em crochê que ajudam na renda da família. Na casa dela, tem água, o problema está na creche onde o filho Artur, de quatro anos, estuda.

“Como vai atender as crianças sem água? Fazer comida, ter limpeza, os banheiros. As crianças estão há quase duas semanas indo apenas até às 12h. Quando chega próximo a esse horário a coordenadora liga pedindo para os pais irem buscar”, conta a dona de casa.

Além do Artur, de quatro anos, Marizete é mãe da Sofia, de dois anos. O marido, que é pedreiro, auxilia no que pode, mas com duas crianças em casa, fica difícil realizar todas as tarefas. “Quem trabalha fora está tendo o transtorno de pagar alguém para ficar com as crianças, isso quando consegue”, reclama Marizete.

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Problemas em São José

O Centro de Educação Infantil Renascer, do bairro Jardim Zanellato, em São José, atende 89 crianças de três a seis anos em período integral. O prédio tem duas caixas d’água, juntas, elas tem capacidade de 12 mil litros de armazenamento. Mas há duas semanas não há pressão suficiente da rede da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) para enche-las.

“Acaba a água e acaba que temos que chamar os pais pra virem buscar as crianças. Compramos bombona e mudou a alimentação, ficamos com bem poucos alunos, a maioria é super compreensível”, explica a administradora da creche, Monique Kunz.

Segundo a administração da creche, houve dias em que não veio um pingo sequer, e as aulas acabaram sendo suspensas. Em outros, o pouco que veio logo acabou. A creche oferece quatro refeições ao dia, na segunda, já não havia mais água para lavar os pratos.

De acordo com Monique, a creche chegou a cogitar a contratação de um caminhão pipa, porém o orçamento chegaria a R$ 10 mil e ficaria inviável.

Aresc cobra plano de emergência

A Aresc (Agência Reguladora de Serviços Públicos de Santa Catarina) cobrou um plano de emergência da Casan. A companhia informou que vem fazendo várias manobras e obras emergenciais para minimizar a falta de água. Mas a estiagem prolongada comprometeu a principal fonte de água do sistema que abastece Santo Amaro da Imperatriz, Palhoça, São José, Biguaçu e Florianópolis.

A Casan, que já tinha fechado uma das três adutoras do Rio Vargem do Braço, teve que reduzir ainda mais a captação de água no local para não secar o rio de vez. Agora, apenas uma das três adutoras segue funcionando. A quarta adutora, no Rio Cubatão, está trabalhando com capacidade máxima, porém, ela não consegue suprir a demanda.

“Puxadinho” vira solução emergencial

A solução emergencial é improvisar, fazer um “puxadinho” na estrutura que já existe. A tubulação que vem da Vargem do Braço passa bem perto do Rio Cubatão para chegar até a estação de tratamento.

A Casan encomendou três motores e irá aproveitar essas adutoras para retirar mais água do Rio Cubatão. A obra emergencial vai garantir os 400 litros por segundo que faltam hoje. Mas isso só deve entrar em funcionamento em 15 dias.

A obra emergencial vai garantir os 400 litros por segundo que faltam hoje – RICTV Record/Reprodução

A situação dos rios é de atenção no Alto Vale e Meio Oeste e de emergência na Grande Florianópolis. Em julho choveu 40% a menos que o esperado. Em agosto normalmente chove em torno de 100 milímetros, porém choveu apenas quatro.

“Tem que chover no mínimo mais de 100 milímetros para que recupere a condição hídrica dos rios. E também que recupere essa situação de deficit que vem desde junho e se agravando a medida que passa o tempo”, explica o hidrólogo da Epagri/Ciram, Guilherme Miranda.

A Casan afirma estar monitorando o nível dos reservatórios e intercalando o abastecimento para que a água chegue até os pontos mais altos e pontos de rede. Ainda assim, pede a colaboração da comunidade para o uso consciente.

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